<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-9082002872150641558</id><updated>2012-02-16T05:40:50.627-02:00</updated><title type='text'>Pequenas Porções de Diversão</title><subtitle type='html'>Relatos sem nenhum compromisso, além  da diversão.</subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://cristianaserra.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9082002872150641558/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cristianaserra.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>Cris</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05164885794284654292</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>15</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9082002872150641558.post-2957434584367643205</id><published>2010-09-21T19:25:00.017-03:00</published><updated>2010-09-21T21:57:34.664-03:00</updated><title type='text'>A autotransformação é o primeiro passo para a mudança externa</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;O textinho a seguir (e que minha amiga Karla me pediu para compartilhar, após a resposta que escrevi para um e-mail que nos foi endereçado) é um mix de idéias que circularam e ressoaram em conversas, reflexões, desabafos, DRs, leituras, palestras no centro espírita e toda a sorte de experiências pessoais e alheias. &lt;p&gt;&lt;br /&gt;No fundo, todas essas idéias estão em várias mentes, muitos registros, diversos relatos; afinal, a fonte acaba sendo a mesma, e, a depender do nosso nível de compreensão, percepção, elevação moral, elas farão mais ou menos sentido, e num determinado momento vão surgir de nós, de algum lugar, como se tivessem saído de nossas próprias mentes.&lt;/p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;p&gt;Antes, uma ressalva em forma de agradecimento (ou um agradecimento em forma de ressalva): além dessa fonte que é de todos e de ninguém, todos os créditos cabem ao meu melhor amigo, que coincidentemente (ou não) se tornou o meu amor e me falou ou me fez pensar sobre o que escrevi abaixo. &lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;br /&gt;*** &lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Precisamos estar atentos para não repetir os mesmos erros, atrair as mesmas coisas e fazer dos velhos hábitos (queixas, carências...) o nosso estilo de vida (Mude! Veja esse vídeo no Youtube: &lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=HiEKCN32FB8&amp;amp;feature=related" target="_blank"&gt;&lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=HiEKCN32FB8&amp;amp;feature=related" target="_blank"&gt;http://www.youtube.com/watch?v=HiEKCN32FB8&amp;amp;feature=related&lt;/a&gt;&lt;/a&gt;). &lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Determinadas experiências, ainda que nos pareçam, em princípio, desagradáveis, talvez sejam uma oportunidade para pensarmos na forma como nos comportamos nos nossos relacionamentos e diante da vida de uma forma geral. &lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Nesse caso, não há receita, não há certo nem errado, mas temos de pensar se estamos agindo de modo a permitir que aquilo que desejamos se concretize. Muitas vezes, queremos uma coisa, mas a forma como pensamos, sentimos e nos comportamos nos distancia daquilo que queremos. &lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;E é impressionante como temos a tendência de repetir determinados padrões. (Mude! E se ainda não viu, veja esse vídeo no Youtube: &lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=HiEKCN32FB8&amp;amp;feature=related" target="_blank"&gt;&lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=HiEKCN32FB8&amp;amp;feature=related" target="_blank"&gt;http://www.youtube.com/watch?v=HiEKCN32FB8&amp;amp;feature=related&lt;/a&gt;&lt;/a&gt;). Penso na minha experiência, na de outras(os) amigas(os), e vejo como isso ocorre com frequência. &lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Temos uma responsabilidade muito grande em relação ao que acontece conosco. Se queremos viver algo novo, algo que promova uma mudança na nossa vida, nas nossas relações, o primeiro passo é a autotransformação (Mude!). &lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Nos relacionamentos amorosos, por exemplo, o apego, a carência e a necessidade de controle são os principais fatores geradores de conflitos e desencontros de expectativas. O amor, na vida cotidiana, requer uma construção contínua exatamente pela necessidade de aceitação da imperfeição do outro e da própria imperfeição. &lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;E amor de verdade, em sua essência, implica necessariamente em aceitar a vulnerabilidade, os riscos (de não ser correspondido, de perder, de sofrer, de magoar e se magoar...), exige esforço, entrega e doação. O verdadeiro amor não espera nada em troca, não impõe limites nem condições. (E isso é bíblico. Vide a carta de Paulo aos Coríntios. Nesse vídeo no youtube, o velho Cid Moreira, com sua voz de apresentador do JN e dos truques do Mister M, narra o trecho que fala sobre o amor: &lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=edLTGEHQvy4"&gt;http://www.youtube.com/watch?v=edLTGEHQvy4&lt;/a&gt; ) É muito difícil aceitarmos isso, pois buscamos sempre o lugar de conforto, a segurança, a estabilidade, o controle, mas, no fundo, tudo isso é ilusão. &lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Essa condição de vulnerabilidade é da natureza da própria vida, só temos controle sobre as nossas escolhas e sobre a forma como reagimos às circunstâncias - é o tal princípio do livre-arbítrio -, todo o resto independe da nossa vontade. Sendo assim, o melhor meio (talvez o único) de promover a mudança em nossas vidas, nos outros, no ambiente que nos rodeia, é através da autotransformação. &lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Uma idéia tem sido bastante recorrente nas coisas que eu tenho lido, ouvido: a de que só existem duas grandes forças, a do amor (que é ilimitada e transformadora) e a do medo (que é restritiva e paralisante). E é preciso estar o tempo todo atento sobre como cada uma delas está presente em nossas vidas e pauta nossos comportamentos, escolhas e decisões. &lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Vamos sempre oscilar de um pólo para o outro, mas, se não estivermos atentos a esse movimento que acontece o tempo todo, corremos o risco de ficarmos paralisados pela energia do medo. Isso vale pra você, pra mim, pra todo mundo. &lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Também precisamos nos defrontar com os nossos fantasmas, para afugentá-los, em vez de nos comportarmos como se eles não existissem. &lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Tudo o que acabei de dizer pode soar como conselho, mas também, e sobretudo, é auto-reflexão. Espero que faça sentido para você e que tais idéias tenham ressonância a ponto de gerar novos relatos, novos desabafos, conversas e reflexões, e venham a surgir novamente e de novas formas em outras mentes.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9082002872150641558-2957434584367643205?l=cristianaserra.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cristianaserra.blogspot.com/feeds/2957434584367643205/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9082002872150641558&amp;postID=2957434584367643205' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9082002872150641558/posts/default/2957434584367643205'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9082002872150641558/posts/default/2957434584367643205'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cristianaserra.blogspot.com/2010/09/autotransformacao-e-o-primeiro-passo.html' title='A autotransformação é o primeiro passo para a mudança externa'/><author><name>Cris</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05164885794284654292</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9082002872150641558.post-2084133075697589250</id><published>2008-07-09T22:04:00.097-03:00</published><updated>2008-07-12T14:18:42.903-03:00</updated><title type='text'>"50 dias em 5": histórias do Planalto Central</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;O bordão "50 anos em 5" foi o mote da campanha que levou Juscelino Kubitschek a assumir a Presidência da República, em 31 de janeiro de 1956. O conhecido slogan se tornou o lema da política desenvolvimentista que marcou o governo JK e do chamado Plano de Metas, cuja meta-síntese era a construção da nova capital federal.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Se eu tivesse de criar um Plano de Metas como parte da minha estratégia de desenvolvimento pessoal, certamente, viajar, conhecer pessoas e fazer novas amizades estariam entre os objetivos permanentes a serem cumpridos ao longo dos próximos 50 anos. Também poderia tomar de empréstimo o slogan de Juscelino para definir, na devida proporção, a viagem que fiz a Brasília, no dia do meu aniversário. Pela quantidade de experiências que vivi, pela diversidade de histórias que ouvi e pela qualidade das pessoas que conheci, posso, sem dúvida, afirmar que foram "50 dias em 5" de pura diversão.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Pela mobilização de energia em agitos (leia-se "reggaes", no baianês, e "baladas", no candanguês), dá para dizer que foi o equivalente a um carnaval fora de época, afinal, saí, de sexta à noite à madrugada de terça, quase sempre voltando para casa (leia-se apartamento de Naiana ou de André, amigo de longa data e hospedeiro de Lena) na alvorada, para usar uma palavra&lt;a href="http://bp1.blogger.com/_sM0y2eg_hLY/SHVxpTxdRaI/AAAAAAAAAQA/_KqTO09kTaE/s1600-h/DSC02187.JPG"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5221204297502246306" style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; CURSOR: hand" alt="" src="http://bp1.blogger.com/_sM0y2eg_hLY/SHVxpTxdRaI/AAAAAAAAAQA/_KqTO09kTaE/s320/DSC02187.JPG" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; bastante utilizada por JK.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;***&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://bp3.blogger.com/_sM0y2eg_hLY/SHV1RADsSiI/AAAAAAAAAQQ/pDrYW2dYmsg/s1600-h/Alvorada.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5221208277939669538" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://bp3.blogger.com/_sM0y2eg_hLY/SHV1RADsSiI/AAAAAAAAAQQ/pDrYW2dYmsg/s320/Alvorada.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; O seguinte texto ocupa a parede dourada do hall de entrada do Palácio da Alvorada:&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Deste Planalto Central, desta solidão que em breve se transformará em cérebro das mais altas decisões nacionais, lanço os olhos mais uma vez sobre o amanhã do meu país e antevejo esta alvorada, com fé inquebrantável e uma confiança sem limites no seu grande destino”.&lt;/em&gt; Juscelino Kubitschek, 02/10/56&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;div align="center"&gt;***&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Com uma fé inquebrantável de que me divertiria muito, meu cérebro tomou a mais alta decisão de comemorar meus 32 anos, no planalto central, junto com duas grandes &lt;a href="http://bp3.blogger.com/_sM0y2eg_hLY/SHbXpa0O8wI/AAAAAAAAARQ/20GJ7QS37P0/s1600-h/04+de+julho+2008+093.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5221597924555682562" style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; CURSOR: hand" alt="" src="http://bp3.blogger.com/_sM0y2eg_hLY/SHbXpa0O8wI/AAAAAAAAARQ/20GJ7QS37P0/s320/04+de+julho+2008+093.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;amigas e outros amigos que hoje residem na capital federal, e mais alguns que ainda iria conhecer. Lena iria a Brasília fazer um concurso público, no dia 06 de julho, e Naiana, que foi minha colega de sala no Colégio São Paulo, mora lá há 7 anos e, assim como eu, faz aniversário no dia 4 de julho (também nasceu no mesmo ano, e celebramos juntas os nossos 30 anos, numa comemoração inesquecível, durante a Copa do Mundo, na Alemanha).&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;A bem da verdade e para ser mais fiel à realidade, Lena e Naiana, tendo em vista os fatos mencionados, meses antes, resolveram, ao se encontrarem numa pizzaria na primeira capital do Brasil, que esse seria o meu destino; eu apenas ratifiquei a decisão.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Mais uma vez, em grande estilo, comemorei meu aniversário com Naiana, sob a promessa de que isso tornar-se-á (curtiram a mesóclise?), a partir de agora, uma tradição e também pude conhecer, desta vez com mais calma, as obras de Niemmeyer, estas patrimônio da humanidade. Mas o que acho mais bacana de fazer uma viagem quando se conhece gente que mora no lugar é a possibilidade de se sentir "local", como diz minha amiga Lena. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://bp3.blogger.com/_sM0y2eg_hLY/SHbXpr0FImI/AAAAAAAAARY/4i9bc_mUO8k/s1600-h/DSC02175.jpg"&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Além dos programas turísticos obrigatórios, fiz uma série de coisas que, normalmente, só um candango ou alguém que mora em Brasília há mais tempo faria: não paguei o suco e o crepe que comi no dia do meu aniversário, na creperia mais badalada de Brasília (isso porque Naiana sabia desta promoção exclusiva para os aniversariantes); malhei com Lena (fizemos um percurso de 6km), no Parque da Cidade; fui para uma festinha fechada (chamada "Mistura Fina" e promovida pelo DJ Chico) que só acontece quatro vezes ao ano, com Jaime e seus amigos, os quais, gentilmente, colocaram nossos nomes na lista; no &lt;a href="http://bp3.blogger.com/_sM0y2eg_hLY/SHbXpr0FImI/AAAAAAAAARY/4i9bc_mUO8k/s1600-h/DSC02175.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5221597929118442082" style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; CURSOR: hand" alt="" src="http://bp3.blogger.com/_sM0y2eg_hLY/SHbXpr0FImI/AAAAAAAAARY/4i9bc_mUO8k/s320/DSC02175.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;dia seguinte à festa, fui com Naiana e um dos novos amigos para um churrasco, numa casa de madeira, em construção, no alto de um morro, num condomínio que fica a uma hora do centro de Brasília, e de onde se pode apreciar uma paisagem belíssima do cerrado; e, em plena segunda-feira, enfretamos uma fila, por quase duas horas, para conseguir entrar no Calaf, bar que bomba em Brasília, especialmente nesse dia, para comemorar com a galera o aniversário daquele novo amigo que nos levou para o churrasco.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Fora todos esses programas, entre as várias experiências vividas na capital federal, não poderia deixar de falar sobre os personagens muito interessantes que conheci. Aliás, a meta-síntese desse texto é justamente fazer uma breve apresentação de cada um deles, ressaltando seus traços de personalidade e idiossincrasias, assim como, contar algumas histórias das quais foram protagonistas.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Breu e The Strongest&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Na saída do Boca Negra, onde comemoramos o nosso aniversário (meu e de Naiana), encontramos a dupla &lt;em&gt;Breu&lt;/em&gt; e &lt;em&gt;The Strongest&lt;/em&gt;. Eu estava com uma de minhas amigas na porta, aguardando a outra pagar a conta, para que pudéssemos providenciar um taxi para voltar para casa, pois, em função da Lei Seca, não tínhamos ido para lá de carro. Quando fico bêbada, um dos sintomas, fora o de abrir um sorriso constante mostrando todos os dentes, é ficar repetindo várias vezes a mesma coisa, como o papagaio da EBEC (escola de inglês que tem a ave como símbolo e a repetição como metodologia pedagógica). E eu dizia "Minha conta deu R$ 93,00". A&lt;em&gt;gain&lt;/em&gt;: "Quanto foi mesmo a entrada? 10 R$? Porque eu paguei R$93,00". &lt;em&gt;Once more&lt;/em&gt;: "Devo ter tomado no máximo 3 ou 4 Margaritas, sempre acompanhadas de água. Será que foi isso mesmo? R$ 93? Estou achando muito". &lt;em&gt;Once again&lt;/em&gt;: "Lena, a sua deu quanto? A minha deu R$ 93,00. Quebrança". Ou seja, todas as pessoas que estavam na frente do bar &lt;a href="http://bp1.blogger.com/_sM0y2eg_hLY/SHY81HvF_tI/AAAAAAAAAQ4/XhkiOg0YCho/s1600-h/EBEC.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5221427701289975506" style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; CURSOR: hand" alt="" src="http://bp1.blogger.com/_sM0y2eg_hLY/SHY81HvF_tI/AAAAAAAAAQ4/XhkiOg0YCho/s320/EBEC.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;sabiam o valor da minha conta no Boca Negra.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Como bêbado faz o que dá na telha, nesse intervalo de tempo, tirei as sandálias, pois meus pés estavam doendo. Foi aí que &lt;em&gt;The Strongest&lt;/em&gt; se aproximou e puxou conversa, meio que se engraçando para o lado da amiga que estava comigo. Quando vi a camisa dele, comecei a perturbação. Pressionava o indicador, contra o peito dele, em cima de cada letra, lendo o que estava escrito como se fosse criança recém-alfabetizada: "The-S-troon-g-est. Opaí ó, se achando o fortão". Obviamente, como o papagaio tinha se apossado do meu espírito, fiz isso algumas vezes; não sei como não apanhei. O rapaz não era propriamente O Fortão, mas acabaria em dois tempos com a minha raça. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Mas o bichinho era bonzinho e estava todo meiguice com minha amiga. Tanto é que nos ofereceu carona, quando nossa outra amiga chegou. Não tenho certeza se &lt;em&gt;Breu&lt;/em&gt; já estava conosco durante esse tempo todo; só tenho a lembrança da pessoa e do apelido dele, quando já estávamos todos no carro. As meninas, que estavam um pouco melhores do que eu, acharam que os rapazes eram confiáveis e aceitaram (pode ser até que elas mesmas tenham pedido; disso não tenho certeza também) a carona. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;A uma certa altura, &lt;em&gt;Breu&lt;/em&gt; nos informou que teria de acordar cedo, para levar a filha ao zoológico, e foi aí que eu encarnei no coitado, com a história dos macacos e leões: "Breu... É Breu mesmo seu apelido, né? Por que, hein? Quer dizer, não precisa dizer, porque isso não vem ao caso. O caso é o seguinte. Se você for ao zoológico com sua filha, não leve a menina para ver os leões. Os leões são bichos muito arrogantes, se acham os reis. Você tem de levar sua filha para brincar com os macacos que são animais mais evoluídos, mais próximos do homem. Os macacos são divertidos, têm senso de humor. Leve a menina para brincar com eles". &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Fiquei repetindo essa ladainha, com a voz embolada e acentuando os plurais, pronunciando todos os "s", com som de "x", "oxxxx macacoxxxxx e oxxxx leõexxxxx", até apagar completamente, usando uma sacola vermelha onde estavam os presentes de Naiana, como travesseiro. Só acordei (para ser mais exata, fui acordada, após algumas tentativas sem sucesso) na porta do prédio de Naiana. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Estava tão desnorteada que nem conseguia calçar minhas lindas sandálias vermelhas. Me senti a Cinderela, quando &lt;em&gt;The Strongest&lt;/em&gt;, que, a partir desse momento, eu deveria passar a chamar de &lt;em&gt;The Kindest&lt;/em&gt;, se ajoelhou e colocou as sandálias nos meus pés. Fez questão de me levar até o elevador e ainda perguntou se queríamos que ele subisse para nos deixar na porta do apartamento. Agradeci, disse que ele era um amor de pessoa, mas que não havia necessidade, porque eu já estava bem. Ele só foi embora, porque Naiana estava comigo e em melhores condições do que eu, e disse a ele que não precisava se preocupar.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Quem ficou preocupada, no dia seguinte, foi Lena, que tinha ficado antes, no apartamento de André, onde estava hospedada. Eu e Naiana dormimos até 15h e não ouvimos as ligações dela. Lena ficou tão agoniada que ligou para &lt;em&gt;The Strongest,&lt;/em&gt; para se certificar de que ele nos tinha deixado em casa conforme havia combinado. O rapaz, tão solícito e atencioso, a tranqüilizou, relatando minuciosamente toda história, desde o momento que me calçou, até o fim do percurso ao elevador.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Pegador, erroneamente conhecido como Tadinho de Minas&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Pegador&lt;/em&gt; é mineiro de nascença e o único dos personagens que já era meu conhecido, pois morou um tempo em Salvador, antes de ir para Brasília. No caso dele especificamente, posso afirmar, com toda convicção, que a primeira impressão não foi a que ficou. Nas vezes em que estive com ele, em Salvador, devo confessar que o achei &lt;em&gt;metido a Toddy&lt;/em&gt; (gíria bizarra e anacrônica usada por meu pai e minhas tias), para não dizer boçal, que é uma palavra muito forte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não sei se foi a mudança de ares ou o fato de que as aparências realmente enganam; o certo é que, em Brasília, pude constatar o quanto ele é (ou se tornou, quem sabe) um cara agradável, sociável, admirável, adorável e mais não sei quantos adjetivos com sufixo "ável", além de gente boa, finíssima, da melhor estirpe, e digo isso sem receio de ser criticada pela repetição e redundância.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De &lt;em&gt;Tadinho &lt;/em&gt;("Tadim", como se fala em Minas), &lt;em&gt;Pegador&lt;/em&gt; não tem nada: é inteligente, tem um bom emprego e está saindo com cinco mulheres ao mesmo tempo. Não foi para o nosso aniversário, pois estava numa missão importante (leia-se foi "dar uma") com uma delas, que, segundo ele, é gata, muito gata.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Engenheiro ótico&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Gatinho mesmo era o engenheiro ótico que &lt;em&gt;Pegador&lt;/em&gt; nos apresentou. Até então, nunca tinha ouvido falar dessa especialização, cujas principais atividades ele paciente e didaticamente nos explicou, após eu ter perguntado o que faz, na prática (meio na linha das informações que vêm no "Guia do Estudante"), um profissional dessa área. O rapaz morou nos &lt;em&gt;States&lt;/em&gt; e deve ter sido lá que aprendeu a profissão por mim desconhecida. Simpatizei mais ainda com &lt;em&gt;Engenheiro Ótico&lt;/em&gt;, quando começou a falar de uma peça adaptada do livro "Conversando com anjos", cujos diálogos fizeram com que ele passasse a acreditar em Deus. Falar de teatro e literatura, a meu ver, é um elemento sedutor num homem (ainda mais sendo engenheiro).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fora isso, o mocinho, diferentemente dos amigos, fazia o tipo reservado, o que também contribuía para aumentar sua cotação no mercado. Pena que ele não me deu mole e preferiu se render aos encantos da &lt;em&gt;Gêmea Má&lt;/em&gt; (como Raquel e Taís), assim apelidada, somente pelo fato de que eu, na condição de autora da história das irmãs gêmeas, não poderia atribuir a mim outro papel que não fosse o da &lt;em&gt;Gêmea Boa&lt;/em&gt; (como Ruth e Paula).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por sinal, a &lt;em&gt;Gêmea Má&lt;/em&gt; teve uma atitude eticamente irrepreensível e, por mais que o desejasse, só cedeu às investidas do &lt;em&gt;Engenheiro Ótico,&lt;/em&gt; depois que eu dei sinal de que o caminho estava liberado. Apesar do meu interesse inicial, uma vez que ela era "A Favorita", como o título da atual novela da Globo, seria muito justo que ficasse com aquele que havia conquistado, ainda mais depois de ter demonstrado ser uma amiga tão fiel.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Joca, o peguete da Smurfete&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;&lt;div align="justify"&gt;Estou na dúvida quanto ao codinome que darei ao personagem que ficou com a que foi apelidada pelos amigos dele de &lt;em&gt;Smurfete&lt;/em&gt;. Na vila dos &lt;em&gt;Smurfs,&lt;/em&gt; aquele que sonhava com a &lt;em&gt;Smurfete&lt;/em&gt; e fazia declarações de amor para ela se chamava &lt;em&gt;Smurf Apaixonado&lt;/em&gt;. Mas acho que o perfil do cidadão cuja história irei narrar se aproxima mais do &lt;em&gt;smurf&lt;/em&gt; que, em português, recebeu o nome de &lt;em&gt;Joca&lt;/em&gt; (no original, ele é chamado de &lt;em&gt;Jokey&lt;/em&gt;). Para quem não se lembra, &lt;em&gt;Joca&lt;/em&gt; era o &lt;em&gt;smurf&lt;/em&gt; que zoava com todo mundo e tinha como brincadeira preferida oferecer presentes que explodiam na cara. Em função desse hábito, &lt;em&gt;Joca&lt;/em&gt; levava bronca dos outros s&lt;em&gt;murfs&lt;/em&gt; e suas brincadeiras acabavam virando contra ele.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://bp3.blogger.com/_sM0y2eg_hLY/SHY52-X4faI/AAAAAAAAAQg/FT7svZ_enY8/s1600-h/pers_jpg.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5221424434601557410" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://bp3.blogger.com/_sM0y2eg_hLY/SHY52-X4faI/AAAAAAAAAQg/FT7svZ_enY8/s200/pers_jpg.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;a href="http://bp0.blogger.com/_sM0y2eg_hLY/SHY6WEN0YFI/AAAAAAAAAQw/1xanSRirjB8/s1600-h/pers3_jpg.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5221424968745902162" style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; CURSOR: hand" alt="" src="http://bp0.blogger.com/_sM0y2eg_hLY/SHY6WEN0YFI/AAAAAAAAAQw/1xanSRirjB8/s200/pers3_jpg.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5221424782769086226" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://bp3.blogger.com/_sM0y2eg_hLY/SHY6LPZfXxI/AAAAAAAAAQo/gJqnSgztMVw/s200/pers2_jpg.jpg" border="0" /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Dilema resolvido: o personagem de que tratarei agora terá o codinome de &lt;em&gt;Joca,&lt;/em&gt; pelo fato de ele ser meio maluquinho e de ter sido alvo de chacota dos amigos após ter ficado com a &lt;em&gt;Smurfete&lt;/em&gt;. A menina que ele pegou, para usar um verbo próprio do vocabulário deles, foi chamada de &lt;em&gt;Smurfete&lt;/em&gt; apenas pelo fato de ser loura e baixinha. Diferentemente da &lt;em&gt;garota-smurf&lt;/em&gt;, esta não despertou a cobiça dos outros machos. Muito pelo contrário, um deles, o&lt;em&gt; Baiano que estudou no Colégio São Paulo&lt;/em&gt; (achei que ele tinha uma cara conhecida, mas não me lembrava dele, muito provavelmente, por ele ser dois anos mais novo do que eu), no instante em que a viu, comentou com o amigo que estava do lado: "Que marmota é essa?". E assim descreveu a &lt;em&gt;Smurfete&lt;/em&gt;: "Ela andava como um pinguim, passou tanto blush, que parecia que tinha um semáforo na cara. E detalhe, a feiosa se achava a gostosona e ainda era chata. Diante de tanta chatice e tiração de onda, não perdoei e, para reduzi-la à sua insignificância, disse para ela, mais de uma vez: Você não se parece com nada".&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;em&gt;Colecionador,&lt;/em&gt; que logo mais será devidamente apresentado, se pronunciou em defesa do amigo, mas, claramente, em tom de esculhambação: "O cara tem de ser muito macho, muito macho mesmo, para pegar uma mulher como aquela &lt;em&gt;Smurfete&lt;/em&gt;. Não era pó o que ela usava no rosto; sobre a pele havia uma camada branca tão espessa que parecia massa de rebocar parede. Você precisava ver o brinco de oncinha que ela esqueceu no apartamento de &lt;em&gt;Joca&lt;/em&gt;. Uma coisa horrível."&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Nisso, &lt;em&gt;Colecionador&lt;/em&gt; tinha toda razão. Depois da festa "Mistura Fina", fomos ao apartamento de &lt;em&gt;Joca&lt;/em&gt; comer uma pizza, e eu pude ver com meus próprios olhos o brinco da &lt;em&gt;Smurfete&lt;/em&gt;. A parte que se encaixava na orelha tinha uma forma redonda, mas sem ser esférica, era uma superfície plana, revestida de um tecido horrendo, com estampa de onça. Uma tira vertical de strass, sobre o tecido, fazia as vezes de raio do círculo. Desta primeira bola, digamos assim, para facilitar a descrição, pendia um fio, de, mais ou menos, 6 cm, que a prendia a uma outra bola, idêntica, só que 3 vezes maior. Juro que me esmerei na descrição daquela coisa exótica que demos o nome de brinco e aproveito o ensejo para fazer alguns pedidos:&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;1) &lt;em&gt;Engenheiro ótico&lt;/em&gt;, por favor, me corrija se usei algum termo inadequadamente. Eu até me virava bem em matemática, mas entender de geometria não faz parte das minhas melhores habilidades;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;2) &lt;em&gt;Joca,&lt;/em&gt; se o brinco ainda estiver na sua casa, por favor, tire uma foto e mande para mim, para que eu possa publicá-la aqui no blog, de modo a conferir mais realismo a este relato;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;3) Se algum desenhista conseguir, a partir desse retrato-falado que fiz do brinco da &lt;em&gt;Smurfete&lt;/em&gt;, esboçar uma imagem do referido objeto, faça a gentileza de enviá-la para mim. Se esta for fiel à imagem que guardo na memória, também me comprometo a publicá-la, para que sirva de ilustração.&lt;/p&gt;&lt;div align="justify"&gt;Como jornalista, pedi a &lt;em&gt;Joca&lt;/em&gt; que apresentasse a sua versão em relação aos fatos narrados por seus amigos, mas ele preferiu não se pronunciar, tampouco negou as informações. Somente fez questão de deixar claro que &lt;em&gt;Smurfete&lt;/em&gt; apenas dormiu no seu apartamento, no puff, enquanto ele foi deitar em outro cômodo na companhia do &lt;em&gt;Colecionador&lt;/em&gt;, e, fora os amassos que ocorreram no mesmo puff que serviu de cama para a menina, não rolou uma intimidade maior entre eles. Ou seja, num português claro e chulo, segundo &lt;em&gt;Joca&lt;/em&gt;, ele não comeu a &lt;em&gt;Smurfete&lt;/em&gt;.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;Colecionador&lt;/em&gt; confirmou o fato de que dormiu no mesmo quarto de &lt;em&gt;Joca&lt;/em&gt; e apresentou outros detalhes: "Realmente, eu testemunhei a cena no puff", disse ele fazendo o gesto de embaralhar as mãos, entrelaçando os dedos. "Mas, mais tarde, &lt;em&gt;Joca&lt;/em&gt; foi dormir no quarto dele, onde eu estava, e a &lt;em&gt;Smurfete &lt;/em&gt;ficou lá, no quarto da televisão, roncando, deitada no puff. Eu dormi na cama, e ele, por sua vez, armou a rede, num nível acima, sobre mim. A família de &lt;em&gt;Joca&lt;/em&gt; é do Nordeste, e, na casa dele, há esse costume de dormir em rede. Para falar a verdade, nem dormi. Fiquei deitado no nível de baixo, só escutando e sentindo o bombardeio que vinha lá da rede", nos relatou &lt;em&gt;Colecionador,&lt;/em&gt; com seu jeito engraçado de contar histórias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Colecionador de Calcinhas&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Acredito na veracidade do que foi narrado por &lt;em&gt;Colecionador&lt;/em&gt;, até porque a sinceridade é um traço marcante nele. Só não entendi direito onde dormiu a outra menina, que era amiga de &lt;em&gt;Smurfete&lt;/em&gt; e tinha ficado com ele. Aliás, a relação entre ele e essa garota é um tanto ambígua e contraditória. Explico:&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;1) Ele ficou com a dita cuja antes de chegar no Boca Negra, no dia do nosso aniversário. &lt;em&gt;Pegador &lt;/em&gt;já havia avisado a ele que &lt;em&gt;Linda River&lt;/em&gt;, por quem &lt;em&gt;Colecionador&lt;/em&gt; nutria uma paixão platônica, que dias depois tornou-se concreta, também estaria lá. Mesmo com a ficante a tiracolo, perguntou para várias garotas que estavam no bar: "Você é &lt;em&gt;Linda River&lt;/em&gt;?". Quando, finalmente, encontrou a famosa &lt;em&gt;Linda River, &lt;/em&gt;perdeu completamente qualquer noção de conveniência. Explicou a situação à sua musa e chegou a propor que fossem conversar em outro lugar, longe da vista da amiga da &lt;em&gt;Smurfete&lt;/em&gt;. &lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;br /&gt;***&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Por falar em&lt;em&gt; Smurfete&lt;/em&gt;, esta também se encontrava no Boca Negra (pelo visto, quase toda a população de Brasília estava lá) e, antes de ficar com &lt;em&gt;Joca&lt;/em&gt; naquela mesma noite, já tinha trocado beijinhos e abraços com outro amigo de &lt;em&gt;Pegador&lt;/em&gt;, conhecido como &lt;em&gt;Paraíso&lt;/em&gt;. Depois dizem que Salvador é um ovo; em Brasília, o cenário não parece ser muito diferente. Como &lt;em&gt;Paraíso&lt;/em&gt; foi embora mais cedo, a fila de &lt;em&gt;Smurfete&lt;/em&gt; andou. E olhe que ele até tinha dado valor à feiosa (uso aqui esse adjetivo com base nas várias informações que obtive a respeito dela).&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;***&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;2) Naquela noite, alguém tinha derrubado o teto do Boca Negra, e uma garota havia sido atingida na cabeça. Soube até que &lt;em&gt;Linda River&lt;/em&gt;, generosa que é, socorreu a vítima, colocando gelo no lugar do machucado. No dia seguinte, &lt;em&gt;Pegador&lt;/em&gt; nos disse que foi &lt;em&gt;Colecionador&lt;/em&gt; quem provocou o acidente. Quando eu soube que a menina sobre a qual o teto havia caído era a amiga de &lt;em&gt;Smurfete&lt;/em&gt;, perguntei a &lt;em&gt;Colecionador&lt;/em&gt; por que ele não cuidou da sua acompanhante. E ele respondeu: "Quatro seguranças partiram para cima de mim, eu ia, por acaso, prestar atenção no que tinha acontecido com a mulher. Ah, quer saber, foda-se".&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;3) Apesar da atitude negligente (observem que usei um adjetivo bem &lt;em&gt;light, &lt;/em&gt;para qualificar um comportamento inadmissível) para com a tal menina, quando falava sobre ela, &lt;em&gt;Colecionador&lt;/em&gt; parecia até o &lt;em&gt;Smurf Apaixonado&lt;/em&gt;. "Olhe, vou lhe dizer, ela era uma coisinha muito linda. Linda, linda, linda. &lt;em&gt;Smurfete&lt;/em&gt; era horrorosa, mas a amiga dela... Era gata, muito gata". Interrompendo a série de suspiros e elogios, o irmão de &lt;em&gt;Joca&lt;/em&gt;, que, assim como eu, estava ouvindo toda a história, perguntou: "Me diga uma coisa, essa é a mesma que você estava chamando de puta e acusando de ter roubado seu relógio e o dinheiro da sua carteira hoje de manhã?". &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Como &lt;em&gt;Colecionador&lt;/em&gt; é um cara super sincero, assumiu o erro, na frente de todos os presentes: "Chamei de puta, chamei de vagabunda, porque pensei que ela tinha roubado meu relógio, mas depois o achei em outro lugar. E o dinheiro da carteira ela pegou mesmo, mas foi para pagar a conta, já que os seguranças não largavam do meu pé, dizendo que eu tinha de dar quinhentos contos para cobrir o prejuízo do acidente com o teto. Sei lá como aquela porra caiu, eu devo ter me apoiado, sei lá. Só sei que, nessa confusão, além da minha conta, a menina deve ter pago a dela e a de &lt;em&gt;Smurfete&lt;/em&gt;. Linda ela era, só não chegava aos pés de &lt;em&gt;Linda River&lt;/em&gt;, é claro".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Encerrado o assunto "&lt;em&gt;Smurfete&lt;/em&gt; e sua amiga", &lt;em&gt;Colecionador&lt;/em&gt; passou a falar sobre como conheceu &lt;em&gt;Joca&lt;/em&gt;. Antes, para efeito de esclarecimento e contextualização, cabe dizer que todas essas histórias foram narradas na mesa do bar do Mormai, que fica no Pontão, um centro de lazer, com lojas, bares e restaurantes, situado às margens do Lago Paranoá. Na ocasião, estavam presentes: &lt;em&gt;Colecionador&lt;/em&gt;; &lt;em&gt;Joca&lt;/em&gt; e seu irmão (o já mencionado &lt;em&gt;Engenheiro Ótico&lt;/em&gt;); &lt;em&gt;Pegador&lt;/em&gt;; &lt;em&gt;Baiano do Colégio São Paulo&lt;/em&gt;; &lt;em&gt;Defensor de Joca&lt;/em&gt; (amigo deles que só se pronunciava para defender &lt;em&gt;Joca&lt;/em&gt;); e as meninas baianas (eu, Lena e Naiana).&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;Voltemos ao relato sobre o ínicio da amizade entre &lt;em&gt;Joca&lt;/em&gt; e &lt;em&gt;Colecionador&lt;/em&gt;, na versão deste último:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;"Quando eu conheci &lt;em&gt;Joca,&lt;/em&gt; ele não tinha amigos. Tanto é que ele morava em outra quadra e só vivia na minha, pois não se relacionava com o pessoal da dele. Sem brincadeira, o telefone dele nem tocava. Simplesmente, ninguém ligava para ele. Foi aí que ele percebeu o potencial da minha amizade e passou a freqüentar a minha casa, inclusive quando eu não estava. Tocava a campainha, a mamãe abria porque era meu amigo, e ele ficava lá, tomava banho de piscina, almoçava e, quando eu chegava em casa, batia com ele, no meu quarto, vestido com minhas roupas e, ainda por cima, sem ter tomado banho".&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Perguntei a &lt;em&gt;Joca&lt;/em&gt; se isso era verdade, e ele, que é aparentemente um rapaz de poucas palavras (e, pelo visto, de muita ação, pelo menos, com a mulheres), se limitou a responder:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"É porque eu pegava &lt;em&gt;Lailiane&lt;/em&gt;, a irmã dele".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Diante dessa afirmação, &lt;em&gt;Colecionador&lt;/em&gt; protestou:&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;"Mentira dele. &lt;em&gt;Lailaninha&lt;/em&gt; é uma deusa junto desse traste. Onde já se viu uma mulher linda como &lt;em&gt;Lailaninha&lt;/em&gt;... ela é uma princesa, não ia olhar para um cara que nem banho toma, quase um mendigo, ao lado dela".&lt;/p&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;p align="justify"&gt;"A gente namorou, ele é que nunca soube que eu dava uns amassos na irmã dele", disse &lt;em&gt;Joca&lt;/em&gt;. &lt;/p&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;p align="justify"&gt;"Que você tentou agarrar &lt;em&gt;Lailaninha&lt;/em&gt; isso eu sei. Eu estava tomando banho, e ela ficou me gritando, dizendo que você entrou no quarto dela e queria agarrá-la à força. Ela fugiu para o quarto da mamãe, achando que lá você não entraria, por respeito à mamãe. Não é que o safado entrou. Cheguei lá, estava &lt;em&gt;Lailaninha&lt;/em&gt; num canto, encurralada, bem no vértice, e esse sujeito lá enchendo a paciência da minha irmã, no quarto da mamãe, pode?", falou o &lt;em&gt;Colecionador&lt;/em&gt;, antes de começar, na seqüência, a exaltar a nobreza e a beleza da irmã querida.&lt;/p&gt;"Dos cremes da Lancôme você não fala", disse &lt;em&gt;Joca&lt;/em&gt;, na tentativa de desviar o foco para um novo assunto polêmico.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas &lt;em&gt;Colecionador &lt;/em&gt;nem se abalou: "Fale, pode falar que não tem problema".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;"A gente tinha ido acampar na Chapada, eu, &lt;em&gt;Colecionador&lt;/em&gt; e &lt;em&gt;Piauí&lt;/em&gt;, um amigo nosso. Durante o dia, saímos para andar, tomar banho de cachoeira, etc. Quando voltamos, tinham nove ligações de &lt;em&gt;Lailiane&lt;/em&gt; no celular de &lt;em&gt;Colecionador&lt;/em&gt;, cinco, no meu, e mais três, no de &lt;em&gt;Piauí&lt;/em&gt;. Ficamos preocupados, achando que havia acontecido alguma coisa, e, pelo número de ligações, devia ser algo grave. &lt;a href="http://bp1.blogger.com/_sM0y2eg_hLY/SHbYUjH_S5I/AAAAAAAAARg/qA32YV6BFbk/s1600-h/lancome-hydra-zen-fluido-hidratante4240.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5221598665520401298" style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; CURSOR: hand" alt="" src="http://bp1.blogger.com/_sM0y2eg_hLY/SHbYUjH_S5I/AAAAAAAAARg/qA32YV6BFbk/s200/lancome-hydra-zen-fluido-hidratante4240.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Quando ele ligou de volta para a irmã e perguntou por que ela tinha ligado tantas vezes, ela gritou do outro lado: "Você levou todos os meus cremes da Lancôme!".&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;"Cremesss... Foi um só, e isso eu não nego. Eu uso hidratante facial. Na Chapada, a gente toma sol o dia inteiro, não custa passar um creme, eu disse um creme apenas, na cara, para ela não ficar ressecada. Eu me cuido, não sou um maltrapilho como você", rebateu &lt;em&gt;Colecionador&lt;/em&gt;, apresentando a sua versão dos fatos.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Depois, ameaçou: "Eu vou ligar para &lt;em&gt;Lailaninha&lt;/em&gt;, para ela contar direito o que aconteceu no dia que você quis atacá-la. As meninas baianas aqui vão conhecer quem você é. E ela [ele se referia a mim] vai escrever no blog".&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;Joca&lt;/em&gt; não se intimidou com a ameaça: "Pergunte a ela se a gente não namorou, se ela não já me beijou".&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Eu fui a primeira a botar pilha. &lt;em&gt;Colecionador&lt;/em&gt; pegou o celular, ligou para a irmã e ativou o viva voz, sob os olhares atentos e ouvidos a postos dos presentes na mesa. Chamou, chamou e caiu na caixa. A cada tentativa frustrada, &lt;em&gt;Colecionador&lt;/em&gt; dizia: "Ou ela está no banho ou está madeirando". Após a terceira tentativa, ele passou a não considerar a opção do banho: "Tá madeirando com aquele namorado dela, o &lt;em&gt;Lombardi&lt;/em&gt;".&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Ele nem se lembrava como era o nome do cunhado, o chamava de &lt;em&gt;Lombardi&lt;/em&gt;, pelo fato de que ele nunca vê o rapaz. "Eu sei que ele existe, mas ele não vai lá em casa", disse &lt;em&gt;Colecionador&lt;/em&gt;.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;Joca,&lt;/em&gt; então, teve a idéia de ligar para &lt;em&gt;Piauí, &lt;/em&gt;para confirmar a versão dele sobre a história dos cremes da Lancôme. &lt;em&gt;Piauí&lt;/em&gt; sustentou a mesma versão do episódio (todos nós ouvimos a conversa no viva voz), mas &lt;em&gt;Colecionador&lt;/em&gt; não se deu por vencido: "Eu nunca neguei. Só disse que foi UM creme, e não vários. Agora, quero ver o que &lt;em&gt;Lailaninha&lt;/em&gt; vai falar quando parar de madeirar".&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;A conversa com &lt;em&gt;Lailaninha&lt;/em&gt;, que também se tornou de domínio coletivo por meio do viva voz, não foi exatamente como &lt;em&gt;Colecionador&lt;/em&gt; esperava, pois ela se deu conta de que aquele papo fora de hora tinha algo de estranho: "Olha só a minha situação. Você quer saber o que aconteceu, naquele dia, no quarto da mamãe? Ah, ele ficou enchendo meu saco".&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Depois dessa última declaração da irmã, &lt;em&gt;Colecionador&lt;/em&gt; se despediu de &lt;em&gt;Lailiane&lt;/em&gt;, fechou os olhos e arqueou as sombrancelhas com um ar triunfante. Desta vez, quem não se convenceu foi &lt;em&gt;Joca&lt;/em&gt;, que fez questão de deixar uma interrogação pairando sobre a mesa: "Mas ele não perguntou a &lt;em&gt;Lailiane&lt;/em&gt; se ela namorou ou não comigo. Ela já me beijou, isso é fato".&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Não me lembro exatamente como a história veio à tona. Eu tenho a vaga impressão de que &lt;em&gt;Colecionador&lt;/em&gt; começou a falar da mãe, a partir do caso da irmã, e aí, conversa vai, conversa vem, mencionou que a mãe, uma vez, quis jogar fora a coleção de calcinhas, que ele guardava no armário dele.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Nem precisei pedir, a mesa imediatamente exigiu, quase em uníssono, que ele explicasse direito aquela história. Ele repetiu o que já tinha dito, com outras palavras, e eu tomei a frente da entrevista, que aqui reproduzo, em formato de pergunta e resposta. As perguntas (P) foram minhas ou dos demais presentes, e as respostas (R) foram de &lt;em&gt;Colecionador&lt;/em&gt;:&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;P: Quer dizer que você tem uma coleção de calcinhas, e sua mãe tem conhecimento disso.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;p align="justify"&gt;R: Sim. Ela quis jogar fora, mas eu não deixei. Ela estava arrumando meu armário e encontrou o saco.&lt;/p&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;p align="justify"&gt;P: As calcinhas ficam num saco?&lt;/p&gt;&lt;a href="http://bp2.blogger.com/_sM0y2eg_hLY/SHbmtu9QQ6I/AAAAAAAAARo/w_HfVp0-yMQ/s1600-h/img.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5221614491356119970" style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; CURSOR: hand" alt="" src="http://bp2.blogger.com/_sM0y2eg_hLY/SHbmtu9QQ6I/AAAAAAAAARo/w_HfVp0-yMQ/s200/img.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; R: Num saco de pano. E são todas usadas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;P: Usadas? As calcinhas da sua coleção nunca foram lavadas?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;R: Usada é uma coisa; suja é outra. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;p align="justify"&gt;P: Mas por que isso? Não fedem?&lt;/p&gt;&lt;div align="justify"&gt;R: Claro que não. De vez em quando, eu abro o saco e fico sentindo o cheirinho delas. São lindas. Cada uma tem o cheirinho da sua dona.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;P: Você rouba as calcinhas?&lt;a href="http://bp1.blogger.com/_sM0y2eg_hLY/SHbmt7vOtEI/AAAAAAAAARw/pwjkOsAw3uU/s1600-h/Victoria_s_Secret_f_122811a.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5221614494786958402" style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; CURSOR: hand" alt="" src="http://bp1.blogger.com/_sM0y2eg_hLY/SHbmt7vOtEI/AAAAAAAAARw/pwjkOsAw3uU/s200/Victoria_s_Secret_f_122811a.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;R: Não, as garotas me dão.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;P: São elas que oferecem, "Toma aqui, fique com a minha calcinha para você", é isso?&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;R: Quando não oferecem espontaneamente, eu peço, e elas acabam dando, para eu guardar de recordação. As calcinhas são lindas. Tem uma de filó que é uma coisinha. Sabe aquela marca Victoria Secret que as modelos usam nos desfiles? Na minha coleção, tem dessas.Todas usadas.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Cada doido com sua mania... E olhe que no dia seguinte a essa conversa no Pontão, escutei um outro rapaz, lá no churrasco na casa de madeira, dizendo que também tinha a sua própria coleção. Segundo ele, não possuía muitos exemplares, mas tinha esse hábito de colecionar calcinhas.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;É certo que não posso generalizar, mas tenho a obrigação de ressaltar que não é um dado comum que, em menos de 24h, eu tenha conhecido dois candangos que confessaram em público ser colecionadores de calcinhas.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Para encerrar esse longo relato sobre os dias que passei em Brasília e sobre essas figuras inusitadas que lá conheci, uma última informação, estilo furo de reportagem de revista de fofoca: na segunda-feira, na véspera da nossa viagem de volta a Salvador, &lt;em&gt;Colecionador &lt;/em&gt;conseguiu realizar o sonho de beijar &lt;em&gt;Linda River. &lt;/em&gt;A partir de então, em seu Plano de Metas, ele elegeu como meta-síntese: conquistar o coração e a calcinha da amada. E o fez sob a seguinte promessa: "Se tal meta for cumprida, eu queimarei toda a minha coleção de calcinhas".&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9082002872150641558-2084133075697589250?l=cristianaserra.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cristianaserra.blogspot.com/feeds/2084133075697589250/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9082002872150641558&amp;postID=2084133075697589250' title='10 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9082002872150641558/posts/default/2084133075697589250'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9082002872150641558/posts/default/2084133075697589250'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cristianaserra.blogspot.com/2008/07/50-dias-em-5-histrias-e-personagens-do.html' title='&quot;50 dias em 5&quot;: histórias do Planalto Central'/><author><name>Cris</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05164885794284654292</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp1.blogger.com/_sM0y2eg_hLY/SHVxpTxdRaI/AAAAAAAAAQA/_KqTO09kTaE/s72-c/DSC02187.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>10</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9082002872150641558.post-326531463924112860</id><published>2008-06-22T23:09:00.009-03:00</published><updated>2008-06-23T00:32:52.544-03:00</updated><title type='text'>"Acende a fogueira do meu coração"</title><content type='html'>&lt;div align="center"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5214893667259721586" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_sM0y2eg_hLY/SF8GKSJzJ3I/AAAAAAAAAP4/eH8agSNPgts/s400/Digitalizar0008+copy.jpg" border="0" /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-family:courier new;color:#33ccff;"&gt;&lt;strong&gt;"Olha pro céu, meu amor&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-family:courier new;color:#33ff33;"&gt;&lt;strong&gt;Vê como ele está lindo&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-family:courier new;color:#cc0000;"&gt;&lt;strong&gt;Olha praquele balão multicor&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-family:courier new;color:#ff6600;"&gt;&lt;strong&gt;Como no céu vai sumindo&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-family:courier new;color:#ffff00;"&gt;&lt;strong&gt;Foi numa noite, igual a esta&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-family:courier new;color:#cc66cc;"&gt;&lt;strong&gt;Que tu me deste o teu coração&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-family:courier new;color:#006600;"&gt;&lt;strong&gt;O céu estava, assim em festa&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-family:courier new;color:#cc6600;"&gt;&lt;strong&gt;Pois era noite de São João&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-family:courier new;color:#333333;"&gt;&lt;strong&gt;Havia balões no ar&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-family:courier new;color:#000099;"&gt;&lt;strong&gt;Xote, baião no salão&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-family:courier new;color:#ff6666;"&gt;&lt;strong&gt;E no terreiro&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-family:courier new;color:#ff0000;"&gt;&lt;strong&gt;O teu olhar, que incendiou&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-family:courier new;color:#33ccff;"&gt;&lt;strong&gt;Meu coração"&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/8JipxQHEL4A&amp;amp;hl=" width="425" height="344" type="application/x-shockwave-flash"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;A foto foi tirada, em Cachoeira, no São João de 1996. Sou fã de Luiz Gonzaga, e "Olha pro céu" é, para mim, a melhor música de São João de todos os tempos. No vídeo, estão reunidos os reis da sanfona, sob o comando do Rei do Baião. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Estrelas no céu, corações incendiados e muito forró, &lt;em&gt;for all.&lt;/em&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Viva São João, minha gente!&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9082002872150641558-326531463924112860?l=cristianaserra.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cristianaserra.blogspot.com/feeds/326531463924112860/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9082002872150641558&amp;postID=326531463924112860' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9082002872150641558/posts/default/326531463924112860'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9082002872150641558/posts/default/326531463924112860'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cristianaserra.blogspot.com/2008/06/acende-fogueira-do-meu-corao.html' title='&quot;Acende a fogueira do meu coração&quot;'/><author><name>Cris</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05164885794284654292</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_sM0y2eg_hLY/SF8GKSJzJ3I/AAAAAAAAAP4/eH8agSNPgts/s72-c/Digitalizar0008+copy.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9082002872150641558.post-140524736020584192</id><published>2008-06-20T13:19:00.041-03:00</published><updated>2008-06-21T13:12:52.866-03:00</updated><title type='text'>Recordações da Facom</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Ontem, assisti à entrevista de Wagner Moura, no Jô. Ele protagonizará "Hamlet" e foi ao programa divulgar a peça. Além de interpretar o Príncipe da Dinamarca, Wagner também é  produtor da montagem para o teatro. &lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5214061674117773698" style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; CURSOR: hand" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_sM0y2eg_hLY/SFwRd6LEuYI/AAAAAAAAAPY/K4ekWo5geks/s200/13_1958-wagner-jo01.jpg" border="0" /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Wagner estava acompanhado da esposa e fotógrafa Sandra Delgado, que, da platéia, filmava a entrevista e era obrigada a ficar na sua e engolir um possível ciúme (não da mesma proporção do que tinha Otelo, o mouro de Veneza) diante da mulherada aos gritos e assobios provocados pelo marido dela.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Wagner e Sandra foram meus contemporâneos no curso de Jornalismo da Faculdade de Comunicação da Ufba (Facom). Wagner foi meu colega de sala, entramos no mesmo ano, mas ele se formou um tempo depois, justamente por conta dos compromissos com o teatro. Na época de faculdade, muito antes da fama, fui, algumas vezes, compor a pequena platéia que assistia às peças dele, encenadas em salas igualmente pequenas, na Escola de Teatro da Ufba. Nunca imaginaria que ele fosse se tornar uma celebridade como o é hoje, mas era fácil perceber que era um ator promissor, com um enorme potencial. E fico extremamente feliz por Wagner ter tido a oportunidade de demonstrar seu talento, para o Brasil, e para o mundo, e ser motivo de orgulho não só para aqueles que fizeram parte da turma de 94.1 da Facom.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;***&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5214062851430766722" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_sM0y2eg_hLY/SFwSicAXWII/AAAAAAAAAPw/BHrXy42zHNI/s400/Olavo+e+Bebel.jpg" border="0" /&gt;&lt;br /&gt;(Nessa fotografia, tive meu instante de Bebel, ao lado daquele que interpretou Olavo, em Paraíso Tropical. Essa galera era muito gente boa. Além de Wagner, na foto, estão: Mateus e Leco, à frente; ao meu lado, da esquerda para direita, Daniela, uma prima de Ana Rosa ou de Livonny - não me lembro do nome dela nem de quem era prima -, Livonny, Antônio Jorge, Emanuel e Ana Rosa. Era uma festa brega. Acho que aconteceu no primeiro semestre de 1995) &lt;/p&gt;&lt;p&gt;*** &lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Sandra Delgado entrou um semestre depois da nossa turma, e lembro que, desde o início do curso, muito antes de namorar com Wagner, ela já era uma promessa na área de fotografia e uma das pupilas queridas do professor Mamede, que ministrava essa disciplina, no segundo semestre. &lt;/p&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Eu sempre gostei muito mais da área de texto e de pesquisa científica do que da parte de imagem, mas também tive um flerte com a fotografia, quando cursei, na mesma turma de Wagner, a disciplina de Mamede, que era optativa. Fiquei tão entusiasmada que comprava os químicos e o papel fotográfico, e passava as tardes no laboratório de fotografia, inclusive nas férias. A única coisa que não acertava fazer era colocar o filme na bobina, no breu total (nessa parte do processo, até a luz vermelha é apagada), pois não tinha habilidade manual e coordenação motora para isso. Achava incrível (parecia realmente efeito de mágica) ver a imagem se formando ao mergulhar o papel na bacia com ácido acético (esta etapa é chamada de banho interruptor. Em seguida vem o banho fixador, depois a lavagem em água corrente e, finalmente, o banho pré-secagem, com o &lt;em&gt;Photofloo&lt;/em&gt;). Por isso, quando surgiu a fotografia digital, resisti um pouco a adotá-la, justamente pela perda desse desvelamento da imagem que fazia parte do processo de revelação da fotografia analógica e uma certa redução (uma vez que não há mais a espera, pois a imagem pode ser vista imediatamente, após ser captada, e os detalhes podem ser examinados por meio do zoom) do que podemos chamar de "efeito Blow Up", parafraseando um texto de Arlindo Machado, que fazia parte da bibliografia básica da disciplina de introdução à fotografia.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;***&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Arlindo Machado, no livro "A ilusão especular", faz a seguinte referência ao filme de Antonioni: &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;"Levando a sério a anedota de &lt;em&gt;Blow up&lt;/em&gt;, o fotógrafo protagonista Thomas, num relance de sua trajetória frenética e vazia pela &lt;em&gt;swinging London&lt;/em&gt; dos anos 60, descobre por acaso entre as fotos de um par romântico a imagem de um cadáver misteriosamente inserido no cenário idílico e revelado pelas ampliações fotográficas. O filme de Michelangelo Antonioni, em linhas gerais, é o relato dessa descoberta espantosa, como se uma realidade insuspeitada pelos olhos negligentes do protagonista fosse de repente resgatada pela câmera, no limite da própria credibilidade do fotógrafo. À medida que Thomas ia ampliando cada vez mais seus negativos, toda uma dimensão invisível do cotidiano se impunha de forma surpreendente, revelando por detrás das formas familiares do mundo uma outra realidade que só a intervenção do aparato fotográfico pôde fazer aflorar".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;***&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Mamede foi meu primeiro ídolo na faculdade (depois também fui fã de Elias - com este, a relação era de admiração e ódio, porque ele era bastante irônico, beirando o arrogante - e Monclar - não só por sua erudição, mas por ter aguçado minha percepção estética. Fora isso, o vi, uma vez, numa apresentação, tocando sax, e nunca me esquecerei do arranjo através do qual pude constatar o quanto é bonita a música "Dindi", de Tom Jobim). Não cheguei a fazer parte do grupo que participava das expedições fotográficas e de outros trabalhos extra-classe (como foi o caso de Sandra), mas ele me chamava de "the little best" (a ficha demorou a cair, ou seja, não entendi que Mamede estava me chamando de "a melhorzinha", quando ele se referiu a mim, dessa forma, pela primeira vez) por causa de minhas notas nas provas teóricas sobre textos de Dubois, Arlindo Machado, Roland Barthes, Faiga Ostrower e companhia. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Por falar em Dubois, me recordo agora de um seminário que apresentei sobre um livro dele, intitulado "O ato fotográfico", e que passei a chamar de "O ato pornográfico", por causa do seguinte trecho, que, na verdade, é uma citação de Roland Barthes: &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;"Para mim, o órgão do fotógrafo não é o olho (ele me aterroriza), é o dedo: o que está ligado ao disparador da objetiva, ao deslizar o metálico das placas... Adoro esses ruídos (e esse gesto) de maneira quase voluptuosa. [...] No temor do momento inelutável em que o indicador recurvado e rijo vai se apoiar no disparador (...), na brutalidade do golpe de polegar que faz o filme progredir de chapa em chapa, o que é bem sentido pela falange (...), acorrentando desesperadamente foto após foto, como nessa corrida sem cessar retida que faz com que, logo após ter tido prazer no amor, só se pense em voltar àquilo, já tenso com relação ao novo momento em que a plena carga mais uma vez estará em jogo..." &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Obviamente, não tinha o talendo cênico de Wagner Moura, mas, durante o seminário, fiz questão de ler a citação de Barthes feita no texto de Dubois, com uma entonação caricaturalmente sensual, para brincar com o erotismo presente no trecho lido. Também não pude deixar de fazer referência ao novo título que demos ao texto, contrariando minhas colegas de equipe, que tinham me proíbido de fazê-lo. Poderia até perder as amigas e alguns pontos da nota, mas jamais perderia a piada.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Mamede também gostava das minhas fotografias, tanto que na exposição ao final da disciplina, das dez fotos exibidas (e não falo isso para me exibir), cinco ou seis foram minhas. E nas minhas incursões ao laboratório no período de férias, ampliei quatro dessas fotos, para guardar de lembrança. Entre minhas recordações desse período da faculdade, o seguinte fato também ficou gravado na memória: foi Wagner Moura, não sei se a idéia foi dele ou da equipe dele, quem defendeu que a exposição deveria ter como tema "Eu não sou cachorro não". Antes, ele e seus amigos também haviam apresentado "Meu mundo caiu", como sugestão. Mas, em vez de fotografarmos fracassados, humilhados, vítimas de dores de corno e afins (como sugeriam o tema que foi vetado e a música de Valdick Soriano, que inspirou a sugestão acatada. Não sei o que motivou a referência ao hit brega do cantor nem se algum desses meus colegas, ou talvez o próprio Wagner, estava passando por esse tipo de situação) ficou acertado que deveríamos fotografar cachorros de verdade, e não no sentido metafórico, pois isso seria mais exeqüível, já que teríamos de captar as imagens, nas redondezas da faculdade e durante o horário das aulas. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/Mf1eumYAFkE&amp;amp;hl=" width="425" height="344" type="application/x-shockwave-flash"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Mesmo com esse enfoque, ter de sair pela rua atrás de cachorros foi mais difícil do que esperávamos. Fora isso, ainda havia a responsabilidade de andar, pelos becos e vielas, do Canela e do Campo Grande, com as câmeras fotográficas da faculdade. Como essas não eram muitas, Mamede nos emprestava também a dele, uma super &lt;em&gt;Nikon F-não sei quanto&lt;/em&gt;, aumentando ainda mais o nosso temor. Quando avistávamos um cachorro, tínhamos de ser agéis, para ajustar foco, velocidade e abertura do diafragma (eu fazia tudo meio na doida e intuitivamente; não sei como dava certo), e ao mesmo tempo cuidadosas (o adjetivo está no feminino, pois, na minha equipe, só havia mulheres, já que a maioria dos homens, que eram minoria na sala, faziam parte da equipe de Wagner) para não assustar (ou deixar com raiva) o animal. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Houve um dia em que resolvemos ir de carro a uma clínica veterinária que ficava no Vale do Canela, pois já tínhamos andado mais de uma hora sem encontrar nenhum cachorro. Uma foto que tirei de um &lt;em&gt;Lulu da Pomerânia&lt;/em&gt; preso numa gaiola (será que é assim que chama? Jaula também não deve ser) foi incluída na exposição (Mamede a escolheu, porque consegui o efeito de desfocar a grade, em primeiro plano, e focar apenas o pobre cachorro atrás dela). &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Aqueles que estavam na clínica naquele dia foram os únicos cachorros de pedigree que fotografamos, os demais eram vira-latas, com exceção de um &lt;em&gt;coker spaniel&lt;/em&gt; que fotografei, na rua do Marista. Essa fotografia era uma das minhas preferidas (enquadrei o rosto do cachorro, que era preto, sobreposto a um pedaço da calça branca de sua dona. A calça era de um tecido mais fino e devia ter sido recém-passada, pois estava com o vinco bem definido), mas não entrou na exposição, pois o negativo estava arranhado. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Em outra ocasião, ouvimos latidos que vinham de dentro de uma casa que parecia estar abandonada. Invadimos a casa, que estava com o portão aberto, e, para nossa surpresa, encontramos uns filhotinhos de vira-lata lindos. Aí foi uma festa. Em meio a nossa euforia, fomos surpreendidas por uma mulher, mas esta, em vez de nos repreender pela invasão de propriedade, nos mostrou outros deles que estavam junto com a mãe (para nossa sorte, a cadela estava presa), numa garagem velha.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5214055544632720338" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_sM0y2eg_hLY/SFwL5ID9O9I/AAAAAAAAAO4/TsYY99uDQVE/s400/Digitalizar0004.jpg" border="0" /&gt;(Esse está com uma carinha tão tristinha, parece até que estava ouvindo a música de Valdick Soriano)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5214055543801447122" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_sM0y2eg_hLY/SFwL5E9xAtI/AAAAAAAAAPA/36dM27MjXBE/s400/Digitalizar0003.jpg" border="0" /&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p align="justify"&gt;(Chega dar dó essa expressão &lt;em&gt;très désolée&lt;/em&gt; do bichinho. Vai ver que é porque se encontrava longe da mãe, que estava presa na garagem, ou tímido, diante da nossa presença e sob o olhar das câmeras fotográficas. O que está ao fundo, meio desfocado, em segundo plano, apesar de sério, não está tão abatido como o irmão.) &lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5214055543465155154" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_sM0y2eg_hLY/SFwL5DtlmlI/AAAAAAAAAPI/QnSbjRsyPuo/s400/Digitalizar0005.jpg" border="0" /&gt;&lt;br /&gt;(Vixe, mamãe!!! Essa foto, na moral, está tão &lt;em&gt;gutchi&lt;/em&gt; - naquele tempo, eu tinha a mania ridícula de usar esse termo, parecendo uma retardada - que podia ser capa de caderno da &lt;em&gt;Tilibra&lt;/em&gt;. Para mim, o ponto alto da fotografia é o focinho da cadela-mãe, no canto superior direito. Exemplificando o "efeito Blow Up", só fui notá-lo após a revelação e ampliação da foto)&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Mas a minha melhor foto não foi tão espontânea quanto esta última. Tive de usar de um artifício, para obter a imagem desejada. Na época, eu não tinha carro e sempre levava, na bolsa, uma sombrinha marrom, com flores rosas e azuis, dessas &lt;em&gt;made in Taiwan,&lt;/em&gt; que são vendidas em camelô. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5214060382371947938" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_sM0y2eg_hLY/SFwQSuC3paI/AAAAAAAAAPQ/Rjs-IMcPo2g/s400/Digitalizar0007.jpg" border="0" /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;A cadela-modelo tomava seu saudável sol matinal de 10h, perto do Caboclo, no Campo Grande. Nada nem ninguém a abalava em sua pose de vira-lata. Prova de que altivez não tem nada a ver com pedigree. Aqueles que vivem humilhados e desprezados, por amar sendo enganados, deveriam mirar-se na postura dela. Muito mais nobre do quer ficar se lamentando e cantando por aí: "Eu não sou cachorro não".&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9082002872150641558-140524736020584192?l=cristianaserra.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cristianaserra.blogspot.com/feeds/140524736020584192/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9082002872150641558&amp;postID=140524736020584192' title='8 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9082002872150641558/posts/default/140524736020584192'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9082002872150641558/posts/default/140524736020584192'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cristianaserra.blogspot.com/2008/06/recordaes-da-facom.html' title='Recordações da Facom'/><author><name>Cris</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05164885794284654292</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_sM0y2eg_hLY/SFwRd6LEuYI/AAAAAAAAAPY/K4ekWo5geks/s72-c/13_1958-wagner-jo01.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>8</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9082002872150641558.post-885465617632047923</id><published>2008-05-19T02:02:00.015-03:00</published><updated>2008-05-22T13:30:56.755-03:00</updated><title type='text'>Coisa boa é amar</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;É meia noite, o exato momento em que se inicia o dia 19 de maio e começo a escrever esse texto. Devia me preparar para dormir, afinal sairei de casa daqui a sete horas, para o trabalho; ou então aproveitar que estou sem sono, para adiantar minhas leituras do Doutorado, pois foi para isso que bebi uma xícara de café, no jantar, com a intenção de me manter acordada.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Mas não estou concentrada para ler o livro de Milton Hatoum, o atual queridinho da turma de Letras. O domingo chuvoso, que já terminou, me deixou reflexiva, e por isso resolvi escrever um texto com cara de blog. Por texto com cara de blog, entende-se: um relato em tom confessional, próximo do gênero “diário íntimo”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Isso talvez se deva ao fato de ter ficado grande parte do dia sozinha ― meus pais passaram o dia em Itacimirim ― e ao DVD de Frank Sinatra a que assisti enquanto comia o macarrão com molho de atum que fiz para mim. Não tenho vocação para cozinha (e isso não tem nada a ver com ranço feminista; admiro profundamente aquelas e aqueles que a têm), mas me recuso a comer, no almoço, produtos industrializados. Então, quando não tenho alguém que o faça por e para mim, prefiro preparar meus pratos. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Meu problema na cozinha é falta de &lt;em&gt;timing&lt;/em&gt;, há sempre um momento em que fico baratinada, com a água do macarrão fervendo, as cebolas já ficando mais do que douradas, a lata de atum por abrir e os tomates a cortar. Aliás, cortar é o verbo que denota toda a minha impaciência e pouca habilidade na cozinha. Chega um instante em que me dá agonia cortar os pedacinhos de qualquer coisa, de forma que eles fiquem iguais e esteticamente adequados. Para mim, essa é a pior parte. Para compensar a ausência de um tempero especial, meu truque é usar pimenta (branca, do reino, calabresa ou um &lt;em&gt;mix &lt;/em&gt;de todas elas). Eu gosto dos pratos que faço, mas jamais os prepararia para servir num jantar para convidados. O sabor da comida de minha autoria é semelhante à de restaurante a quilo: é da qualidade de comível, mas carente de um tempero diferenciado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Boa parte das vezes em que cozinho para a minha pessoa, gosto de assistir a um DVD de Frank Sinatra, que é de meu pai. “My way” é a terceira música do DVD e, normalmente, coincide com os últimos momentos da minha refeição: “and now the end is near, and so I face the final curtain...”. No meu caso, a garfada final, geralmente, se dá ao som do refrão: “and more, much more than this, I did it my way”. E assim termino o almoço com a sensação de que foi melhor enfrentar as panelas do que comer uma lasanha da Sadia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sob essa atmosfera introspectiva provocada pela música de Sinatra e pela chuva que caía, decidi fazer a digestão na frente do computador, ouvindo outras músicas de que gosto. Entrei no &lt;em&gt;Youtube&lt;/em&gt; e baixei um vídeo de &lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=LcshTxLT6wg"&gt;Gal e Elis Regina, novinhas, cantando juntas “Estrada do Sol”, &lt;/a&gt;de Tom Jobim. Depois procurei &lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=36BiRgH_01g"&gt;Bethânia interpretando “Outra Vez”, &lt;/a&gt;de Roberto Carlos, e &lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=Q-bvgv3g__Y"&gt;Marvin Gaye cantando “Sexual Healing”. &lt;/a&gt;Aí me lembrei da música “A natureza das coisas”, cuja letra traduz aquilo que estabeleci como lema em minha vida: “se avexe não, amanhã pode acontecer tudo, inclusive nada”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A primeira vez que ouvi essa música foi num filme brasileiro chamado “A máquina”. Junto com ela, também me veio a recordação de outra cena do filme, que, na ocasião, havia me chamado a atenção: um clipe dos “The Sconhecidos” cantando uma versão, digamos assim, bem &lt;em&gt;cool, &lt;/em&gt;de “Dia Branco”. Até então, nunca tinha reparado na beleza da letra, pois sempre achei uma chatice ouvir a versão original de Geraldo Azevedo: “Se branco ele for / E esse canto / Esse tanto / Esse tão grande amor / Grande amor... / Se você quiser e vier / Pro que der e vier / Comigo...”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O clipe, que no filme é anunciado pelo personagem interpretado por Paulo Autran, foi uma das cenas que mais me tocaram quando assisti ao DVD, mais de um ano atrás, numa noite de sábado, em que pude desfrutar daqueles bons momentos em que a solidão é bem vinda. E talvez essa passagem tenha me tocado esse tanto, não só pela música conhecida que me foi revelada de uma outra maneira, mas justamente devido à seqüência que a sucede, na qual Antônio, o protagonista do filme, declara para Carina, a mocinha, o amor que sente por ela. O texto é primoroso: “esse negócio que eu sinto, esse negócio de doido, que eu não encontro nome em nenhuma das palavras existentes e que não tem som nem letra escrita que explique como ele é exagerado”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Carina pergunta onde ele leu aquilo, e Antônio responde: “eu nem li, nem decorei, nem sei repetir de novo, porque sentimento sentido de verdade não carece ser documentado em papel ou romance nem filme, pois não é da conta de ninguém, a não ser da pessoa que sente, além da outra responsável pelo afeto causado”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/wRdWTIbaFqw&amp;amp;hl=" width="425" height="355" type="application/x-shockwave-flash" wmode="transparent"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A professora da disciplina "Representação literária" costuma falar que o que motiva a criação de um escritor é uma falta, a sensação de incompletude. E foi por esse sentimento que estou aqui escrevendo esse texto, embora ele não tenha grandes pretensões literárias. Ontem, por coincidência, um amigo justificava todas as insanidades que dizia, utilizando o seguinte pretexto: “me desculpem, mas é preciso botar para fora, exteriorizar. Se não, dá câncer”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Seguindo esse sábio procedimento, venho aqui falar da carência de um grande amor pro que der e vier. É isso o que eu e minhas amigas solteiras tanto desejamos: não precisamos de um homem provedor, não queremos uma festa de casamento para dar uma satisfação à sociedade, não ansiamos pelo casamento em si, mas sentimos muita falta de alguém que nos faça experimentar "esse negócio de doido" que Antônio diz ter por Carina.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se me arvoro à condição de porta-voz é porque sei que posso falar por mim e por elas. Somos mulheres felizes e nos sentimos realizadas em quase todos os aspectos de nossas existências, mas há essa incompletude que vem acompanhada do constante desejo de tentar preenchê-la com um amor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E o amor que buscamos não é o da ficção, que, nas palavras de Antônio, é um “tal de amor que personagem finge, amor dessa qualidade que tem paciência até para esperar, entre um anúncio e outro, o voltamos a apresentar, para só então concluir o que tinha fingido que tinha começado”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E o objeto desse tão sonhado amor está longe de ser um príncipe encantado; pode até ter “cara de leso”, como a de Antônio é classificada por Carina. Esse tal amor pode até prescindir de lindas palavras, como as que Antônio tão bem falou para ela, desde que seja “um sentimento sentido de verdade” tanto por nós como por aquele que há de ser o “responsável pelo afeto causado”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já é tarde, e preciso dormir, pelo menos, umas poucas horas. E o farei com a esperança de que amanhã (no caso, hoje) poderá acontecer tudo, inclusive nada. Coisa boa é namorar!&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/O5pLV9kWaZ4&amp;amp;hl=" width="425" height="355" type="application/x-shockwave-flash" wmode="transparent"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9082002872150641558-885465617632047923?l=cristianaserra.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cristianaserra.blogspot.com/feeds/885465617632047923/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9082002872150641558&amp;postID=885465617632047923' title='9 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9082002872150641558/posts/default/885465617632047923'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9082002872150641558/posts/default/885465617632047923'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cristianaserra.blogspot.com/2008/05/coisa-boa-amar.html' title='Coisa boa é amar'/><author><name>Cris</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05164885794284654292</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>9</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9082002872150641558.post-7579663386323032002</id><published>2008-05-01T10:14:00.123-03:00</published><updated>2008-05-06T22:08:27.461-03:00</updated><title type='text'>Por Cris, em Cris, com Cris. Viva Santo Exxxxxpeditôôô!!!!</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_sM0y2eg_hLY/SBnp_aE8D8I/AAAAAAAAAMA/ARMekpXUb3A/s1600-h/DSC02129.JPG"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5195440920689643458" style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; CURSOR: hand" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_sM0y2eg_hLY/SBnp_aE8D8I/AAAAAAAAAMA/ARMekpXUb3A/s320/DSC02129.JPG" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Dia 19 de abril é Dia do Índio, Dia do Exército, aniversário de minha amiga Rebeca Muller e Dia de Santo Expedito, o santo das causas urgentes. Esse ano, nessa data, eu estava no Rio de Janeiro e fui com Marília, minha irmã, para uma missa, seguida de procissão, em homenagem ao santo, numa paróquia em Niterói. Lá, a festa do dia 19 de abril é tradicional, e a devoção a Santo Expedito é muito forte. Durante a missa, ouvi uma senhora dizer que aquela igreja em Niterói foi a primeira erguida, para louvá-lo, no Brasil. Se é verdade, só Deus mesmo para saber. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_sM0y2eg_hLY/SBnrT6E8D9I/AAAAAAAAAMI/HMA_zZAmGNs/s1600-h/DSC02083.JPG"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5195442372388589522" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_sM0y2eg_hLY/SBnrT6E8D9I/AAAAAAAAAMI/HMA_zZAmGNs/s200/DSC02083.JPG" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Mas você, caro leitor, assim como muitos de nosso convívio, deve estar se perguntando que diabos, com perdão da expressão herege, eu e Marília, acompanhadas de Leonardo (meu cunhado e marido dela), fomos fazer num evento como aquele. No meu caso especificamente, a questão parece ainda mais intrigante : o que leva uma pessoa que saiu de Salvador para passar um fim de semana prolongado (21 de abril, feriado de Tiradentes, caiu numa segunda-feira)&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_sM0y2eg_hLY/SBns66E8D_I/AAAAAAAAAMY/1Aqfn0gpcFM/s1600-h/DSC02125.JPG"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5195444141915115506" style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; CURSOR: hand" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_sM0y2eg_hLY/SBns66E8D_I/AAAAAAAAAMY/1Aqfn0gpcFM/s200/DSC02125.JPG" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; no Rio de Janeiro, em pleno sábado de sol, cruzar a ponte Rio-Niterói, deixando &lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_sM0y2eg_hLY/SBnsIqE8D-I/AAAAAAAAAMQ/Dv-_tfhGPoM/s1600-h/DSC02125.JPG"&gt;&lt;/a&gt;para trás os agitos da Cidade Maravilhosa, e se meter no meio de uma comunidade periférica para rezar para um santo?&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;1- Por devoção, propriamente, não foi. Não tenho o perfil de beata nem de religiosa. Nem sei rezar o Credo; só domino as orações básicas: Pai Nosso e Ave Maria. E se não tiver um papelzinho com o roteiro para acompanhar, mal sei a ordem das intervenções que devem ser feitas ao longo da missa. Exemplo: o padre fala "Que o Senhor esteja convosco", e os fiéis respondem "Ele está no meio de nós". Sigo o fluxo e me guio pela intuição. Quando não sei o que falar, fico calada ou mexo os lábios fingindo que estou dizendo alguma coisa. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;2- Por desespero, também não foi. Até tenho umas causas para serem resolvidas com urgência, mas não foram elas que me levaram a Niterói.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Sim, por que motivo então?&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Resposta parcial: O mesmo que me faz, em Salvador, todo ano, desde 2005, sair do bairro da Pituba e ir para uma igreja na Estrada da Liberdade, no outro extremo da cidade.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Calma, não se impaciente, sei que isso ainda não responde a questão. A explicação é simples, e espero que seja convincente.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Não tenho muita afinidade com aqueles que insistem num discurso saudosista, lamentando a perda de algo que era bom no passado e que não existe mais. Para mim, vale o clichê, presente nos discursos pós-modernos, de que "a mudança é a única constante nos dias de hoje". Já que mencionei esta palavra, vale dizer que a idéia de "pra hoje" é o lema de Santo Expedito, como conta a matéria de capa sobre os "santos da crise", publicada na Revista Época, em 17 de maio de 1999. A reportagem começa assim:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_sM0y2eg_hLY/SBnmNKE8D6I/AAAAAAAAALw/VUlBq2ZXhRU/s1600-h/stoexpedito.jpg"&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_sM0y2eg_hLY/SBnoVKE8D7I/AAAAAAAAAL4/m2ikK4YKuvU/s1600-h/stoexpedito.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5195439095328542642" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_sM0y2eg_hLY/SBnoVKE8D7I/AAAAAAAAAL4/m2ikK4YKuvU/s320/stoexpedito.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;"Ele era um guerreiro de elite do Império Romano. Comandava a XII Legião, uma tropa estratégica cuja missão era defender a província da Armênia das constantes invasões asiáticas. Fazia parte da categoria de soldados expeditus, assim conhecidos por usar armas leves e não levar bagagens para locomover-se com rapidez. Talvez por isso o comandante tenha passado para a História com o nome de Expedito. Era o fim do século 3, sob o império de Diocleciano, um perseguidor de cristãos. Mas Expedito e sua tropa seguiam a doutrina de Jesus Cristo, e por isso ele teve selada sua sentença de morte. Foi flagelado até a última gota de sangue e, em seguida, degolado.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Reza a lenda que, no momento de sua conversão ao cristianismo, apareceu um corvo que crocitou a palavra 'crás' (cras, em latim, significa amanhã). O soldado esmagou o pássaro esbravejando: 'Hodie' (hoje). O recado dessa imagem: não se deve deixar para amanhã o que se pode fazer hoje. Esse é o lema de Santo Expedito, o santo da hora. [...] a religiosidade popular o transformou num ícone graças a sua fama de solucionar problemas com presteza. Como se esmagasse um corvo por dia" (ÉPOCA, Edição 52, 1999). &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Isso garanto que você não sabia: Santo Expedito não era do Bope, mas fazia parte da Tropa de Elite. Mas antes de me perder nessa digressão, eu estava comentando que acho meio nada a ver esse discurso sobre a perda de algo que era bom e se acabou. Exemplo: "Antigamente, os meninos brincavam na rua de 'amarelinha', gude e 'chicotinho queimado'; hoje as crianças só querem saber de videogame. As pessoas se reuniam na praça ou em volta de uma fogueira para jogar conversa fora e contar 'causos'; atualmente, ficam isoladas em suas casas assistindo ao Big Brother". Na moral, convenhamos que esse papo não convence! É a mesma coisa que querer que um jovem de hoje veja alguma graça nos filmes em preto e branco de Jerry Lewis ou de "O Gordo e o Magro" (se bem que eu ainda dou risada dos Trapalhões) ou achar o máximo gravar os últimos hits das paradas de rádio num toca-fita enquanto se pode fazer um download de músicas no &lt;em&gt;E-mule&lt;/em&gt; para ouvir no &lt;em&gt;Ipod&lt;/em&gt;. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;No entanto, tenho de admitir que é a carência de um certo espírito comunitário, atualmente raro diante do individualismo moderno, que faz com que eu considere um programa interessante ir a uma missa em saudação a Santo Expedito e participar de uma procissão. Pude vivenciar essa sensação de uma experiência comunitária na primeira vez em que fui com minha irmã, no dia 19 de abril de 2005, à igreja da comunidade de Santo Expedito no bairro da Liberdade. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Marília se tornou devota do santo em função dos trabalhos da disciplina "Atelier", durante o curso de Arquitetura. O dono da cantina da faculdade, sabendo do desespero dos estudantes em final de semestre, colocava bem à mostra no balcão uma pilha de santinhos com a imagem e a oração a Santo Expedito, ao lado de um pacote de &lt;em&gt;Arrebite&lt;/em&gt; (energético à base de guaraná em pó). Então, toda vez que o &lt;em&gt;Autocad&lt;/em&gt; (programa de computador que os arquitetos usam para desenhar) travava, e Marília não fazia idéia de quando tinha salvo o arquivo pela última vez, o jeito era apelar para a intervenção urgente do santo. E o mesmo gesto se repetia inúmeras vezes: no momento de produzir a maquete; depois de varar a madrugada pelo segundo ou terceiro dia consecutivo; ao fazer a plotagem das plantas, horas antes de encerrar o prazo de entrega, etc., etc.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Marília, com o perfeccionismo que lhe é peculiar, levou um ano para concluir o TFG (trabalho final de graduação). Dá para imaginar o quanto o pobre do santo foi requisitado nesse período. No dia da apresentação do trabalho para a banca, ele estava presente, personificado numa imagem de 6 cm de altura, bem ao lado do computador e do datashow, para que não houvesse nenhum problema com o &lt;em&gt;Power Point&lt;/em&gt;. Minha irmã foi aprovada com nota 10 e com louvor. Diante dessa graça, o santo merecia uma louvação especial. Marília descobriu que havia uma paróquia de Santo Expedito na Liberdade e resolveu ir até lá no dia 19 de abril, para&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_sM0y2eg_hLY/SBnFfqE8D5I/AAAAAAAAALo/04fimOFsx7o/s1600-h/DSC02165.JPG"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5195400792810196882" style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; CURSOR: hand" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_sM0y2eg_hLY/SBnFfqE8D5I/AAAAAAAAALo/04fimOFsx7o/s200/DSC02165.JPG" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; agredecer ao seu santo protetor. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Como a Liberdade é um bairro mais periférico, e Marília não conhecia o caminho, pediu que eu fosse com ela. Como sou baiana de todos os santos, encantos e axé, topei na hora, porque minha devoção é como coração de mãe e elevador para quem usa Rexona, sempre cabe mais um. Não é à toa que um dia fui tomar passe num centro espírita de origem cabocla, e, no momento do passe, quando eu estava bem concentrada, o caboclo deu um grito e perguntou se eu tinha "as intuição". Falei que não, e ele disse que todas as respostas estavam dentro de mim. Achei aquilo profundo. Mas do que gostei mesmo foi o que o espírito falou na seqüência: "&lt;em&gt;Echa&lt;/em&gt; &lt;em&gt;minina, echa minina&lt;/em&gt; tem bom coração, por &lt;em&gt;icho&lt;/em&gt; tem boa proteção".&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Marília consultou o mapa de ruas de Salvador, anotou todas as coordenadas num papel, saímos de casa com uma hora de antecedência e chegamos na paróquia de Santo Expedito sem grandes contratempos (erramos o caminho apenas uma vez, já no final do trajeto). A igreja era pequenininha e estava lotada. Nós éramos as únicas que não estavam vestidas de vermelho. Havia umas camisas à venda, e resolvemos comprá-las para ficarmos mais integradas. As organizadoras da festa ficaram bastante contentes com a nossa presença; toda hora, uma vinha e nos dizia: "que bom que vocês vieram, depois da missa serviremos um mingau ali no largo, e a noite haverá procissão". &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;p align="justify"&gt;No meu imaginário, a figura de beata correspondia à representação de Perpétua em "Tieta do Agreste" ou então à das que, lideradas por Dona Pombinha Abelha, protestavam contra a existência da boate em que a personagem de Cláudia Raia trabalhava em "Roque Santeiro". Mas as beatas da igreja da Liberdade eram muito simpáticas, alegres e cheias de animação: cantavam todas as músicas e se empolgavam nas coreografias. &lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Até então, eu nunca tinha assistido a uma missa depois da Renovação Carismática e da moda lançada por Marcelo Rossi. Mas o padre Marcelo é uma mosca morta se comparado ao que rezou a missa no dia de Santo Expedito. Esse, sim, era um legítimo representante do swing baiano. Ao lado do altar, havia uma banda, composta de baixo, guitarra, teclado e bateria. E quem comandava o vocal e puxava o coro dos fiéis era o próprio padre. O pároco tinha presença de palco, era um verdadeiro &lt;em&gt;showman&lt;/em&gt;. Boa parte das músicas tinha ritmo de reggae, e ele, ao cantá-las, balançava o corpo e a cabeça com fazem Pierre Onassis e Margareth Menezes. "Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo" ganhou um arranjo com batida de baião. &lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_sM0y2eg_hLY/SBqBuKE8EBI/AAAAAAAAAMo/47p6vV--eK8/s1600-h/raminho.JPG"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5195607750104322066" style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; CURSOR: hand" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_sM0y2eg_hLY/SBqBuKE8EBI/AAAAAAAAAMo/47p6vV--eK8/s200/raminho.JPG" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_sM0y2eg_hLY/SBqAzqE8EAI/AAAAAAAAAMg/19pX8M18EZc/s1600-h/ramo.jpg"&gt;&lt;/a&gt;&lt;p align="justify"&gt;Mas o que sacudia mesmo a galera era o hino a Santo Expedito. "Quero ver todo mundo agitando esses raminhos, Viva Santo Expedito!!!", gritava o padre. Os raminhos eram folhas de EVA (não é Eva, mulher de Adão; trata-se de é-vê-a, etil vinil acetato, um material emborrachado), como a que a imagem de Santo Expedito carrega na mão, e foram distribuídos no início da missa. Para mim e Marília, eles tiveram uma outra finalidade, quando as câmeras da TV Aratu começaram a captar imagens para a reportagem que iria ao ar no jornal do meio dia. &lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Encerrada a missa, antes de irmos embora, as beatas organizadoras perguntaram se a gente poderia colocar nossos nomes num abaixo-assinado reivindicando a permanência do padre à frente da paróquia. O motivo nós imaginávamos, e, se a ameaça de tirá-lo de lá se devia ao que estavámos pensando, assinaríamos de bom grado. "Claro que sim, o padre é ótimo, a missa foi muito legal, adoramos", dissemos nos solidarizando com a causa delas. &lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Em 2006, Marília já estava casada e morando no Rio de Janeiro. Ela foi com Leo para uma missa no forte do Leme, organizada pelo pessoal do Exército. Eles eram os únicos jovens, e o padre ficou felicíssimo com a presença da "juventude" privilegiando o evento. E eu fui novamente à igreja da Liberdade, dessa vez, sozinha. Fui vestida com a camisa comprada no ano anterior, e as organizadoras me reconheceram, e fizeram questão de ir me cumprimentar e me dar as boas-vindas. Eu me lembrava de várias caras que estavam lá, da outra vez. Achei o padre bem mais comedido, embora a missa continuasse animada ao som da banda. Pensei em duas hipóteses para a mudança de atitude do padre-cantor: ou aquela tinha sido uma condição para a permanência dele na paróquia, ou, diante do episódio da missa espalhafatosa de Padre Pinto (vale a pena ver no &lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=tG_EtuIuvUM"&gt;youtube&lt;/a&gt; a reportagem que foi exibida no Jornal da Globo) ― que, na época, era um fato ainda recente ―, ele achou melhor se conter, para evitar qualquer tipo de comparação.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Em 2007, para minha surpresa, ao chegar no Largo do Guarani, encontrei a igreja fechada. Pensei logo: "não conseguiram manter o padre na paróquia, e, em função disso, não haverá missa". Conversei com algumas pessoas que estavam no ponto de ônibus e fiquei sabendo que a missa aconteceria numa casa localizada numa rua próxima dali. Fui até lá e não tive dificuldade de encontrá-la, pois o espaço onde a missa estava sendo realizada era tão pequeno que boa parte dos fiéis tinha de ficar do lado de fora. Até hoje não sei o que provocou a mudança de lugar, mas se percebia, pelo discurso, em tom de luta vencida, que aquela casa e a celebração da missa de Santo Expedito ali eram uma conquista do padre e da comunidade de fiéis. Num cômodo contíguo à sala onde ficava o altar, estava a imagem de Santo Expedito. Quando a missa terminou, todos se dirigiram até lá, para fazer seus pedidos e agradecer as graças por ele concedidas. &lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Eu assisti à missa da calçada, olhando pela janela, mas fiz questão de enfrentar o calor e a aglomeração de pessoas, para ir conhecer a nova morada do santo. O quarto era minúsculo, uma luz azul iluminava o ambiente, e as paredes estavam forradas com um tecido prateado. Se fosse contextualizar toda a história que originou o pedido que fiz a Santo Expedito naquela ocasião, gastaria muitas linhas. O que não posso deixar de dizer aqui é que ele foi prontamente atendido, beneficiando várias pessoas da minha família. Viva Santo Expedito! Viva! &lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Eu já estava com vontade de ir passar o feriado de 21 de abril, com Marília, no Rio. Quando lembramos que seria uma oportunidade de irmos juntas para a missa do Dia de Santo Expedito, imediatamente comecei a pesquisar os preços de passagem aérea. Provavelmente com a interferência do santo, consegui uma promoção excelente. &lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Marília tinha ouvido falar que a comunidade de devotos de Santo Expedito em Niterói era bem expressiva. Descobriu também que havia uma missa organizada pelo &lt;a href="http://devotosantoexpedito.com/"&gt;Devoto de Santo Expedito&lt;/a&gt;, na Penha. Ele tem um site, com vídeos e músicas, e emite um certificado de "Devoto de Santo Expedito", enviado por correio, para aqueles que preencherem os dados e desejarem recebê-lo. Marília, é claro, solicitou imediatamente a emissão de seu certificado. O acesso ao lugar onde ocorreria a missa na Penha era meio complicado e um pouco barra pesada, portanto Leo achou melhor irmos mesmo para Niterói. Marília ligou para lá para saber os horários da missa e da procissão, e para obter informações de como chegar ao local. A pessoa que atendeu a ligação disse que não seria possível estacionar perto da igreja, porque a festa atraía muita gente. Quanto aos horários, haveria missa durante o dia inteiro, e a procissão estava prevista para as 19h. Com o nome das ruas, tanto a da igreja como a outra onde deveriam deixar o carro, Marília e Leo ainda fizeram uma consulta no &lt;em&gt;Google Earth,&lt;/em&gt; para não ter errada. Como os dois são bons de mapa e havia uma concentração de pessoas vestidas de vermelho no lugar, acharam, de primeira, a Rua 22 de novembro, que ficava próxima à igreja e por onde passaria a procissão. &lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Fomos a Niterói mais cedo, saímos de casa por volta de 11h da manhã, porque assim aproveitaríamos para visitar o teatro popular projetado por Niemeyer, o MAC, que também é projeto dele, e o Parque da Cidade, que fica no alto, tem uma vista maravilhosa e de onde são realizados vôos de parapente e asa delta. Mas naquele dia não havia vento, e ninguém estava voando.&lt;/p&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_sM0y2eg_hLY/SBsNQ6E8EEI/AAAAAAAAANA/kRfk9CSCXMk/s1600-h/DSC02109.JPG"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5195761179221037122" style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; CURSOR: hand" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_sM0y2eg_hLY/SBsNQ6E8EEI/AAAAAAAAANA/kRfk9CSCXMk/s200/DSC02109.JPG" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_sM0y2eg_hLY/SBsMAqE8ECI/AAAAAAAAAMw/Os-oS6qWtCo/s1600-h/DSC02078.JPG"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5195759800536535074" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_sM0y2eg_hLY/SBsMAqE8ECI/AAAAAAAAAMw/Os-oS6qWtCo/s200/DSC02078.JPG" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5195760393242021938" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_sM0y2eg_hLY/SBsMjKE8EDI/AAAAAAAAAM4/c0_Ke2lJQoI/s200/DSC02082.JPG" border="0" /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_sM0y2eg_hLY/SBsQWKE8EFI/AAAAAAAAANI/r0nOh3_9OHM/s1600-h/DSC02113.JPG"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5195764567950233682" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_sM0y2eg_hLY/SBsQWKE8EFI/AAAAAAAAANI/r0nOh3_9OHM/s200/DSC02113.JPG" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Fizemos toda a programação conforme havíamos planejado e chegamos na igreja no horário da última missa, que começaria às 17h. A igreja ficava no topo de uma ladeira um tanto íngreme. De forma parecida ao que costuma acontecer nas imediações da Igreja do Bonfim, ao longo do caminho, o comércio de artigos religiosos comia no centro. Por toda ladeira, de cima a baixo, havia dezenas de barraquinhas, sendo que algumas delas vendiam comida e bebida. E eu e Marília nos rendemos ao assédio dos vendedores: compramos rosas vermelhas, medalhinhas e velas. Marília ainda comprou um maço de fitinhas idênticas às do Bonfim, só que com o nome de Santo Expedito. Acho legal comprar essas coisas, não só para entrar no clima, mas como iniciativa de distribuição de renda. O reino dos céus deve valorizar esse tipo de ação, mais pela contribuição à justiça social do que pela demonstração de fé. &lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Logo depois, tratamos de acender nossas velas diante da imagem do santo, num local específico para isso. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_sM0y2eg_hLY/SBsS-qE8EGI/AAAAAAAAANQ/8XgZgCWrqYY/s1600-h/DSC02121.JPG"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5195767462758191202" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_sM0y2eg_hLY/SBsS-qE8EGI/AAAAAAAAANQ/8XgZgCWrqYY/s200/DSC02121.JPG" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_sM0y2eg_hLY/SBsVL6E8EJI/AAAAAAAAANo/Mp5TLdPwErE/s1600-h/DSC02117.JPG"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5195769889414713490" style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; CURSOR: hand" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_sM0y2eg_hLY/SBsVL6E8EJI/AAAAAAAAANo/Mp5TLdPwErE/s200/DSC02117.JPG" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5195768330341585010" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_sM0y2eg_hLY/SBsTxKE8EHI/AAAAAAAAANY/T8xEB3mNvIs/s200/DSC02126.JPG" border="0" /&gt;&lt;br /&gt;&lt;object width="320" height="266" class="BLOG_video_class" id="BLOG_video-b50c8d3be73efe6" classid="clsid:D27CDB6E-AE6D-11cf-96B8-444553540000" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/get_player"&gt;&lt;param name="bgcolor" value="#FFFFFF"&gt;&lt;param name="allowfullscreen" value="true"&gt;&lt;param name="flashvars" value="flvurl=http://v15.nonxt6.googlevideo.com/videoplayback?id%3D0b50c8d3be73efe6%26itag%3D5%26app%3Dblogger%26ip%3D0.0.0.0%26ipbits%3D0%26expire%3D1331566719%26sparams%3Did,itag,ip,ipbits,expire%26signature%3D4936CD7C9D7FA9742118CDC0FBA1CE9EC9BE5A60.4DDED45CB57F7317B8349ADDD931D1D7D2A03127%26key%3Dck1&amp;amp;iurl=http://video.google.com/ThumbnailServer2?app%3Dblogger%26contentid%3Db50c8d3be73efe6%26offsetms%3D5000%26itag%3Dw160%26sigh%3DQ670j2nq6xJGSm4IKJhANViQTr8&amp;amp;autoplay=0&amp;amp;ps=blogger"&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/get_player" type="application/x-shockwave-flash"width="320" height="266" bgcolor="#FFFFFF"flashvars="flvurl=http://v15.nonxt6.googlevideo.com/videoplayback?id%3D0b50c8d3be73efe6%26itag%3D5%26app%3Dblogger%26ip%3D0.0.0.0%26ipbits%3D0%26expire%3D1331566719%26sparams%3Did,itag,ip,ipbits,expire%26signature%3D4936CD7C9D7FA9742118CDC0FBA1CE9EC9BE5A60.4DDED45CB57F7317B8349ADDD931D1D7D2A03127%26key%3Dck1&amp;iurl=http://video.google.com/ThumbnailServer2?app%3Dblogger%26contentid%3Db50c8d3be73efe6%26offsetms%3D5000%26itag%3Dw160%26sigh%3DQ670j2nq6xJGSm4IKJhANViQTr8&amp;autoplay=0&amp;ps=blogger"allowFullScreen="true" /&gt;&lt;/object&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;No momento, em que eu, no meio da rua, me preparava para tirar uma foto de Marília e Leo, em frente a uma barraca que vendia camisas, um carro veio subindo a ladeira, buzinando insistentemente, para que eu desse lugar para ele passar. Imediatamente, me afastei para o lado da rua e me surpreendi ao ver que o motorista do carro era o padre que rezaria a missa. Depois ficamos sabendo, durante o sermão, que ele veio, de carro, de São Paulo, especialmente para o evento, e havia acabado de chegar de viagem naquele instante em que passou por nós. &lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Com a chegada do padre, os sinos começaram a tocar indicando que a missa começaria logo em seguida. &lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;object width="320" height="266" class="BLOG_video_class" id="BLOG_video-b0539c33da02a1f9" classid="clsid:D27CDB6E-AE6D-11cf-96B8-444553540000" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/get_player"&gt;&lt;param name="bgcolor" value="#FFFFFF"&gt;&lt;param name="allowfullscreen" value="true"&gt;&lt;param name="flashvars" value="flvurl=http://v4.nonxt8.googlevideo.com/videoplayback?id%3Db0539c33da02a1f9%26itag%3D5%26app%3Dblogger%26ip%3D0.0.0.0%26ipbits%3D0%26expire%3D1331566719%26sparams%3Did,itag,ip,ipbits,expire%26signature%3D3EA5FEDDB034C73386DF51A11816D4741BFC6C7D.6C183D9399B204CC98B19FA23CB226977EDD1E16%26key%3Dck1&amp;amp;iurl=http://video.google.com/ThumbnailServer2?app%3Dblogger%26contentid%3Db0539c33da02a1f9%26offsetms%3D5000%26itag%3Dw160%26sigh%3DYXOVGelx7V_teDJ9wOjOaG3nLrY&amp;amp;autoplay=0&amp;amp;ps=blogger"&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/get_player" type="application/x-shockwave-flash"width="320" height="266" bgcolor="#FFFFFF"flashvars="flvurl=http://v4.nonxt8.googlevideo.com/videoplayback?id%3Db0539c33da02a1f9%26itag%3D5%26app%3Dblogger%26ip%3D0.0.0.0%26ipbits%3D0%26expire%3D1331566719%26sparams%3Did,itag,ip,ipbits,expire%26signature%3D3EA5FEDDB034C73386DF51A11816D4741BFC6C7D.6C183D9399B204CC98B19FA23CB226977EDD1E16%26key%3Dck1&amp;iurl=http://video.google.com/ThumbnailServer2?app%3Dblogger%26contentid%3Db0539c33da02a1f9%26offsetms%3D5000%26itag%3Dw160%26sigh%3DYXOVGelx7V_teDJ9wOjOaG3nLrY&amp;autoplay=0&amp;ps=blogger"allowFullScreen="true" /&gt;&lt;/object&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;A igreja estava lotada. Eu e Marília ficamos do lado de fora, bem posicionadas, em frente à porta lateral. Do nosso ângulo de visão, dava para ver o padre. Portanto, era bem melhor ficar ali, pois lá dentro não aguentaríamos o calor. Leo ficou mais afastado, pois podia a qualquer momento receber uma ligação do trabalho. Ao longo do dia, embora estivesse de folga, ele teve de resolver vários problemas por telefone. Aí eu digo e afirmo: Santo Expedito enviou para minha irmã um marido a sua imagem e semelhança. No que diz respeito ao aspecto físico, a semelhança era ainda maior, quando eles começaram a namorar: afinal, Leo tinha mais cabelo e era mais magrinho, como o santo. Quanto a atender as causas de Marília, meu cunhado, diversas vezes, desempenha fielmente o papel de intermediário dos desígnios de Expedito.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Gostei do estilo do padre: era jovem, assertivo em seu discurso, demonstrava preocupação social e vigorosamente incitava os fiéis a louvarem o santo das causas urgentes. "Viva Santo Exxxxpeditôôô!!!!!", repetia o tempo todo, com seu sotaque carioca. O ponto alto da missa, para mim, foi o momento em que ele se referiu à presteza do santo. "Meus amigos, a graça de Santo Expedito é para...", ele enunciava a frase incompleta, erguendo o braço e apontando o indicador na direção da multidão, para que os devotos respondessem numa só voz: "Hoje!". E eu mentalizava meus pedidos ao mesmo tempo em que engrossava o coro que gritava "Hoje!", a cada intervenção do padre.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;A missa também tinha trilha sonora, banda ao vivo e coreografias, mas o padre de Niterói, embora também cantasse, era mais sério e tinha menos ginga do que o padre da paróquia da Liberdade. Mas numa música cujo refrão era "céus e terra passarão, só sua palavra não passará. Não, não passará... Não, não, não, passará", ele mandou ver na coreografia. Cada fragmento de frase correspondia a um movimento:&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Céus = levantar braços e mãos para cima;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Terra = descer subitamente o braço flexionado movendo os cotovelos para trás;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Passarão = levantar os braços, com a plama da mão virada para trás, movimentando os dedos e flexionando o punho para trás, como o gesto feito pelos guardadores de carro quando dizem "venha, venha mais";&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Só sua palavra não passará. Não, não, passará = balançar os antebraços de um lado para o outro (direita-esquerda, direita-esquerda, oito vezes) com a mão fechada e somente o indicador apontando para cima;&lt;/p&gt;&lt;div align="justify"&gt;Não, não, não, passará = mesmo movimento anterior, marcando a pausa na passagem de um movimento para o outro, invertendo a direção (esquerda-direita, esquerda-direita, seis vezes) e aumentando a velocidade no "não, não, não", e diminuindo no "passará".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;p align="justify"&gt;De música em música (o repertório era bem vasto, e cada letra repetia muitas vezes os mesmos versos, por isso eu e Marília conseguíamos facilmente decorar e acompanhar), sermão em sermão, vivas a Santo Expedito, Evangelho e tudo mais, a missa durou duas horas. Isso mesmo, duas horas!!! Nunca fui a uma missa tão demorada. Só para o padre benzer todo mundo, de dentro e de fora da igreja, foram, no mínimo, 30 minutos.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;object width="320" height="266" class="BLOG_video_class" id="BLOG_video-df7a02ab8bb9c445" classid="clsid:D27CDB6E-AE6D-11cf-96B8-444553540000" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/get_player"&gt;&lt;param name="bgcolor" value="#FFFFFF"&gt;&lt;param name="allowfullscreen" value="true"&gt;&lt;param name="flashvars" value="flvurl=http://v21.nonxt2.googlevideo.com/videoplayback?id%3Ddf7a02ab8bb9c445%26itag%3D5%26app%3Dblogger%26ip%3D0.0.0.0%26ipbits%3D0%26expire%3D1331566719%26sparams%3Did,itag,ip,ipbits,expire%26signature%3D7421F2E15081921DF29585E45108D03B1EBF39D1.E73D7FE4DBA83970994A66B3082D59B121DD88C%26key%3Dck1&amp;amp;iurl=http://video.google.com/ThumbnailServer2?app%3Dblogger%26contentid%3Ddf7a02ab8bb9c445%26offsetms%3D5000%26itag%3Dw160%26sigh%3DK0da-T1gVy-5d3mHVYNpB_1pSrg&amp;amp;autoplay=0&amp;amp;ps=blogger"&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/get_player" type="application/x-shockwave-flash"width="320" height="266" bgcolor="#FFFFFF"flashvars="flvurl=http://v21.nonxt2.googlevideo.com/videoplayback?id%3Ddf7a02ab8bb9c445%26itag%3D5%26app%3Dblogger%26ip%3D0.0.0.0%26ipbits%3D0%26expire%3D1331566719%26sparams%3Did,itag,ip,ipbits,expire%26signature%3D7421F2E15081921DF29585E45108D03B1EBF39D1.E73D7FE4DBA83970994A66B3082D59B121DD88C%26key%3Dck1&amp;iurl=http://video.google.com/ThumbnailServer2?app%3Dblogger%26contentid%3Ddf7a02ab8bb9c445%26offsetms%3D5000%26itag%3Dw160%26sigh%3DK0da-T1gVy-5d3mHVYNpB_1pSrg&amp;autoplay=0&amp;ps=blogger"allowFullScreen="true" /&gt;&lt;/object&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;A uma certa altura, comecei a ter dor de cabeça e uma leve sensação de enjôo. Devia ser por causa do calor e pelo fato de eu não ter costume de ficar muito tempo sem beber água. Chegou então o momento da comunhão. Na época em que fiz aulas de catecismo para a primeira eucaristia, aprendi que só podia receber o corpo de Cristo quem confessasse e se arrependesse dos pecados, após ter o perdão de Deus, depois de cumprir a penitência estipulada pelo padre. Só me confessei uma única vez, um dia antes da primeira comunhão. Lembro que inventei umas coisas só para ter o que falar para o padre, pois não me lembrava de nada que eu fizesse que pudesse ser classificado como pecado. Disse que mentia, o que, na verdade, era a única mentira, pois não tinha esse hábito, pelo contrário, era a primeira a me entregar quando fazia algo de errado; falei que brigava muito com minha irmã, embora o considerasse uma coisa tão natural que não entendia como aquilo podia ser pecado; e comentei que, às vezes, tinha atitudes egoístas, o que também se explicava pela idade e pelo fato de ser a primogênita, com três anos e meio de diferença para a irmã caçula. Por aqueles pecadinhos, o padre mandou rezar três ave-marias e três pai-nossos, e eu achei um absurdo. &lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Eu até gostava das aulas de eucaristia, principalmente, pela socialização com os colegas. Alunos que na escola pertenciam a turmas diferentes assistiam juntos às aulas da catequese. E, ao final de cada aula, enquanto esperávamos os pais nos buscarem, fazíamos uma bagunça. Lembro de todo mundo, na entrada do lugar onde era dado o curso, cantando e batucando num carrinho de picolé da Kibon "Entrei de gaiato no navio", música dos Paralamas, que era sucesso na época. As músicas do Camisa de Vênus, "Eu não matei Joana D'arc" e "Sílvia Piranha", além de "Bichos Escrotos", dos Titãs, que ouvíamos e cantávamos no recreio do colégio, ao som de uma radiola vermelha, ali não faziam parte do repertório, por causa dos palavrões e por respeito a Jesus, Nosso Senhor. O mais importante é que eu absorvi os ensinamentos de Cristo, principalmente, o de amor ao próximo e o princípio do perdão. Não conheço direito nem ligo para os dogmas da Igreja, mas, como se percebe, tenho uma simpatia especial pelo ritual e pela experiência coletiva da celebração da missa.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Antes de iniciar o ritual da comunhão, o padre falou que os imperfeitos, entre os quais ele se incluía, poderiam e deveriam receber o corpo de Cristo, como forma de buscar o contínuo aperfeiçoamento. Diante dessa ressalva, eu e Marília interpretamos que estávamos aptas a comungar ainda que não tivéssemos confessado os nossos pecados. Como havia muita gente, o padre e os outros ministros de Deus se dividiram para distribuir as hóstias. Chegou a minha vez, e um dos ministros olhou para mim, com a hóstia na mão, estendeu-a em minha direção e falou "o corpo de Cristo", como se esperasse que eu dissesse algo. Eu não sabia o que dizer, balancei a cabeça num gesto que significava "pode me dar que eu aceito" e abri a boca para receber a hóstia. Na vez de Marília, ela disse "Amém", quando o padre lhe ofereceu "o corpo de Cristo", mas também não tinha certeza se era isso mesmo que devia dizer.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Pode até ter sido coincidência ou haver uma explicação científica para isso, mas o certo é que após receber "o corpo de Cristo" me senti muito melhor, a dor de cabeça e o enjôo passaram logo depois. Juro para você, se não fosse isso, não teria energia para, depois de duas horas de missa, aguentar mais de uma hora de procissão, descendo e subindo ladeira, e rezando o percurso inteiro.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Apesar da divisão de tarefas, a comunhão levou tanto ou mais tempo do que a benção; afinal, os ministros de Deus repetiam a mesma frase para cada fiel e aguardavam que este abrisse a boca, para só então colocar a hóstia lá dentro. Na benção, o padre usava um super pincel de pintar parede (observem que usei o termo pincel, para não se pensar que ele estava usando um rolo embebido de água benta) e um balde de água benta, ia passando rapidamente e molhando todo mundo. &lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Quando a missa terminou, o padre convocou os presentes a saírem da igreja, para dar início à procissão. À frente do cortejo, iam os sacristãos levando tochas e incenso; em seguida, vinham os que carregavam a imagem de Santo Expedito; atrás deles, a multidão de devotos, entre eles, eu, Marília e Leo. Eu e Marília, embora cansadas, acompanhávamos com fervor as rezas e as saudações a Santo Expedito. &lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;object width="320" height="266" class="BLOG_video_class" id="BLOG_video-a53d0d53e1ea4ae8" classid="clsid:D27CDB6E-AE6D-11cf-96B8-444553540000" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/get_player"&gt;&lt;param name="bgcolor" value="#FFFFFF"&gt;&lt;param name="allowfullscreen" value="true"&gt;&lt;param name="flashvars" value="flvurl=http://v18.nonxt6.googlevideo.com/videoplayback?id%3Da53d0d53e1ea4ae8%26itag%3D5%26app%3Dblogger%26ip%3D0.0.0.0%26ipbits%3D0%26expire%3D1331566719%26sparams%3Did,itag,ip,ipbits,expire%26signature%3D810F557EAADB1E45D40C0D83D5AA6A95FA6DE218.FBD928A705D2BB826507438F25B7BAAD597E64C%26key%3Dck1&amp;amp;iurl=http://video.google.com/ThumbnailServer2?app%3Dblogger%26contentid%3Da53d0d53e1ea4ae8%26offsetms%3D5000%26itag%3Dw160%26sigh%3DK7JfP0JClPPtlnqeNG9iOKYOn10&amp;amp;autoplay=0&amp;amp;ps=blogger"&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/get_player" type="application/x-shockwave-flash"width="320" height="266" bgcolor="#FFFFFF"flashvars="flvurl=http://v18.nonxt6.googlevideo.com/videoplayback?id%3Da53d0d53e1ea4ae8%26itag%3D5%26app%3Dblogger%26ip%3D0.0.0.0%26ipbits%3D0%26expire%3D1331566719%26sparams%3Did,itag,ip,ipbits,expire%26signature%3D810F557EAADB1E45D40C0D83D5AA6A95FA6DE218.FBD928A705D2BB826507438F25B7BAAD597E64C%26key%3Dck1&amp;iurl=http://video.google.com/ThumbnailServer2?app%3Dblogger%26contentid%3Da53d0d53e1ea4ae8%26offsetms%3D5000%26itag%3Dw160%26sigh%3DK7JfP0JClPPtlnqeNG9iOKYOn10&amp;autoplay=0&amp;ps=blogger"allowFullScreen="true" /&gt;&lt;/object&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Sobre a cabeça de Leo, como revelava sua expressão facial, pairava um balãozinho, como os das histórias em quadrinhos, imaginário, no qual se lia: “que porra estou fazendo aqui?”. Aí eu digo e afirmo: isso sim é demonstração de amor e lealdade. É a prova concreta do cumprimento do juramento feito no matrimônio: “na alegria e na tristeza, na saúde e na doença...”. Acrescente-se: “em show de Ivete Sangalo e na procissão de Santo Expedito...”. Amém! &lt;/p&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_sM0y2eg_hLY/SBzg26E8EKI/AAAAAAAAANw/RgSuTqXMyMI/s1600-h/DSC02150.JPG"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5196275303986237602" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_sM0y2eg_hLY/SBzg26E8EKI/AAAAAAAAANw/RgSuTqXMyMI/s200/DSC02150.JPG" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_sM0y2eg_hLY/SBziAqE8EMI/AAAAAAAAAOA/fcu8qTKzGpY/s1600-h/DSC02139.JPG"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5196276571001589954" style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; CURSOR: hand" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_sM0y2eg_hLY/SBziAqE8EMI/AAAAAAAAAOA/fcu8qTKzGpY/s200/DSC02139.JPG" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5196276038425645234" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_sM0y2eg_hLY/SBzhhqE8ELI/AAAAAAAAAN4/cdSQV8zf92Q/s200/DSC02133.JPG" border="0" /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_sM0y2eg_hLY/SBzinqE8ENI/AAAAAAAAAOI/XULqoefSUZ8/s1600-h/DSC02141.JPG"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5196277241016488146" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_sM0y2eg_hLY/SBzinqE8ENI/AAAAAAAAAOI/XULqoefSUZ8/s200/DSC02141.JPG" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Ao final do cortejo, vinham o padre e o carro de som ― um chevette velho e acabado―, por meio do qual ele fazia as pregações e incitava os fiéis a rezarem. Nunca rezei tanto em minha vida. A cada momento, as orações, sempre um Pai Nosso e uma Ave Maria, ou vice-versa, destinavam-se a um grupo específico: os jovens que precisavam se livrar das drogas, os desempregados, os doentes, os deprimidos, os idosos, as famílias etc. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;object width="320" height="266" class="BLOG_video_class" id="BLOG_video-7efbc5c10fbc05e0" classid="clsid:D27CDB6E-AE6D-11cf-96B8-444553540000" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/get_player"&gt;&lt;param name="bgcolor" value="#FFFFFF"&gt;&lt;param name="allowfullscreen" value="true"&gt;&lt;param name="flashvars" value="flvurl=http://v2.nonxt5.googlevideo.com/videoplayback?id%3D7efbc5c10fbc05e0%26itag%3D5%26app%3Dblogger%26ip%3D0.0.0.0%26ipbits%3D0%26expire%3D1331566719%26sparams%3Did,itag,ip,ipbits,expire%26signature%3D3AACE6A63BEB01FED671B5A63A92797725313B6E.4B9FB81D1436B6E1A35E1F5080827F04F923CD7A%26key%3Dck1&amp;amp;iurl=http://video.google.com/ThumbnailServer2?app%3Dblogger%26contentid%3D7efbc5c10fbc05e0%26offsetms%3D5000%26itag%3Dw160%26sigh%3DYVJC4U2y5VtP7Rxvv7H9HmJvYpA&amp;amp;autoplay=0&amp;amp;ps=blogger"&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/get_player" type="application/x-shockwave-flash"width="320" height="266" bgcolor="#FFFFFF"flashvars="flvurl=http://v2.nonxt5.googlevideo.com/videoplayback?id%3D7efbc5c10fbc05e0%26itag%3D5%26app%3Dblogger%26ip%3D0.0.0.0%26ipbits%3D0%26expire%3D1331566719%26sparams%3Did,itag,ip,ipbits,expire%26signature%3D3AACE6A63BEB01FED671B5A63A92797725313B6E.4B9FB81D1436B6E1A35E1F5080827F04F923CD7A%26key%3Dck1&amp;iurl=http://video.google.com/ThumbnailServer2?app%3Dblogger%26contentid%3D7efbc5c10fbc05e0%26offsetms%3D5000%26itag%3Dw160%26sigh%3DYVJC4U2y5VtP7Rxvv7H9HmJvYpA&amp;autoplay=0&amp;ps=blogger"allowFullScreen="true" /&gt;&lt;/object&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_sM0y2eg_hLY/SBz06aE8ESI/AAAAAAAAAOw/7X1rzf2KX3c/s1600-h/DSC02153.JPG"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5196297354348335394" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_sM0y2eg_hLY/SBz06aE8ESI/AAAAAAAAAOw/7X1rzf2KX3c/s200/DSC02153.JPG" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;O trajeto era o seguinte: a procissão saía da igreja, descia a Rua Lopes da Cunha, dobrava na Airosa Galvão, percorria a Rua 22 de novembro, que é enorme, e subia novamente a ladeira que descemos no início.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Antes do começo da subida da ladeira, já ao fim da procissão, o padre não tinha mais fôlego nem voz e passou o microfone para uma senhora. Nesse momento, fiquei morrendo de vontade de pedir o microfone para cantar o Hino a Santo Expedito que aprendi na missa da igreja da Liberdade e que, pelo visto, eles não conheciam. O hino é uma música para cima e bem animada, muito melhor do que a que foi cantada pela senhora com sua voz idosa e esganiçada. Mas não tive coragem de pagar aquele mico, mesmo porque havia um pedaço da música de cuja letra eu não me lembrava direito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Leo já tinha atingido o limite máximo de sua extensa paciência e ficou no meio da ladeira, inclusive para fazer uma ligação para resolver mais um problema de trabalho. Eu e Marília seguimos até o final: presenciamos o momento em que a imagem foi recolhida à igreja e participamos de uma nova benção feita por outro padre. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;object width="320" height="266" class="BLOG_video_class" id="BLOG_video-af81ee68c167fac" classid="clsid:D27CDB6E-AE6D-11cf-96B8-444553540000" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/get_player"&gt;&lt;param name="bgcolor" value="#FFFFFF"&gt;&lt;param name="allowfullscreen" value="true"&gt;&lt;param name="flashvars" value="flvurl=http://v14.nonxt3.googlevideo.com/videoplayback?id%3D0af81ee68c167fac%26itag%3D5%26app%3Dblogger%26ip%3D0.0.0.0%26ipbits%3D0%26expire%3D1331566719%26sparams%3Did,itag,ip,ipbits,expire%26signature%3D16E8064587D0EBB3E3B042EBDACD153FD365BF28.A0B46F250694E8A0E4FEEA86440F88F9BF98067%26key%3Dck1&amp;amp;iurl=http://video.google.com/ThumbnailServer2?app%3Dblogger%26contentid%3Daf81ee68c167fac%26offsetms%3D5000%26itag%3Dw160%26sigh%3DdJeKYO5hIhD8JVBLGeNF03TBGf4&amp;amp;autoplay=0&amp;amp;ps=blogger"&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/get_player" type="application/x-shockwave-flash"width="320" height="266" bgcolor="#FFFFFF"flashvars="flvurl=http://v14.nonxt3.googlevideo.com/videoplayback?id%3D0af81ee68c167fac%26itag%3D5%26app%3Dblogger%26ip%3D0.0.0.0%26ipbits%3D0%26expire%3D1331566719%26sparams%3Did,itag,ip,ipbits,expire%26signature%3D16E8064587D0EBB3E3B042EBDACD153FD365BF28.A0B46F250694E8A0E4FEEA86440F88F9BF98067%26key%3Dck1&amp;iurl=http://video.google.com/ThumbnailServer2?app%3Dblogger%26contentid%3Daf81ee68c167fac%26offsetms%3D5000%26itag%3Dw160%26sigh%3DdJeKYO5hIhD8JVBLGeNF03TBGf4&amp;autoplay=0&amp;ps=blogger"allowFullScreen="true" /&gt;&lt;/object&gt;&lt;/p&gt;&lt;div align="justify"&gt;Se você chegou até aqui, meus parabéns! Isso mostra uma persistência e resistência iguais ou maiores do que as que tivemos no Dia de Santo Expedito, enfrentando duas horas de missa e mais uma, de procissão. Espero que, diante de tamanho esforço, você tenha encontrado alguma recompensa. Após esse longo e pormenorizado relato, se pode perceber (não sei se você compartilhará da mesma percepção) quão rico é viver uma experiência como a que foi aqui narrada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que me motiva a incluir experiências como essa na minha história de vida é algo, de certa forma, semelhante ao que me fez querer: voar de paraglide, em Arraial D’Ajuda; fazer um mergulho de cilindro, em Fernando de Noronha; saltar de pára-quedas, na Ilha de Itaparica; fazer uma trilha de quatro dias, andando cerca de 11 horas por dia, dormir, sem tomar banho, numa barraca, a quatro graus abaixo de zero, antes de chegar em Machu Picchu; me vestir de Cinderela, junto com minhas amigas vestidas de Branca de Neve, Bela (a da Fera) e Alice (a do País das Maravilhas), e levar brinquedos, alimentos e diversão para crianças com câncer etc. Ou seja: a necessidade de sair da rotina e experimentar sensações diferentes. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_sM0y2eg_hLY/SBzjU6E8EOI/AAAAAAAAAOQ/lXVD1O6VFDI/s1600-h/queda+livre2.JPG"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5196278018405568738" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_sM0y2eg_hLY/SBzjU6E8EOI/AAAAAAAAAOQ/lXVD1O6VFDI/s200/queda+livre2.JPG" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;/p&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_sM0y2eg_hLY/SBzmYKE8ERI/AAAAAAAAAOo/16JJinhEBVA/s1600-h/DSC04668.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5196281372775026962" style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; CURSOR: hand" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_sM0y2eg_hLY/SBzmYKE8ERI/AAAAAAAAAOo/16JJinhEBVA/s200/DSC04668.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5196280165889216770" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_sM0y2eg_hLY/SBzlR6E8EQI/AAAAAAAAAOg/RseDB26G8w0/s200/DSC02750.JPG" border="0" /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p align="justify"&gt;A rotina sempre me foi nociva, desde criança. Como durante a nossa infância morávamos em casa e não tínhamos a oportunidade de brincar e jogar conversa fora com os amigos do prédio no playground, como faziam nossos colegas que moravam em apartamento, eu e Marília tínhamos de inventar o que fazer, para não sucumbir ao tédio. Uma vez pegamos a receita de churros de um cara que os vendia na porta do colégio, e, como não tínhamos a máquina apropriada para dar forma à massa, nossos churros ficaram horrorosos. Então, para dar um colorido aos bolinhos amorfos, resolvemos colocar, na massa, anilina verde e amarela, que minha mãe tinha comprado para decorar o último de nossos bolos de aniversário. O gosto também não tinha nada a ver com o dos churros que comíamos no recreio, e a receita recebeu o nome de “churros de Sarney”. Além da referência às cores que simbolizavam o nosso país, os churros eram tão ruins quanto o governo do primeiro presidente da República pós-ditadura.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Houve um dia em que resolvemos fazer um piquenique no jardim da vizinha. Essa nos expulsou de lá e nos perguntou rispidamente por que escolhemos o jardim dela e não o da nossa casa como local para o piquenique. Para nós, a resposta era óbvia: porque queríamos fazer uma coisa que fugisse ao habitual. A partir daquele dia, a apelidamos de “vaca rabugenta”, mas, como éramos crianças, não tínhamos noção da conotação pejorativa que hoje sabemos que o termo “vaca” tem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma vez decidi fazer uma pesquisa de opinião. A arrumadeira da nossa casa era fã de &lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=62yKoVxdMik"&gt;Amado Batista&lt;/a&gt;, e eu defendia que somente ela gostava daquelas músicas de corno. Para tirar a teima, peguei um caderno e de cima do muro, gritava e perguntava a todo mundo que passava na rua: “Você gosta de Amado Batista?”. Era final de tarde, o horário em que os estudantes do Colégio São Paulo e os operários que trabalhavam no bairro do Itaigara, nas obras das redondezas, voltavam para suas casas. Como o número de operários que passaram pela porta da minha casa foi bem maior do que o de estudantes, a empregada lá de casa ficou toda feliz com o resultado da pesquisa, que mostrava que eu estava errada quanto à popularidade de Amado Batista.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mesmo guria, um dia consegui parar a construção de um prédio em frente à minha casa (este estava sendo erguido na rua de baixo; e entre essa rua e a minha, existia uma área de mata verde, que separava minha residência do então futuro prédio). Havia um escorregador no meio do jardim da minha casa. Do alto dele, comecei a cantar “Como uma deusa”, imitando os trejeitos de Rosana. O vento era favorável e levava o meu canto até a obra. Ao final, todos os operários, que haviam parado o serviço para me assistir, aplaudiram a minha performance.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outra coisa que fazíamos com freqüência, quando eu já era adolescente, Marília ainda não, era colocar músicas clássicas nas alturas, como “Bolero de Ravel” e “Carmina Burana”, e sair pulando e dançando pela casa e pelo jardim. Para mim, particularmente, aquilo era um ótimo remédio anti-monotonia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fernanda, minha amiga, deve se lembrar do dia em que me emprestou um vestido (eu tinha ido para casa dela direto do colégio e não tinha levado roupa) para irmos ao Shopping Barra. Como em mim o vestido ficou parecendo roupa de grávida, amarrei uma almofada na barriga e fui assim para o shopping, para nos divertirmos com a minha encenação de gravidez na adolescência. Como parte dos atos da minha comédia, tirei uma foto no meio da seção de bebê na ala infantil da C&amp;amp;A, entrei numa loja para perguntar o preço de um berço e disse à funcionária da McDonald’s que estava com desejo de comer um McChicken.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Creio que esses antecedentes também ajudam a explicar o que muitos não entendem: que graça vemos eu e Marília em participar de um evento como ao que fomos em Niterói no dia 19 de abril. Por fim, com a publicação desse texto aqui no blog (obedecendo à orientação que acompanha a oração a Santo Expedito publicada no verso dos santinhos que são distribuídos aos milhares pelos féis cujos pedidos foram atendidos), eu já agradeço antecipadamente a graça que Santo Expedito há de me conceder, com a prontidão que o caracteriza, retribuindo com a propagação de seu nome para todos que têm fé. Viva Santo Exxxxpeditôôô!!!!! &lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9082002872150641558-7579663386323032002?l=cristianaserra.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='enclosure' type='video/mp4' href='http://www.blogger.com/video-play.mp4?contentId=7efbc5c10fbc05e0&amp;type=video%2Fmp4' length='0'/><link rel='enclosure' type='video/mp4' href='http://www.blogger.com/video-play.mp4?contentId=a53d0d53e1ea4ae8&amp;type=video%2Fmp4' length='0'/><link rel='enclosure' type='video/mp4' href='http://www.blogger.com/video-play.mp4?contentId=af81ee68c167fac&amp;type=video%2Fmp4' length='0'/><link rel='enclosure' type='video/mp4' href='http://www.blogger.com/video-play.mp4?contentId=b0539c33da02a1f9&amp;type=video%2Fmp4' length='0'/><link rel='enclosure' type='video/mp4' href='http://www.blogger.com/video-play.mp4?contentId=b50c8d3be73efe6&amp;type=video%2Fmp4' length='0'/><link rel='enclosure' type='video/mp4' href='http://www.blogger.com/video-play.mp4?contentId=df7a02ab8bb9c445&amp;type=video%2Fmp4' length='0'/><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cristianaserra.blogspot.com/feeds/7579663386323032002/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9082002872150641558&amp;postID=7579663386323032002' title='8 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9082002872150641558/posts/default/7579663386323032002'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9082002872150641558/posts/default/7579663386323032002'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cristianaserra.blogspot.com/2008/05/por-cris-em-cris-com-cris-viva-santo.html' title='Por Cris, em Cris, com Cris. Viva Santo Exxxxxpeditôôô!!!!'/><author><name>Cris</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05164885794284654292</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_sM0y2eg_hLY/SBnp_aE8D8I/AAAAAAAAAMA/ARMekpXUb3A/s72-c/DSC02129.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>8</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9082002872150641558.post-6617032514548626538</id><published>2008-04-12T12:03:00.061-03:00</published><updated>2008-04-14T11:39:05.818-03:00</updated><title type='text'>Dicas para quem malha na rua: como manter a auto-estima e a disciplina</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;SE VOCÊ ACHAR QUE O TEXTO SEGUINTE É MUITO LONGO, PULE A PRIMEIRA PARTE E DESÇA O CURSOR ATÉ O PONTO EM QUE SE INICIA O QUE REALMENTE INTERESSA: AS SEIS DICAS VALIOSAS PARA QUEM MALHA NA RUA.&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Esse texto talvez se enquadre na categoria prestação de serviços. Já que elenca uma série de dicas, tem parentesco com o gênero guia/manual. Ao mesmo tempo, faz fronteira também com o gênero auto-ajuda, pois reúne conselhos, fundamentados na minha experiência pessoal, que podem perfeitamente ser adotados pelas leitoras fêmeas e, quem sabe até, pelos leitores machos, com as devidas adaptações, uma vez que predomina uma visão feminina do assunto em questão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sempre malhei num ambiente criado para tal finalidade e com acompanhamento de um (ou até mais de um) profissional. Numa época de vacas gordas (me refiro aqui ao aspecto financeiro), e justamente para não me tornar uma delas, cheguei até a recorrer aos serviços de um personal trainer, para poder entrar num vestido que eu já comprei bem justo, na esperança e sob a promessa de emagrecer. Ao contrário do que havia planejado, um ano depois de tê-lo inaugurado num casamento, eu me via na obrigação de afinar a silhueta se quisesse usá-lo novamente no casamento de outra amiga. Gostei tanto do trabalho do personal e dos resultados obtidos que, em vez das dez sessões que tinha acertado inicialmente, acabei fazendo aula com ele durante mais de um ano. Trata-se de um profissional muito sério e extremamente competente, mas, infelizmente, quando a grana apertou um pouco, foi o primeiro a dançar, como medida do plano emergencial de redução de custos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Antes do &lt;em&gt;Personnalité&lt;/em&gt; ― como sou cliente do Itaú e recebo dezenas de correspondências, com&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_sM0y2eg_hLY/SADakU_g4wI/AAAAAAAAALg/1ToPLJl3mo8/s1600-h/logo_itau_personalite.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5188387088376062722" style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; CURSOR: hand" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_sM0y2eg_hLY/SADakU_g4wI/AAAAAAAAALg/1ToPLJl3mo8/s200/logo_itau_personalite.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; informes, promoções, extratos etc., minha mãe deu esse apelido ao meu treinador ―, já tinha feito de um tudo em matéria de atividade física. Até os 13 anos, freqüentava as aulas de educação física no colégio, que não eram muito estimulantes. Desde a infância, e mais ainda na adolescência, minha autocrítica era muito forte (na verdade, eu só gostava das coisas em que me destacava), e por isso não dei continuidade às aulas de dança moderna. Uma professora de dança disse para minha mãe que até minha “maria-mole” (devia ser algum exercício de aquecimento) era dura, portanto, era mais recomendável me deixar na dança moderna mesmo (acho que hoje chamam de dança contemporânea) do que me colocar no balé.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nos esportes coletivos, eu era a mediocridade em pessoa. Desisti do volley, na primeira aula, no exato momento em que dei o primeiro saque: além de morrer na rede, este saiu completamente&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_sM0y2eg_hLY/SADRtk_g4hI/AAAAAAAAAJo/FhCgaiwE28k/s1600-h/saque.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5188377351685202450" style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; CURSOR: hand" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_sM0y2eg_hLY/SADRtk_g4hI/AAAAAAAAAJo/FhCgaiwE28k/s320/saque.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; torto e sem rumo. Hoje penso e me comporto de forma totalmente diferente, mas, na minha megalomania adolescente, como eu tinha consciência de que nunca chegaria a ser autora de uma jornada no teto do ginásio de esportes (“jornada nas estrelas”, obviamente, não passava pela minha cabeça nem em sonho; apesar da megalomania, eu tinha discernimento crítico), preferi me poupar do vexame que o processo de aprendizado implicaria. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;As aulas de educação física, mesmo com toda a sua mesmice, também tinham seus atrativos: um menino da sétima E (eu era da C), que eu paquerava, fazia aula no mesmo horário que eu. Mas, como tantas outras daquele tempo, a paquera ficou apenas no nível platônico. Nunca tive a oportunidade de fazer com ele um daqueles alongamentos que se faz em dupla, embora sempre colocasse meu colchonete não muito distante do dele.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na oitava série, antes de completar 14 anos, me matriculei numa academia, e aquilo para mim foi a glória, afinal, até então, o fato de não fazer balé como minhas amigas, por pouco não virou um trauma e era motivo de inveja. Como as coreografias de aeróbica eram bem mecânicas, meu nível de coordenação motora era suficiente para acompanhá-las. No entanto, havia uma condição básica: eu tinha de ficar colada no espelho, ninguém podia ficar na minha frente; se eu fizesse a aula do meio para o fundo da sala, ficava feito barata tonta. Por isso, escolhia sempre os horários e as turmas das coroas, para não ter de enfrentar a concorrência das patricinhas marombeiras exibidas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu só gostava dos exercícios aeróbicos e localizados; até hoje, nunca fiz musculação. Passei anos malhando em academia, desde o tempo em que “Sweet Dreams” era a música da vez e se usava fita cassete em vez de CD. Ainda cheguei a pegar a fase do início das aulas de Spinning e Body Combat. Na segunda modalidade, eu me divertia horrores com os golpes de luta que inspiravam os passos da coreografia, os quais eram sincronizados com efeitos sonoros que simulavam os ruídos de socos, chutes e afins. E sempre ria do ridículo alheio, ao ver as caras de mau que algumas criaturas faziam. As aulas de spinning também eram ótimas, mas sempre me rendiam ligeiras lesões no joelho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu tinha uma colega de faculdade que era amiga do povo da Escola de Dança da Ufba e me&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_sM0y2eg_hLY/SADSpE_g4kI/AAAAAAAAAKA/vcaF_dwsjTQ/s1600-h/pilates_performance_ph_home.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5188378373887418946" style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; CURSOR: hand" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_sM0y2eg_hLY/SADSpE_g4kI/AAAAAAAAAKA/vcaF_dwsjTQ/s200/pilates_performance_ph_home.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; apresentou à técnica de Pilates, que hoje é super conhecida, mas, em 1996, eram pouquíssimas pessoas que a ela se dedicavam. Foi amor à primeira contração de abdômen. Digo isso, porque só descobri como realmente se contrai o abdômen ― num movimento que chamam de “sorriso” ―, quando comecei a fazer Pilates. Aliás, é bem interessante o método didático de dar nomes metafóricos aos exercícios, para que, com a visualização mental de uma &lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_sM0y2eg_hLY/SADS-k_g4lI/AAAAAAAAAKI/0Zda1FaPHrw/s1600-h/pilates-stock2-352X257.gif"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5188378743254606418" style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; CURSOR: hand" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_sM0y2eg_hLY/SADS-k_g4lI/AAAAAAAAAKI/0Zda1FaPHrw/s200/pilates-stock2-352X257.gif" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;imagem, se adquira a consciência corporal necessária para a sua correta realização. E assim há o “sorriso” (para indicar a contração, principalmente, da região infra-abdominal), o “beijinho” (para indicar a contração do períneo e dos pequenos glúteos), a “asa” (para indicar o movimento de abaixar as escápulas), e por aí vai. Existem outros que têm um nome fantasia como forma de estímulo, por exemplo: um abdominal chamado “eu me amo”; um exercício de glúteo denominado “biquíni”; e outro que, além da região glútea, trabalha adutores e abdutores, apelidado de “Carla Perez”. É claro que algumas dessas &lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_sM0y2eg_hLY/SADSo0_g4jI/AAAAAAAAAJ4/x4YmsAMkcME/s1600-h/poster-pilates.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5188378369592451634" style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; CURSOR: hand" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_sM0y2eg_hLY/SADSo0_g4jI/AAAAAAAAAJ4/x4YmsAMkcME/s200/poster-pilates.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;denominações são bem regionais; em outros lugares do país, devem ter outros nomes, quando não são usados os nomes originais em inglês. Conheci um professor de Pilates, que é dono de uma academia no Rio de Janeiro, e, numa conversa, comentei do “beijinho”. Pela cara que ele fez, no mínimo, achou que aquilo era uma indireta e que eu estava dando em cima dele, o que também tinha lá seu fundo de verdade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fiz Pilates até começar as aulas com o &lt;em&gt;Personnalité&lt;/em&gt;. Mas, ao longo desse longo período de tempo ― mais de dez anos ―, sempre procurei fazer uma atividade complementar, até como forma de quebrar a rotina. Adorava a natação, mas, quando comecei a notar que meus ombros estavam ficando largos demais e meus braços muito fortes, parei, porque acho que esses traços não combinam com a anatomia feminina. Aí veio a “fase dança”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com a idade e a maturidade decorrente da experiência, a gente acaba perdendo o medo do ridículo, principalmente se pagamos as nossas contas. Foi com essa visão que inventei de fazer dança afro. Como na minha turma havia uma gringa e duas coroas bem mais desengonçadas do que eu, diante delas, me achava a dançarina, apesar de não conseguir superar a dependência do espelho e realizar direito determinados movimentos de ombro, abrindo e fechando o peitoral. O ijexá e as coreografias dos orixás femininos, como Oxum e Iemanjá, eram até fáceis de dançar, mas, quando entravam os passos rápidos dos orixás guerreiros, como Ogum e Oxossi, aí o bicho pegava, e não tinha santo que fizesse baixar a freqüência cardíaca. As aulas tinham até música ao vivo, atabaques e agogôs, mas o professor saiu da escola de dança na Pituba e foi dar aula no Pelourinho, em uns horários de desocupado (esquema 10h da manhã, 4h da tarde), e eu tive de partir para outra coisa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em uma de minhas incursões e experimentações no campo da dança, fiz um curso de três dias, de H&lt;em&gt;ip Hop,&lt;/em&gt; com um dançarino chamado Fly. Só fui saber que ele era coreógrafo de Xuxa e do programa de Luciano Huck depois que havia me matriculado. Tinha visto o cartaz no lugar onde eu fazia Pilates, e as aulas seriam numa escola de Jazz, cuja dona eu conhecia por já ter feito com ela aulas de Pilates, anos antes, numa outra academia. No momento da matrícula, fui informada de que havia turmas de iniciantes, alunos intermediários e avançados. Optei pela de iniciantes. A atendente ainda perguntou se eu não queria mesmo ficar na de alunos intermediários, mas eu interpretei aquilo como se ela estivesse achando que eu estava subestimando meu potencial.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando dei de cara com a turma, entendi que a observação dela era, na verdade, uma advertência. A aluna mais velha da sala tinha doze anos e a minha altura, as demais não batiam nem no meu ombro e tinham uma média de nove anos de idade, enquanto eu tinha 28. O professor era gente boa e engraçadíssimo, e fez de tudo para que eu me sentisse integrada. E a parte da aula de que eu mais gostava eram as maluquices e palhaçadas que ele nos obrigava a fazer, com o objetivo de diminuir a auto-censura no momento de aprender a coreografia. Quando ele começava a ensinar os passos de &lt;em&gt;Hip Hop&lt;/em&gt;, aí eu tinha de me virar nos 30. E nem podia ficar &lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_sM0y2eg_hLY/SADT-k_g4mI/AAAAAAAAAKQ/XZxsVyPq57M/s1600-h/curso+com+fly.bmp"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5188379842766234210" style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; CURSOR: hand" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_sM0y2eg_hLY/SADT-k_g4mI/AAAAAAAAAKQ/XZxsVyPq57M/s320/curso+com+fly.bmp" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;colada no espelho, para não encobrir as crianças de nove anos. O pior é que acabei virando a mascote da turma, e o tempo todo era Crixxxxx (ele carregava no sotaque carioca) pra lá, Crixxx pra cá, Crixxx faz a contagem, vamos lá, Crixxx, vamos ver se todo mundo entendeu, Crixxx faz primeiro...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O curso foi de sexta a domingo. No sábado, fiz um &lt;em&gt;reggae&lt;/em&gt; pesado, cheguei em casa às 4h da madrugada, e a aula de &lt;em&gt;Hip Hop&lt;/em&gt; começaria às 8h, no domingo, e eu não poderia faltar. No final da manhã, dançaríamos a coreografia completa. Para meu desespero, vários pais e mães apareceram para assistir a suas filhas, e cada aluna teria de dançar a coreografia sozinha. No grupo, quando eu esquecia os passos, recorria a alguma menininha esperta que estivesse no meu campo de visão e imitava tudo, obviamente com um inevitável e quase imperceptível &lt;em&gt;delay&lt;/em&gt;. Mas ali eu teria de dançar sozinha, &lt;em&gt;completely alone&lt;/em&gt;, e sob o olhar de toda aquela platéia. A primeira a dançar a coreografia foi a mais nova da turma, que era 20 anos mais nova do que eu. E a segunda, fui euzinha minha pessoa própria. Tive alguns lapsos, mas acho que até consegui disfarçá-los, e, quando concluí a minha dança, os aplausos foram calorosos, muito provavelmente devido à minha coragem e cara de pau. Os comentários de algumas mães e das funcionárias da escola confirmavam a minha impressão. Vou lhe dizer: foi um mico gigante, King Kong vitaminado com Biotônico Fontoura, mas valeu a pena, até porque de pequena eu não tinha nem a alma nem a idade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois daquela experiência, eu poderia enfrentar qualquer desafio e acabei me descobrindo uma grande bailarina no futebol. Isso por causa dos meus saltitos ao dominar a bola e por jogar com a coluna ereta, os braços erguidos num ângulo de 45 graus em relação ao tronco e a palma da mão aberta, na altura dos quadris. É questão de aerodinâmica: esse é o modo como meu &lt;em&gt;corpitcho&lt;/em&gt; de avião (no meu caso, um avião da FAB ― Força Aérea Brasileira ― ; um dia ainda hei de chegar a Airbus, quiçá, a Concorde) mantém o equilíbrio. Todo mundo dá risada do meu estilo e da minha estética em quadra, e não há quem não reclame da forma como uso os tais bracinhos na marcação (nesse aspecto, me inspiro em Dunga quando era jogador da seleção brasileira. Pelo menos, no corpo a corpo, tenho a raça de Emmerson; por isso, além da chuteira, uso caneleira e tensor para proteger os joelhos e tornozelos). Jogo de ala e, na corrida, não faço feio; do resto, não posso falar o mesmo. No que se refere à garra ao jogar na minha lateral e à diferença de idade em relação à média da equipe, me igualo a Cafu. Fora isso, sou aquela jogadora que incentiva as colegas e levanta o moral do time. E meus gols são sempre os mais comemorados, justamente pelo princípio da raridade e porque sempre invento uma dancinha para honrar meu apelido de bailarina. Depois que comecei o Doutorado, ainda não arranjei tempo para voltar a jogar bola. E isso não é desculpa. A galera com que costumava jogar é tão fominha que as partidas são sempre intermináveis.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_sM0y2eg_hLY/SADVZ0_g4pI/AAAAAAAAAKo/TZbgMGHtMvE/s1600-h/lateral.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5188381410429297298" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_sM0y2eg_hLY/SADVZ0_g4pI/AAAAAAAAAKo/TZbgMGHtMvE/s320/lateral.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_sM0y2eg_hLY/SADU7U_g4oI/AAAAAAAAAKg/ou40DYLwCnU/s1600-h/IMG_0116.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5188380886443287170" style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; CURSOR: hand" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_sM0y2eg_hLY/SADU7U_g4oI/AAAAAAAAAKg/ou40DYLwCnU/s320/IMG_0116.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quase ia me esquecendo de contar da "fase zen" da época em que me dedicava à Yoga. Quer dizer, nem era tão zen assim, pois não &lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_sM0y2eg_hLY/SADSLU_g4iI/AAAAAAAAAJw/z_gD6_mf07U/s1600-h/ashtanga2oq5.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5188377862786310690" style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; CURSOR: hand" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_sM0y2eg_hLY/SADSLU_g4iI/AAAAAAAAAJw/z_gD6_mf07U/s320/ashtanga2oq5.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;me tornei “fala mansa” (é como eu classifico aquelas pessoas que freqüentam restaurante vegetariano e falam devagar e baixinho, mesmo quando não estão numa galeria de arte ou num concerto de música erudita) e mal conseguia decorar os mantras que eram cantados antes de começar os exercícios e ao final da aula; apenas desfrutava do bem estar e do controle emocional que a prática proporcionava. Como eu fazia a modalidade ashtanga (a mesma que Madonna faz), suava mais do que no baba. No início, levei mais de um mês para perder o medo de fazer o shirshasana (posição equivalente a plantar bananeira) e até hoje não consigo fazer essa postura (esse é o termo usado na Yoga) sem o auxílio da parede. Lembro bem do dia em que tomei coragem e finalmente decidi que estava preparada para ficar de cabeça para baixo. A professora contou para a turma uma passagem que leu no livro de Nuno Cobra, treinador físico de Ayrton Senna, que dizia que este só deslanchou na sua carreira de piloto de Fórmula 1, após ter conseguido dar um salto mortal. O comentário da professora, pelo menos em mim, surtiu o efeito por ela desejado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A partir desse meu amplo e diversificado histórico, vocês agora têm condições de imaginar o quanto tem sido difícil para mim enfrentar a solidão e manter a disciplina de malhar por conta própria na rua. Deixei de fazer as aulas com o &lt;em&gt;Personnalité&lt;/em&gt; ao meu lado, mas continuo sob o acompanhamento dele, embora este se dê de forma virtual. Explico: o &lt;em&gt;Personnalité&lt;/em&gt; toda semana me envia por e-mail uma planilha, prescrevendo os exercícios que tenho de fazer a cada dia, e cobra bem mais barato por esse serviço. Obviamente, não é a mesma coisa, mas já garante que eu faça os exercícios de modo eficiente, sem moleza ou exagero. É claro que ter o papelzinho ali dizendo o que tenho de fazer e como devo fazer (freqüência cardíaca mínima e máxima durante o treino, tempo de corrida, intervalos de descanso, séries de abdominais, exercícios de braço, agachamentos etc.), além de ter a obrigação de dar um retorno do que fiz para o &lt;em&gt;Personnalité &lt;/em&gt;(até para que ele possa gradualmente aumentar o nível de dificuldade; afinal, sem evolução, não há solução), já funciona com uma cobrança que me ajuda a cumprir o treinamento físico conforme o que foi prescrito. Ainda assim, tive de desenvolver todo um planejamento estratégico para manter a disciplina e obter o ânimo necessário para fazer minhas atividades físicas de forma eficaz e prazerosa. E é isso o que pretendo compartilhar com vocês. Sigam os meus passos rumo ao um estilo de vida saudável e não se arrependerão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;SEIS DICAS VALIOSAS PARA QUEM MALHA NA RUA&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;1) Tenha um ídolo como referência e visualize seus objetivos&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Nem tive de ler “O Segredo” para chegar à conclusão de que visualizar onde você quer chegar é fundamental para chegar lá. Essa frase foi de uma profundidade que Deus me perdoe, mas é preciso considerar que foi com frases como essa que “O Segredo” deixou de sê-lo e foi propagado aos quatro ventos, se tornando um best-seller no mundo inteiro. O meu segredinho deve ser utilizado particularmente nos dias em que por conta do tempo (tanto no sentido cronológico como climático) não dá para malhar na rua. O que faço eu quando isso acontece?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como tenho uma esteira em casa, faço aquela caminhada sem sair do lugar. A dica para não cair no tédio profundo e desistir de seguir em frente (embora sem ir a lugar nenhum) é encontrar o ossinho do cachorro, a cenourinha do coelho e a sardinha do golfinho do &lt;em&gt;Sea World&lt;/em&gt;. Parece viagem, mas ainda não endoidei por completo. Quem entende de behavourismo sabe do que estou falando. O esquema é simples (e por isso muitas vezes foi empregado de forma simplista): Estímulo-Resposta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No meu caso, basta usar um DVD como estímulo enquanto me exercito na esteira. Coloco o DVD de Ivete e fico imaginando que com aquele exercício ficarei com uns pernões de abalar, sacudir, balançar o Maracanã (uma vez que a Fonte Nova, além de ser menor, depois de já ter sacudido, está totalmente abalada). Ou então assisto a um DVD de Shakira &lt;em&gt;y me quedo piensando que voy a tener una barriga así como la tiene ella&lt;/em&gt; (&lt;em&gt;ojos negros ya los tengo&lt;/em&gt;). Uma terceira opção é um DVD de Madonna. Esse me faz pensar que, quando eu chegar na idade dela, estarei &lt;em&gt;shyny and new like a virgin&lt;/em&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_sM0y2eg_hLY/SADYYE_g4sI/AAAAAAAAALA/ooZgnmU8ZaY/s1600-h/Capa-IveteSangalo_MultishowAoVivo.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5188384678899409602" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_sM0y2eg_hLY/SADYYE_g4sI/AAAAAAAAALA/ooZgnmU8ZaY/s200/Capa-IveteSangalo_MultishowAoVivo.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_sM0y2eg_hLY/SADaKU_g4vI/AAAAAAAAALY/sc4o8-86Vb8/s1600-h/madonna.bmp"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5188386641699463922" style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; CURSOR: hand" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_sM0y2eg_hLY/SADaKU_g4vI/AAAAAAAAALY/sc4o8-86Vb8/s200/madonna.bmp" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5188386323871884002" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_sM0y2eg_hLY/SADZ30_g4uI/AAAAAAAAALM/hjNmcoDeRqg/s200/shakira-dvd.jpg" border="0" /&gt; &lt;p align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Se você não tiver uma esteira em casa, coloque os DVDs e fique imitando as coreografias das divas da música, pois isso já queima umas calorias. Se não tiver DVD, aí, minha amiga, use a imaginação que ela tem poder. Esse é o segredo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;2) Chame uma amiga para malhar com você&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Malhar com uma amiga é sempre bom, não só pela companhia. Por maior que seja a amizade, o espírito de competitividade é inevitável, isso é da natureza do ser humano, da ser humana, principalmente. Quando você, durante a corrida, já está botando os bofes para fora e avista a sua amiga leve e fagueira correndo na sua frente, vai tirar de dentro de si uma energia que nem sabia que ainda tinha, para concluir todo o percurso. “Se ela pode, eu posso” é o que você pensa, mesmo se não estiver podendo. E se por acaso ela também estiver na mesma situação, com os bofes para fora, e resolver parar, aí seu sentimento de frustração por não estar com o almejado preparo físico torna-se bem menor. E se isso lhe trouxer satisfação, você ainda pode dizer para ela: “Amiga, eu até agüentaria correr mais uns 15 minutos, mas parei para lhe fazer companhia”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Só não vale esquecer a malhação e aproveitar que a amiga está ali, para fofocar. A regra é clara: cada uma corre com o seu mp3 no ouvido, e a conversa fica para a hora do alongamento final. Se a fofoca estiver acumulada, tomar uma água de côco depois da corrida, além de hidratar, é uma maneira de colocar o papo em dia. Exercício que queima calorias é aquele em que o esforço é tão grande a ponto de a pessoa não conseguir conversar. Isso é unanimidade entre os preparadores físicos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;3) O repertório musical do seu mp3 pode ser um ótimo aliado&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu utilizo a seguinte seqüência musical para cada tipo de treino e etapa da malhação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;3.1) Para o momento do aquecimento:&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;É bom já começar com uma música animadinha e que faça com que você se sinta poderosa. O funk do MC Marcinho é excelente para esse momento inicial. A idéia é que, mesmo suada e de tênis, você se sinta glamourosa como uma rainha. Só assim você terá o ânimo necessário para adquirir um corpo de sereia que lhe possibilitará fazer parte do grupo de “mulheres saradas, lindas, deslumbrantes”. Bem excitantes serão os olhares masculinos quando você estiver em condições de empinar o popozão e agitar o salão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;3.2) Para a etapa da corrida:&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ficar sonhando e se achando é condição necessária, mas não suficiente. É preciso descer até o chão e encarar a realidade. Se a corrida for de resistência (aquela em que você mantém o ritmo e fica mais tempo correndo), vale a pena atravessar o túnel do tempo e colocar uma música como “Eye of Tiger” (da trilha sonora de Rocky não lembro o número). Na parte do “tam! tam, tam, tam! tam, tam, taaaam...”, você se enche de gás e dá a partida. Quando entrar a letra ― &lt;em&gt;“risin' up, back on the street, did my time, took my chances”&lt;/em&gt; ―, aí é só manter um ritmo constante até a reta de chegada. Ao longo de todo o percurso, o pensamento deve ser um só: “&lt;em&gt;I’m back on my feet, just a woman and her will to survive”&lt;/em&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas, se o treino for de velocidade, para ter pique, é necessário um tratamento de choque. Nesse caso, a trilha sonora de "Tropa de Elite" é o que há de melhor. Você tem de pensar que está num treinamento do Bope e que não pode desistir. É infalível! Você aperta o &lt;em&gt;play&lt;/em&gt;, e o tiro de largada será a frase: “Agora o bicho vai pegar!”. Aí você sai correndo a toda velocidade e vai passando pelas pessoas como se estivesse vivenciando o que diz a música: “Eu tô! Que eu tô chegando, tô chegando e é de bicho, pode parar com essa marra, pode parando tudo isso...”. Só quando não tiver mais fôlego e mais perna, você para, descansa de um a dois minutos e começa tudo de novo. Bastam cinco séries como essa, e você atinge o nível de “aspira”. Para fazer parte da Tropa de Elite, é preciso muito mais do que isso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;3.3) Para o momento de voltar à calma, ao final do treino:&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se você fez tudo direitinho, chegou o momento de gozar do sentimento de meta cumprida. Enquanto você anda mais uns 10 minutos para recuperar o fôlego ― não é recomendável parar de vez, a volta à calma tem de ser progressiva ―, esse é o instante ideal para ouvir algo que levante a sua auto-estima, mesmo porque você merece que ela esteja alta depois de tanto esforço. A sensação de prazer e bem estar provocada pela presença em seu organismo das serotoninas produzidas durante a atividade física pode ser acentuada se você escolher a música certa. Você pode até não gostar do pagodão, mas garanto, por experiência própria, que faz um bem enorme para o ego ouvir Márcio Victor, do Psirico, cantando “ela é toda boa, toda boa, toda boa, ai, ai, ela é toda boa”. Para potencializar ainda mais esse efeito, você internaliza essa música no íntimo do seu ser, repetindo o refrão na primeira pessoa do singular. Se, depois disso, você, ao se aproximar do seu carro e ver seu reflexo no vidro, não se achar “toda boa”, aí, minha filha, vou ter de lhe dizer: você é problemática, você é problemática.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;4) Malhar, na rua, principalmente, levanta a auto-estima&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bote uma roupa justinha, faça um rabo de cavalo e passe um batom antes de correr. Se você for ajeitadinha como eu, tenha certeza de que pelo menos um &lt;em&gt;brau&lt;/em&gt; vai falar “Que sssssaúde!”, quando você passar por ele andando ou correndo. Basta um “gostosa”, independentemente da procedência, para você voltar para casa mais feliz do que saiu. E &lt;em&gt;brau&lt;/em&gt; aqui em Salvador, na Barra, principalmente, tem uma criatividade que é brincadeira. Se um gatinho vier no sentido contrário, correndo também, e a luz dos olhos dele cruzar com os olhos seus, e ele, com o suor escorrendo sobre o corpo, der aquele sorrisinho, o dia, minha querida, já está ganho, mesmo se você não diminuir uma grama sequer depois da malhação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;5) Paquerar ajuda na atividade cardiovascular&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A paquera faz bem ao coração não só nos casos como o que acabei de descrever. Os benefícios cardiovasculares estão mais do que comprovados. Se onde você malha tem sempre um gatinho ou outro malhando também, a lei natural é que você tente fazer bonito, e assim seu treino se torna mais proveitoso. Tenho um exemplo que pode ser usado como dado empírico para sustentar a teoria aqui defendida. Eu já estava na etapa de voltar à calma depois da corrida, tinha acabado de passar pelo Farol da Barra e achei melhor deixar para ouvir “Toda Boa” só depois de passar o Barravento, no momento de iniciar a subida do Cristo. Vinha andando, quando, de repente, me deparei com umas costas nuas, com o Polar (medidor de freqüência cardíaca) em volta delas, lindas, bronzeadas e suadas, que passaram por mim. Como o dono daquelas costas corria na mesma direção que eu andava, seria impossível verificar se o rosto dele correspondia à beleza de sua grande dorsal, dos músculos redondos maior e menor, rombóides, paravertebrais, trapézio e porção posterior do deltóide. Se eu estivesse no início da minha malhação, poderia aguardar a oportunidade de vê-lo novamente (é comum isso acontecer) quando ele estivesse fazendo o caminho de volta, aí ele viria na direção contrária, e assim eu poderia ver seu rosto e apreciar o peitoral. Mas, como eu já estava no fim das minhas atividades físicas naquele dia, não havia outra alternativa; a única maneira de ver a cara do rapaz seria dar um pique, ultrapassá-lo, ganhar uma distância dele, para que, quando ele passasse mais uma vez por mim, eu pudesse fazer a minha análise. Então, coloquei de novo o tema de "Tropa de Elite" no mp3 e dei o &lt;em&gt;sprint&lt;/em&gt;. Cem metros depois, fui reduzindo a velocidade, e meu Polar indicava a freqüência de 180 bpm. Tirei os fones do ouvido, para poder escutar os passos dele, quando estivesse se aproximando. Não demorou muito, olhei para trás e pude constatar que o esforço tinha valido a pena: a página principal era tão boa quanto o verso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;6) Eleja algo como recompensa&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se você se comportou bem ao longo da semana, fez todas as tarefas estabelecidas e suou, de verdade, a camisa, merece uma recompensa. A minha eu já escolhi. Na sexta-feira, depois do corridão, tomo um banho de mar, ao cair da tarde, no Porto da Barra. Este com direito à champanhe. Afinal, toda conquista merece ser brindada!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5188382565775499938" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_sM0y2eg_hLY/SADWdE_g4qI/AAAAAAAAAKw/rc-MGQ4o18g/s320/IMG_4299.jpg" border="0" /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_sM0y2eg_hLY/SADXeE_g4rI/AAAAAAAAAK4/SvI8yeNQiKA/s1600-h/IMG_4326.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5188383682466996914" style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; CURSOR: hand" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_sM0y2eg_hLY/SADXeE_g4rI/AAAAAAAAAK4/SvI8yeNQiKA/s320/IMG_4326.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_sM0y2eg_hLY/SADXeE_g4rI/AAAAAAAAAK4/SvI8yeNQiKA/s1600-h/IMG_4326.jpg"&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_sM0y2eg_hLY/SADXeE_g4rI/AAAAAAAAAK4/SvI8yeNQiKA/s1600-h/IMG_4326.jpg"&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_sM0y2eg_hLY/SADXeE_g4rI/AAAAAAAAAK4/SvI8yeNQiKA/s1600-h/IMG_4326.jpg"&gt;&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9082002872150641558-6617032514548626538?l=cristianaserra.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cristianaserra.blogspot.com/feeds/6617032514548626538/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9082002872150641558&amp;postID=6617032514548626538' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9082002872150641558/posts/default/6617032514548626538'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9082002872150641558/posts/default/6617032514548626538'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cristianaserra.blogspot.com/2008/04/dicas-para-quem-malha-na-rua-como.html' title='Dicas para quem malha na rua: como manter a auto-estima e a disciplina'/><author><name>Cris</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05164885794284654292</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_sM0y2eg_hLY/SADakU_g4wI/AAAAAAAAALg/1ToPLJl3mo8/s72-c/logo_itau_personalite.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9082002872150641558.post-6108754828923213423</id><published>2008-04-08T23:06:00.017-03:00</published><updated>2008-04-09T00:49:28.030-03:00</updated><title type='text'>A Caçadora de Piiiiiiii.....</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Até pelo fato de ter formação em Jornalismo, ficção não é a minha praia; as histórias sobre as quais escrevo têm como fonte a realidade. Mas, nesse texto especificamente, farei uma tentativa de enveredar-me por esse campo até então inexplorado por mim: criarei uma personagem que não tem uma existência física, não corresponde a ninguém que conheço nem a ninguém de quem ouvi falar, muito menos, a minhas próprias experiências. Trata-se de um ser que pertence ao universo imaginário. No entanto, considerando que a criação literária, segundo a tradição aristotélica, humanista, clássica, realista, naturalista e mesmo marxista (aprendi isso no Doutorado em Letras. Aprendi também que a tradição moderna e a teoria literária se opõem a essa visão), tem por finalidade representar a realidade, utilizando para isso o princípio da verossimilhança, as experiências vividas por tal personagem não diferem muito de outras de que tomei conhecimento em rodas de amigas em diversas ocasiões. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Homens, não se enganem, mulher quando se junta solta o verbo (este sempre vem na companhia de pronomes, advérbios e, principalmente, substantivos devidamente qualificados por adjetivos), mesmo se o assunto em questão for da esfera mais íntima e privada de todas. Discrição é uma palavra que não consta do dicionário delas; sigilo, tampouco. Tudo se comenta com uma riqueza de detalhes surpreendente, e, muitas vezes, a depender do talento cênico da narradora, estes também vêm acompanhados de toda uma encenação que os torna ainda mais expressivos. Vale dizer que esse nível de detalhamento é diretamente proporcional ao grau de amizade das interlocutoras.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Foi numa dessas conversas entre amigas, num banho de mar ao cair da tarde, no Porto da Barra, que surgiu a inspiração para a criação da personagem. Éramos seis, e três das presentes trocavam idéias sobre o tema “piquirita” (mais adiante vocês entenderão do que se trata), justamente porque uma delas passou por uma experiência desse tipo, falou para as demais na ocasião, e uma entre essas “demais” tinha recentemente vivido, tempos depois, a mesma experiência com o mesmo objeto de interesse, confirmando a opinião da primeira, embora identificando, no relato feito por esta, um leve exagero, digamos assim, de ordem de grandeza, quer dizer, de pequeneza. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Com perdão da expressão altamente vulgar, “mudando de pau pra cacete”, o tópico de discussão durante o banho de mar passou a ser a programação de sábado. Em meio à repentina mudança de assunto, alguém lembrou de &lt;em&gt;Etezinha&lt;/em&gt;, que é assim chamada por viver uma realidade &lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_sM0y2eg_hLY/R_wlvkGPKFI/AAAAAAAAAI4/-nwctEiQ4y0/s1600-h/et3.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5187062369897883730" style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; CURSOR: hand" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_sM0y2eg_hLY/R_wlvkGPKFI/AAAAAAAAAI4/-nwctEiQ4y0/s200/et3.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;tão diferente que parece ser de outro planeta. &lt;em&gt;Etezinha &lt;/em&gt;não é crente, mas só conheceu no sentido bíblico um único homem, o qual ainda era praticamente um menino quando eles começaram a namorar. Ela mal tinha concluído o primeiro ciclo do ensino fundamental quando deu seu primeiro beijo, e só deu pela primeira vez (ou seja, perdeu a virgindade), quando já estava em idade de concluir a faculdade. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_sM0y2eg_hLY/R_wl-UGPKGI/AAAAAAAAAJA/W5L1maN13xM/s1600-h/et.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5187062623300954210" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_sM0y2eg_hLY/R_wl-UGPKGI/AAAAAAAAAJA/W5L1maN13xM/s200/et.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Eles namoraram durante mais de quinze anos e nunca viajaram sozinhos, e, o que é pior, nunca passaram uma noite inteira juntos, isto é, um não sabe como é a cara do outro ao acordar de manhã, nunca presenciaram o início de um novo dia dividindo a mesma cama, uma só vez sequer, mesmo depois da tardia iniciação sexual. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Pelo menos, &lt;em&gt;Etezinha&lt;/em&gt; tem um ponto em comum com suas amigas terráqueas do século XXI (as do século XIX tinham um comportamento mais parecido com o dela; isso, antes do casamento): não é mais virgem.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_sM0y2eg_hLY/R_wn5EGPKHI/AAAAAAAAAJI/dj7yn7onA8c/s1600-h/mico-leao-dourado.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5187064732129896562" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_sM0y2eg_hLY/R_wn5EGPKHI/AAAAAAAAAJI/dj7yn7onA8c/s200/mico-leao-dourado.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;em&gt;Mica Leoa Dourada&lt;/em&gt; (poderia tê-la chamado de Ararinha Azul, mas sua pelagem se aproxima mais da do referido mamífero), aqui desse modo identificada, por ser um raríssimo exemplar de uma espécie da natureza humana em extinção, há muito já ultrapassou a casa dos 30, mas acredita-se que ela permaneça donzela invicta e também convicta, ainda que não explicitamente. É como se &lt;em&gt;Mica&lt;/em&gt; vivesse num mundo passado como revelam suas roupas e gírias. “Massa real”, para os padrões dela, é expressão da moda. Se para ela, telefonar para um pretendente, retornando uma ligação dele, é coisa de mulher fácil, imagine o resto! &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Devido a este tipo de observação que ela costuma fazer e como até hoje nunca ninguém a viu com um namorado, embora ela já tenha se referido a um com o qual teve um relacionamento de não muito mais do que um mês, especula-se sobre sua virgindade. Na verdade, se trata muito mais de uma questão de dedução do que de especulação. E toda vez que uma “bocuda” e abelhuda entre suas amigas tenta perguntar algo sobre sua vida íntima, &lt;em&gt;Mica&lt;/em&gt; diz, de forma curta e grossa: “Não é da sua conta”. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Encerrada essa enorme contextualização sobre a pessoa de &lt;em&gt;Etezinha&lt;/em&gt; e sua comparação com uma&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_sM0y2eg_hLY/R_wlvUGPKCI/AAAAAAAAAIg/fK0oLOc6Ne8/s1600-h/caÃ§ador.bmp"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5187062365602916386" style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; CURSOR: hand" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_sM0y2eg_hLY/R_wlvUGPKCI/AAAAAAAAAIg/fK0oLOc6Ne8/s200/ca%C3%A7ador.bmp" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; outra criatura rara na superfície da Terra, voltemos ao ponto da conversa em que o nome dela foi mencionado durante o falado banho de mar no Porto da Barra. Alguém colocou em pauta a programação noturna de sábado. Outra pessoa perguntou se haviam ligado para &lt;em&gt;Etezinha&lt;/em&gt;. E uma terceira disse que ela tinha dito que não sairia no fim de semana, pois pretendia terminar a leitura de “O caçador de pipas”. Foi aí que uma delas ― vê-se que é bastante espirituosa ― comentou: “Ela deveria ler era a Caçadora de Picas, isso sim, para aprender o bom da vida”. Então pensei: que se crie então uma personagem, a &lt;em&gt;Caçadora de Picas&lt;/em&gt;. E assim se fez. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Fico até meio envergonhada de falar desses assuntos num espaço que, embora seja informal, não é a mesma coisa que um bate papo entre amigas. Estou galáxias distantes de ser uma &lt;em&gt;Etezinha&lt;/em&gt; da vida, mas ainda assim sou uma “moça” de família e tenho uma reputação a zelar. Meus familiares sabem da existência desse blog, não sei se o lêem, mas espero que sim. Então, não fica bem andar por aqui contando as aventuras da &lt;em&gt;Caçadora de Picas&lt;/em&gt;. Mas é algo que simplesmente escapa do meu livre arbítrio, sinto-me como uma “eleita” para realizar tal tarefa. Sou apenas uma intermediária de uma vontade maior. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Dito isso, trato então de lhes apresentar &lt;em&gt;Vênus&lt;/em&gt;, &lt;em&gt;a Caçadora de Picas&lt;/em&gt;, do modo como ela se&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5187062365602916402" style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; CURSOR: hand" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_sM0y2eg_hLY/R_wlvUGPKDI/AAAAAAAAAIo/7b6rGgutMSs/s200/Botticelli_The_Birth_of_Venus.jpg" border="0" /&gt; apresentou à minha imaginação. Se &lt;em&gt;Vênus&lt;/em&gt; vivesse no Afeganistão, provavelmente, nem estaria mais viva, pois, dificilmente, a poupariam das chibatadas e de outros castigos maiores. &lt;em&gt;Vênus&lt;/em&gt; nasceu em uma metrópole do Ocidente, é uma mulher moderna, urbana, independente financeira e emocionalmente. Deve ter por volta de 35 anos ou até mais, apesar de aparentar bem menos idade. Não é branca nem negra, não é alta nem baixa, não é gorda nem magra, mas está muito longe de ser uma mulher mediana. Ela sabe bem o que quer e é suficientemente ardilosa para obter o que deseja. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Feita essa breve descrição da personagem, contarei duas de suas célebres aventuras, embora estas não façam parte daquelas que foram bem sucedidas. Aparentemente, tinham todos os elementos favoráveis ao sucesso, mas não foi isso o que aconteceu. A primeira presa da &lt;em&gt;Caçadora de Picas&lt;/em&gt; foi um moreno alto, bonito e sensual, que, ao contrário do que era esperado, não foi a solução para os seus problemas. O rapaz em questão era cinco anos mais novo do que ela, tinha o surf como hobby (ou talvez até como principal atividade), o que eram bons indícios de virilidade e vigor físico, e, além de tudo, era seu vizinho, apenas um lance de escada os separavam, e os botões do elevador correspondentes a seus apartamentos ficavam juntinhos. Os pais dele viajavam constantemente, o que facilitaria, e muito, as caçadas, as quais poderiam até se tornar um tanto freqüentes, não fosse por um pequeno detalhe, um detalhe literalmente pequeno. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;O fato de o rapaz ser meio cabeça oca, meio bobinho e meninão foi, em princípio, um fator limitante para uma maior aproximação. Mas, quando, finalmente, &lt;em&gt;Vênus&lt;/em&gt; resolveu se render às investidas do vizinho, obviamente, não era na cabeça do moço, quero dizer, no intelecto, que ela estava interessada. A selva não estava para caça, e ela não podia se dar ao luxo de dispensar um homão daquele. Se ele tinha mais de um metro e oitenta, o resto deveria obedecer à lei da proporção. Doce ilusão. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Um dia antes, na primeira vez em que eles ficaram numa festinha na casa dela, o beijo tinha passado no controle de qualidade, e os amassos, igualmente; fora o papo, este quase inexistente, &lt;em&gt;Vênus&lt;/em&gt; não tinha do que se queixar. Nessa ocasião, as amigas ficaram para dormir na casa dela, então ela apenas preparou o terreno antes de dar o bote. Ela nem teve o trabalho de montar a armadilha, pois o rapaz mordeu a isca direitinho e no dia seguinte a convidou para uma sessão de vinho e DVD no andar de cima. Depois da segunda taça de vinho, o DVD ficou para segundo plano. Pelas preliminares, tudo indicava que os “finalmentes” seriam bons. Doce ilusão, parte II.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Vênus&lt;/em&gt; agora sabe que certo é o ditado que diz que “quando a esmola é grande, o santo desconfia”. No caso do vizinho, as habilidades manuais e a competência lingüística, digamos desta forma, eram um meio de compensar a falta de outras qualidades de maior volume e o não preenchimento de um certo vazio, se é que vocês me entendem. Era o caso de &lt;em&gt;Vênus&lt;/em&gt; denunciar ao Procom ou ao Conar, por propaganda enganosa. Qualquer um lhe daria ganho de causa. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Ao tomar conhecimento da história, uma das confidentes de &lt;em&gt;Vênus&lt;/em&gt; apelidou o tal rapaz de &lt;em&gt;Piquirita&lt;/em&gt;; não precisa dizer por que. &lt;em&gt;Vênus&lt;/em&gt; nem teve coragem de dar uma outra chance ao vizinho, afinal o problema dele não era algo passível de solução. Então, o que não tem remédio, remediado está. Desde então, eles até já trocaram uns beijinhos ocasionais, mas &lt;em&gt;Vênus&lt;/em&gt; nunca pisou os pés no apartamento de cima novamente nem aceitou as propostas de se encontrarem na escada, que ele lhe fez inúmeras vezes. No dia do aniversário dela, ele mandou a seguinte mensagem via celular: “Parabéns! Estou viajando. Quando chegar, marcamos para eu lhe dar aquele seu presente”. Quando ela leu a mensagem de &lt;em&gt;Piquirita&lt;/em&gt; para a amiga, esta fez o seguinte comentário: “Presente? Só se for uma lembrancinha”. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Depois dessa aventura frustrante, &lt;em&gt;Vênus&lt;/em&gt; quis se cercar de todos os cuidados para não ter de enfrentar uma nova decepção. Resolveu procurar alguém especializado no assunto e que entendesse daquilo de que ela tanto gostava. A segunda presa de &lt;em&gt;Vênus&lt;/em&gt; foi escolhida a dedo: era um médico urologista. Se ele tinha tanto conhecimento sobre a área de interesse dela, deveria saber manejar bem aquilo em que se especializara. Ledo engano. Nesse caso, o problema não foi dimensional; as variáveis intensidade e criatividade é que estavam abaixo da média. Desde o início do relacionamento (este não chegou a ser namoro, porque o cara também era enrolado e ainda estava sob o efeito de uma dor de cotovelo), ela notou que o rapaz era meio lerdo; saíram várias vezes, mas não rolava nem uma mãozinha boba. Diante dessa situação, quem teve de dar uma mãozinha, um empurrão, o “arrocha”, para que algo acontecesse, foi ela. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Quando &lt;em&gt;Vênus&lt;/em&gt; o encontrou numa festa de forró no período pré-São João, ela sabia que daquele dia não passava. Apesar da sua índole de caçadora, ela teve de criar coragem e se preparar para dar o tiro certeiro. Depois de algumas doses de vodka, não teve dúvidas de que havia chegado o momento, quando ele a chamou para dançar. Nem hesitou e partiu logo para um &lt;em&gt;approach&lt;/em&gt; seguro; como dizem por aí, “chamou na chincha”. E aí, no que deu aquela encostada, aquela “encoxada”, sentiu que havia forma e conteúdo, e aquilo já a deixou menos preocupada. No entanto, apenas a primeira etapa havia sido vencida, ainda tinha muito caminho pela frente. O passo seguinte foi imprensá-lo contra uma mureta, quando ele a chamou para o canto, pois, muito provavelmente, tímido que era, não ficava totalmente à vontade em ficar se agarrando na frente de todos. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Saíram juntos da festa, e ele esboçou uma certa surpresa por &lt;em&gt;Vênus&lt;/em&gt; não ter questionado o fato de ele não ter seguido rumo à casa dela. Não satisfeito, perguntou: “Algum problema se eu te levar para um outro lugar?”. &lt;em&gt;Vênus&lt;/em&gt;, direta como sempre, respondeu: “Nenhum”. Contrariando as expectativas, ele não a levou para um motel, foram para um apartamento que não era o que ele morava com os pais. Não achou ruim, apenas pensou: “Olhe para isso, esse urologista, hein? Essa lerdeza é só aparência, isso aqui deve ser um abatedouro”. A maneira como ele cumprimentou o porteiro e o jeito como este olhou para ela reforçavam essa hipótese de &lt;em&gt;Vênus&lt;/em&gt;. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Diferentemente do que ocorreu com &lt;em&gt;Piquirita&lt;/em&gt;, as preliminares não foram nada excepcionais. Ela chegou a pensar que isso até poderia ser um bom sinal. Ledo engano, parte II. Quando ele partiu para os “finalmentes”, continuou no mesmo ritmo, não saiu do “rame-rame”. A &lt;em&gt;Caçadora&lt;/em&gt; não poderia se contentar com aquilo e resolveu tomar uma atitude, assumindo as rédeas do processo: “montou na lambreta e desceu a madeira”. E aí, meu irmão, “embalou, embala, embalou, não para, não para, não para, não para...” Mas, em meio a esse embalo todo, &lt;em&gt;Vênus&lt;/em&gt; ouviu um estalo, um grito de dor e foi obrigada a parar. O urologista se contorcia de dor, e ela sem entender o que estava acontecendo. Imaginou que a causa deveria ter alguma relação com o tal estalo. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Quando ele conseguiu se recuperar do susto e da dor pavorosa, mostrou a &lt;em&gt;Vênus&lt;/em&gt; o estrago que ela tinha feito; segundo a explicação que ele lhe deu minutos depois, por sorte, o prejuízo não foi maior. Susto mesmo quem tomou foi &lt;em&gt;Vênus&lt;/em&gt; diante daquela imagem; ela nunca tinha visto uma coisa como aquela. Para terem uma idéia da visão que ela teve, façam o seguinte: segurem a ponta do indicador da mão esquerda, com o indicador e o polegar da mão direita. Na altura da falangeta (a dobrinha que fica próxima à unha), a pressione para baixo com o outro indicador e, ao mesmo tempo, empurre a ponta do dedo, com o polegar da outra mão, na direção contrária. Se o dedo de vocês tiver a mesma flexibilidade que o meu, verão que o indicador da esquerda ficará reto até a altura da falanginha (lembrem que a ordem das articulações, da palma em direção à unha, é: falange, falanginha e falangeta) e daí em diante formará uma curva até a extremidade do dedo, provocada pela hiperextensão da falangeta. Observarão, portanto, que a metade do dedo ficará reta, e a outra metade formará um arco. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Foi mais ou menos isso o que aconteceu com o objeto de trabalho do urologista. Ele levantou, caminhou até o banheiro, deixando &lt;em&gt;Vênus &lt;/em&gt;completamente atônita na cama, acendeu a luz, olhou, olhou, virou para um lado, virou para o outro e voltou enunciando o diagnóstico: Graças a Deus, não foi uma fratura peniana. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;That’s all folks! Attention, please, I said folks, not fucks! &lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;E assim acaba mais uma aventura (nesse caso, outra desventura) de: “A Caçadora de Piiiiiicas”. Até a próxima! &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9082002872150641558-6108754828923213423?l=cristianaserra.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cristianaserra.blogspot.com/feeds/6108754828923213423/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9082002872150641558&amp;postID=6108754828923213423' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9082002872150641558/posts/default/6108754828923213423'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9082002872150641558/posts/default/6108754828923213423'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cristianaserra.blogspot.com/2008/04/caadora-de-piiiiiiii.html' title='A Caçadora de Piiiiiiii.....'/><author><name>Cris</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05164885794284654292</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_sM0y2eg_hLY/R_wlvkGPKFI/AAAAAAAAAI4/-nwctEiQ4y0/s72-c/et3.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9082002872150641558.post-4496695365648317337</id><published>2008-04-03T11:47:00.033-03:00</published><updated>2008-04-04T10:49:41.277-03:00</updated><title type='text'>“Tapinha não dói, só um tapinha!” ou “A Loura em Fuga e o Selvagem da Motocicleta”</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_sM0y2eg_hLY/R_WWnUGPJ_I/AAAAAAAAAII/VPC__ZximB8/s1600-h/info.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5185216148140926962" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_sM0y2eg_hLY/R_WWnUGPJ_I/AAAAAAAAAII/VPC__ZximB8/s200/info.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;strong&gt;UMA BREVE NOTA SOBRE O TEXTO:&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_sM0y2eg_hLY/R_WVNEGPJ-I/AAAAAAAAAIA/RLYalyJFXL0/s1600-h/info.jpg"&gt;&lt;/a&gt; Na versão original, escrita em 2004 , como é mencionado num determinado ponto da narrativa, eu já havia substituído alguns nomes por codinomes devido ao caráter da situação da qual o texto trata. Na versão aqui publicada, resolvi também não identificar pelos nomes verdadeiros as minhas amigas que participaram do episódio narrado. Tal procedimento também deverá ser usado outras vezes, já que, entre elas, acredito que uma e outra não aprovariam o fato de suas histórias particulares&lt;/strong&gt; &lt;strong&gt;ganharem uma dimensão pública. Portanto, os nomes em itálico são todos fictícios. Como vocês poderão perceber, não usei o princípio da verossimilhança na escolha deles, afinal Patty, Lyly, Josy e Beth não se parecem em nada como os nomes de minhas amigas. O texto é um tanto longo para os padrões da Internet, mas achei que não teria sentido fragmentá-lo, uma vez que a&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_sM0y2eg_hLY/R_WW1EGPKAI/AAAAAAAAAIQ/UyG656z0Q-Q/s1600-h/SIGA_EM_FRENTE.gif"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5185216384364128258" style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; CURSOR: hand" height="45" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_sM0y2eg_hLY/R_WW1EGPKAI/AAAAAAAAAIQ/UyG656z0Q-Q/s200/SIGA_EM_FRENTE.gif" width="52" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; narrativa segue uma linearidade. Vamos em frente!&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Depois de uma série de megaeventos, na cidade e pelas bandas de Praia do Forte (Forte Folia, com Luis Caldas; Ensaio do Jammil, com Leo Jaime; Festa à Fantasia da Zion, com Cidade Negra; e Luau em Scarreef, com Blitz e Men at Work), eu e minhas amigas ansiávamos por uma noite de sexta-feira comum e tranqüila em Salvador. Queríamos poupar nossas energias, uma vez que, no domingo, haveria o prometido passeio “Melhor Está Por Vir II”, na lancha de &lt;em&gt;Patty&lt;/em&gt;, e o fim de semana seguinte seria prolongado pelo feriado da Proclamação da República; no nosso caso, proclamaríamos a curtição sem limites (&lt;em&gt;Lyly&lt;/em&gt;, em Sauípe; e eu e &lt;em&gt;Beth&lt;/em&gt;, em Itacaré).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Patty&lt;/em&gt; saiu para comer caranguejo com os pais (que também são seus sócios no escritório), para fazer a média, já que não havia trabalhado alguns dias para ficar com seu namorado argentino-nova-iorquino e em breve tiraria mais uns dias de férias para ficar com ele novamente, desta vez em Nova York. Como não somos tão chiques nem precisávamos fazer média com ninguém, combinamos de nos encontrar no restaurante de um amigo de &lt;em&gt;Beth&lt;/em&gt;, por insistência dela, e mais por consideração à amizade deles do que por uma questão de fazer média. Eu e &lt;em&gt;Lyly&lt;/em&gt;, acompanhada de &lt;em&gt;Fabiane&lt;/em&gt;, a mais nova solteira do grupo, preferíamos ir para o “Divina Providência”, mas aceitamos a sugestão de &lt;em&gt;Beth&lt;/em&gt; também por uma questão de amizade. Não sabia eu que, naquela noite, tomaria uma outra decisão, movida pelo mesmo propósito, da qual me arrependeria profundamente, pois a providência divina não agiria em meu favor; ao contrário, eu seria incumbida de uma missão de salvação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Josy&lt;/em&gt;, mais uma vez, ficará de fora da crônica, desta vez, para a sorte dela, pois, se estivesse conosco, seria forte candidata a compartilhar do nosso calvário, até porque foi ela quem introduziu o &lt;em&gt;Selvagem da Motocicleta&lt;/em&gt; em nosso círculo de amigos, ou melhor, no caso dele particularmente, de conhecidos. Só para ilustrar com mais clareza a situação, se ele constasse da minha "network" de "friends" do Orkut, certamente, após o episódio da terrível noite de sexta, seria rebaixado da categoria “acquaintance” para a de “haven’t met”. Ainda bem que ele não está na minha rede do Orkut, e o mais recomendável a fazer é evitar qualquer possibilidade de “meeting him”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já fui meio arrumadinha para a faculdade e, mesmo antes de me maquiar e trocar a calça jeans por uma minissaia que levei na bolsa para colocar depois da aula, recebi elogios de alunos de ambos os sexos. As meninas, normalmente, se limitavam a perguntar: “Vai sair para se divertir hoje, professora?”. Ou então: “Vai cair no reggae, não é, Cris?”, outras diziam quebrando qualquer resquício de formalidade. E eu respondia toda sorridente: “A intenção é essa”. Doce ilusão, juro que ficaria muito mais feliz se, após entregar minha caderneta no Atendimento ao Docente, tivesse ido para casa, onde assistiria à estréia dos “Aspones”, antes de cochilar no sofá durante o “Jornal da Globo”. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Quando cheguei no restaurante do amigo de &lt;em&gt;Beth&lt;/em&gt;, as meninas já estavam comendo duas porções de bruschetta e, para diminuir o sentimento de culpa, escolhiam uma salada do novo cardápio. &lt;em&gt;Lyly&lt;/em&gt; e &lt;em&gt;Fabiane&lt;/em&gt; bebiam roska de tangerina com adoçante e dividiriam o prato de salada; diferentemente de &lt;em&gt;Beth&lt;/em&gt;, que comeu um prato inteiro sozinha, salvo os palmitos doados para &lt;em&gt;Lyly&lt;/em&gt;, e optou por um calórico coquetel, o qual, apesar do leite condensado em sua composição, era de frutas, só para manter a fachada. O certo é que, depois do disfarce light, elas caíram matando em uma deliciosa torta búlgara; duas, na verdade, uma de &lt;em&gt;Fabiane&lt;/em&gt; e &lt;em&gt;Lyly&lt;/em&gt;, e outra de &lt;em&gt;Beth&lt;/em&gt;, que acabou a dividindo comigo. Aqueles pedaços de torta compartilhados com minha querida amiga seriam responsáveis pelos instantes de maior prazer daquela noite trágica. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;O episódio “O Pior Está Por Vir”, que, com fé em Deus, não terá parte II, começou com o questionamento de &lt;em&gt;Beth&lt;/em&gt;, formulado como um desafio e dirigido à mesa enquanto ela aguardava a torta: “Quem é a Joselita&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn1" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=9082002872150641558#_ftn1" name="_ftnref1"&gt;[1]&lt;/a&gt; que vai comigo para a 'Satélite'&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn2" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=9082002872150641558#_ftn2" name="_ftnref2"&gt;[2]&lt;/a&gt;?”. Como &lt;em&gt;Josy&lt;/em&gt;&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn3" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=9082002872150641558#_ftn3" name="_ftnref3"&gt;[3]&lt;/a&gt; não estava lá, eu seria a mais provável aspirante ao papel de Joselita. Era aniversário de &lt;em&gt;Bela&lt;/em&gt;, e &lt;em&gt;Beth&lt;/em&gt; deveria comparecer à comemoração na “Satélite”, não para fazer média, mas pelo fato de a aniversariante ser sua prima. Eu não queria voltar para casa naquele momento e perguntei à &lt;em&gt;Lyly&lt;/em&gt; e à &lt;em&gt;Fabiane &lt;/em&gt;se elas pretendiam ir para outro lugar. Diante da negativa e para ser solidária com &lt;em&gt;Beth&lt;/em&gt;, resolvi aceitar o convite que me era feito em tom de insistência: “Cris, vamos! Você deixa seu carro em casa e vai comigo para a 'Satélite'”. Como diz o jumento no monólogo inicial dos "Saltimbancos", “pensei com meus botões”: “Faço companhia a minha amiga, que não deve demorar, pois não está muito a fim de ir ― somente o fará por obrigação familiar ―, e quem sabe, pela minha prova de amizade, posso ser recompensada encontrando um novo amor ou alguém interessante. Nada, nada, com ou sem novo amor, não deixa de ser uma oportunidade de beijar na boca e ou, pelo menos, de abrir novas frentes de trabalho”. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Ao me despedir de &lt;em&gt;Lyly&lt;/em&gt; e &lt;em&gt;Fabiane&lt;/em&gt;, firmei o compromisso de ir à praia com elas no dia seguinte: “Aconteça o que acontecer, mesmo dormindo tarde, irei para praia com vocês. &lt;em&gt;Lyly&lt;/em&gt;, pode me ligar assim que acordar”. O que realmente aconteceu demonstra o quanto sou uma mulher de palavra: já estava acordada (quer dizer, mal tinha dormido e, se cheguei a dormir, foi muito mal), a contragosto, quando &lt;em&gt;Lyly&lt;/em&gt; me ligou, e fui à praia com ela e &lt;em&gt;Fabiane&lt;/em&gt;, inclusive para relaxar do stress da noite anterior. Dei tchau às meninas, paguei o guardador de carro, por mim e por &lt;em&gt;Beth&lt;/em&gt;, e ele aceitou, sem reclamar, o trocado no esquema pague um leve dois. Em seguida, deixei meu carro em casa e parti com &lt;em&gt;Beth&lt;/em&gt; para a "Satélite".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como a história que vem a seguir é caso de polícia, ou pelo menos se enquadra entre aqueles que devem ser encaminhados à delegacia de mulheres, preservarei a identidade dos principais envolvidos, aos quais serão atribuídos codinomes. A principal vítima (embora também culpada) será aqui chamada de &lt;em&gt;Loura Fugitiva&lt;/em&gt;, e o agressor terá o codinome, já mencionado, de &lt;em&gt;Selvagem da Motocicleta&lt;/em&gt;. Para evitar a identificação dos protagonistas, os nomes dos que mantêm algum tipo de relação com eles e tiveram alguma participação na história, ainda que como figurantes, também serão alterados a partir de agora. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Assim que entramos na "Satélite", encontramos nossos amigos &lt;em&gt;DDD&lt;/em&gt; e &lt;em&gt;DDI&lt;/em&gt;. Eles estavam acompanhados de dois amigos que não conhecíamos e aos quais logo fomos apresentadas: um que até achei interessante e que será identificado como &lt;em&gt;Bonitinho&lt;/em&gt;; e outro que será apelidado de &lt;em&gt;Lagartixa&lt;/em&gt;, pela remota relação com seu apelido de verdade. Além de &lt;em&gt;Bonitinho&lt;/em&gt; e &lt;em&gt;Lagartixa&lt;/em&gt;, &lt;em&gt;DDD&lt;/em&gt; e &lt;em&gt;DDI&lt;/em&gt; estavam juntos com o &lt;em&gt;Selvagem da Motocicleta&lt;/em&gt;, que nos cumprimentou com um efusivo abraço e, naquele momento, não tinha ao seu lado a &lt;em&gt;Loura Fugitiva&lt;/em&gt;, sua namorada. Mesmo ignorando os antecedentes de desequilíbrio mental, &lt;em&gt;Beth&lt;/em&gt; chegou a comentar comigo que estranhou a reação do &lt;em&gt;Selvagem&lt;/em&gt;, quando ele soube da vitória de &lt;em&gt;DJ Ogrinho&lt;/em&gt; (que, durante a semana, trabalha como engenheiro de uma indústria do ramo automobilístico), candidato à vaga de namorado dela, na última eleição (esta ocorreu no mesmo período das eleições municipais, e havia outros dois candidatos). &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Fomos ao encontro de &lt;em&gt;Bela&lt;/em&gt;, a aniversariante, a qual, assim que lhes foi apresentada, aguçou a cobiça de &lt;em&gt;DDD&lt;/em&gt; e &lt;em&gt;DDI&lt;/em&gt;; este último, como de costume, disse estar apaixonado por ela. Cheguei a ajudá-lo em suas investidas, em retribuição às vezes em que ele assumiu o papel de “afasta cantadas indesejáveis”, inclusive naquela ocasião; isto é, toda vez que eu pressentia uma cantada que não queria receber, abraçava, puxava conversa e ou ficava dançando com &lt;em&gt;DDI&lt;/em&gt;, que é meu amigo e jamais seria um peguete. Eu estava animada e tinha até lançado alguns olhares furtivos para &lt;em&gt;Bonitinho&lt;/em&gt;, sem, no entanto, dar muito mole, quando começou a tocar a seleção de Hip Hop. Foi mais ou menos nessa hora que conheci &lt;em&gt;Loura Fugitiva&lt;/em&gt;; só fui saber que ela era namorada do &lt;em&gt;Selvagem da Moto&lt;/em&gt; um pouco depois. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Como meu radar estava sintonizado em outra faixa de freqüência, não percebi direito algo que ocorreu momentaneamente entre &lt;em&gt;Beth&lt;/em&gt;, o &lt;em&gt;Selvagem&lt;/em&gt; e a &lt;em&gt;Loura&lt;/em&gt;; lembro apenas de ter ouvido &lt;em&gt;Beth&lt;/em&gt; falar qualquer coisa como “Pare, &lt;em&gt;Selvagenzinho&lt;/em&gt;!”. Acho que ela até comentou comigo o que aconteceu, mas confesso não ter prestado muita atenção, pois não queria perder de vista um carinha que havia despertado o meu interesse e, de vez em quando, me olhava de longe. Embora não tivesse absolutamente nada a ver, ele me fez lembrar George Clooney. Nem grisalho era;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_sM0y2eg_hLY/R_V-f0GPJ6I/AAAAAAAAAHg/TSej4BHMWBU/s1600-h/george_clooney1_300_400.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5185189631012841378" style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; CURSOR: hand" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_sM0y2eg_hLY/R_V-f0GPJ6I/AAAAAAAAAHg/TSej4BHMWBU/s320/george_clooney1_300_400.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; não sei qual foi o motivo da associação com o ator de Hollywood: talvez o jeito másculo de dançar e segurar o copo de whisky, ou um trejeito que fazia com a boca, ou ainda o fato de não ter propriamente o tradicional rostinho perfeitinho, mas ser charmoso. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Quando finalmente o tal rapaz saiu do meu campo de visão, resolvi ir ao banheiro. Ao abrir a porta, me deparei com &lt;em&gt;Loura Fugitiva&lt;/em&gt; sentada em um banco, mas achei que ela esperava alguma amiga. Devo ter dado um sorrisinho em sinal de atenção, mas não puxei conversa. Quando retornei para a pista, quase falo com &lt;em&gt;Lantejoula Cor de Rosa&lt;/em&gt; ― amiga ou conhecida da &lt;em&gt;Loura&lt;/em&gt;, que mais tarde teria também uma significativa participação na história ―, pensando que era &lt;em&gt;Beth&lt;/em&gt;, cuja camisa parecia com a dela. Comentei com &lt;em&gt;Beth&lt;/em&gt; que a &lt;em&gt;Loura&lt;/em&gt; estava lá no banheiro. “Ela estava chorando?”, &lt;em&gt;Beth &lt;/em&gt;perguntou. “Acho que não, não reparei. Por que estaria?”, indaguei em seguida. “Sei lá, você não viu o que o &lt;em&gt;Selvagem&lt;/em&gt; fez comigo? Esse &lt;em&gt;Selvagenzinho&lt;/em&gt; é maluco, não te falei o que ele falou quanto a eu estar namorando com &lt;em&gt;DJ Ogro&lt;/em&gt;”, disse ela. Eu naquele momento não dei muita importância à &lt;em&gt;Loura&lt;/em&gt;, ao &lt;em&gt;Selvagem&lt;/em&gt; e à preocupação de &lt;em&gt;Beth&lt;/em&gt;, só queria avistar novamente o &lt;em&gt;Segura Copo como Clooney&lt;/em&gt;. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Loura Fugitiva&lt;/em&gt; voltou do banheiro distribuindo balinhas de hortelã para todos nós. &lt;em&gt;Beth&lt;/em&gt; relaxou, ao constatar que a menina não havia se chateado (caso contrário, não a teria presenteado com uma balinha), e aproveitou para puxar papo e ser simpática com ela, com objetivo de evitar qualquer mal-entendido. Mal sabia &lt;em&gt;Beth&lt;/em&gt; que, segundo nos relatou a &lt;em&gt;Loura&lt;/em&gt;, quando já estava sob nossa proteção, as balinhas seriam o elemento catalisador do surto psicótico do &lt;em&gt;Selvagem&lt;/em&gt;. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Um pouco mais tarde, me dei conta de que algo fora do normal acontecia: &lt;em&gt;DDD &lt;/em&gt;há um bom tempo não estava mais com a gente; &lt;em&gt;Lagartixa&lt;/em&gt; derramou o resto do conteúdo do seu copo no de &lt;em&gt;Beth&lt;/em&gt; e se despediu; instantes depois, &lt;em&gt;Bonitinho&lt;/em&gt; veio falar comigo, e eu quase ofereci o rosto para os dois beijinhos, pensando que ele estava se despedindo também, mas, na verdade, queria saber de &lt;em&gt;DDD &lt;/em&gt;e saiu meio afoito, quando eu disse que não sabia do paradeiro dele. Nesse ínterim, &lt;em&gt;Loura&lt;/em&gt;, que havia se afastado de nós por uns minutos, veio ofegante falar com &lt;em&gt;DDI&lt;/em&gt; e o puxou pelo braço, arrastando-o em direção ao bar. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Sem &lt;em&gt;DDI &lt;/em&gt;ao meu lado, não consegui evitar duas cantadas indesejáveis: um tampinha perguntou se &lt;em&gt;DDI&lt;/em&gt; era amigo de &lt;em&gt;Beth&lt;/em&gt;, fez um comentário sobre minha tatuagem e, como eu respondia monossilabicamente ou com um meio sorriso a suas perguntas, se queixou de que eu não estava sendo gentil com ele; o outro, bem mais alto do que eu, perguntou se podia me contar um segredo, e eu nem cheguei a averiguar se era gatinho (mesmo que o fosse não teria chance com aquele tipo de cantada), fingi que não entendi o que ele tinha dito, disse qualquer coisa, desconversei e dei um jeito de cair fora sem parecer indelicada. Enquanto pagava a conta ainda recebi uma proposta de casamento de um típico sujeito-mala, escrita em um guardanapo de papel; limitei-me a afastar o guardanapo com a mão e nem olhei para a cara do indivíduo, o qual, segundo &lt;em&gt;Beth&lt;/em&gt;, era gordo e bizarro. Ele disse: “Nem pensou?”. Respondi: “Tenho raciocínio rápido”. Ninguém merece uma mala gorda e bizarra como aquela, muito menos eu. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Minutos antes da cantada no caixa, &lt;em&gt;DDI &lt;/em&gt;voltou para a pista, com ar de preocupado, mas, quando perguntamos o que havia acontecido, disse apenas: “coisas do&lt;em&gt; Selvagem&lt;/em&gt;”. Continuou dançando e dando em cima de &lt;em&gt;Bela&lt;/em&gt;. &lt;em&gt;Beth&lt;/em&gt;, com apenas um olhar, perguntou em tom de afirmação “Vamos nessa?”; eu, já conformada com o fato de que não rolaria mesmo beijo na boca, balancei a cabeça respondendo que sim. “De qualquer modo, não foi em vão, a saída. Nada, nada, dançar faz bem para a alma e queima calorias”, pensei com meus botões. Pouco tempo depois, não pensaria da mesma forma. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Logo na saída da "Satélite", entendemos o que &lt;em&gt;DDI&lt;/em&gt; queria dizer com “coisas do &lt;em&gt;Selvagem&lt;/em&gt;”; este&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_sM0y2eg_hLY/R_UIMUGPJ5I/AAAAAAAAAHY/SPHVnz_Uqp4/s1600-h/massaranduba.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5185059553633314706" style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; CURSOR: hand" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_sM0y2eg_hLY/R_UIMUGPJ5I/AAAAAAAAAHY/SPHVnz_Uqp4/s200/massaranduba.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; tinha encarnado sua personalidade &lt;em&gt;Maçaranduba&lt;/em&gt; e estava distribuindo “porrada”. Além dos traços violentos, só revelados naquela noite, ele bem que tem uma semelhança física com o personagem do "Casseta &amp;amp; Planeta": é baixinho, marombado e tem a cara meio amassada (não chega a ser deformada) e os olhos esbugalhados. Não sei se estou sendo exata na descrição, porque não costumo ficar analisando cara feia, único ponto sobre o qual não tenho a menor dúvida: é feia mesmo. O alvo da “porrada” era o pobre &lt;em&gt;DDD&lt;/em&gt;, que, creio eu, mais por amizade ao &lt;em&gt;Selvagem&lt;/em&gt; do que para livrar a &lt;em&gt;Loura &lt;/em&gt;do seu carrasco, tentava evitar que este cometesse uma loucura maior; para isso, acabou entrando no meio da briga e não saiu ileso. Pelo que deu para observar do nosso ângulo de visão, &lt;em&gt;Lagartixa&lt;/em&gt; estava no grupo que procurava apartá-los. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Enquanto assistíamos à cena de longe, ainda sem entender direito o que estava acontecendo, fomos surpreendidas por &lt;em&gt;Lantejoula Rosa&lt;/em&gt;, que, com sua voz rouca e agitada, nos pedia que déssemos um jeito de tirar &lt;em&gt;Loura &lt;/em&gt;dali. &lt;em&gt;Bonitinho&lt;/em&gt; chegou com a chave do Pegeaut da &lt;em&gt;Loura&lt;/em&gt;, endossando o pedido de &lt;em&gt;Lantejoula Rosa&lt;/em&gt;, já que eles não podiam ficar com o carro dela, pois moram na mesma área que o &lt;em&gt;Selvagem&lt;/em&gt;. Apenas naquele momento, fomos informadas de que o &lt;em&gt;Selvagem&lt;/em&gt; chegou a agredi-la e havia uma grande probabilidade de, mais tarde, ele ir atrás dela. Ele tinha deixado sua moto em casa; foi a própria &lt;em&gt;Loura&lt;/em&gt; quem o levou para a "Satélite". No entanto, quando chegasse em sua residência e pegasse a motocicleta, certamente daria início à perseguição. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Loura&lt;/em&gt; entrou na conversa e, em seu desespero, mal conseguia responder nossas perguntas e muito menos tomar uma decisão quanto às possibilidades de fuga que planejávamos. Depois de escutar algumas sugestões não muito pragmáticas, acabei convencendo o grupo de que o mais sensato a fazer seria deixá-la na casa dos pais; eu dirigiria o carro da &lt;em&gt;Loura&lt;/em&gt;, e ela iria no carro de &lt;em&gt;Beth&lt;/em&gt;, que, finalizada a missão, me levaria para casa. &lt;em&gt;Loura&lt;/em&gt; acabou acatando a decisão, mesmo tendo apresentado uma certa resistência: argumentava que teria de acordar seus pais, pois tinha deixado a chave de casa na residência do &lt;em&gt;Selvagem&lt;/em&gt;; além disso, seu pai tinha 74 anos, e ela não queria lhe causar o constrangimento de vê-la naquele estado. Enfatizei que, com os pais, ela estaria protegida e que o problema precisava ser enfrentado. Ao saber que o &lt;em&gt;Selvagem&lt;/em&gt; tinha ido embora, ela ficou mais tranqüila e concordou com a estratégia de fuga. &lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_sM0y2eg_hLY/R_UICUGPJ4I/AAAAAAAAAHQ/q_Gu8mEEOZY/s1600-h/motofan00.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5185059381834622850" style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; CURSOR: hand" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_sM0y2eg_hLY/R_UICUGPJ4I/AAAAAAAAAHQ/q_Gu8mEEOZY/s200/motofan00.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Bonitinho &lt;/em&gt;me passou a chave e nos agradeceu por termos aceitado a missão de que ficamos incumbidas. Eu, normalmente, fico tensa ao dirigir um carro alheio; numa situação como aquela, era pior ainda. Isso sem falar que o Pegeaut azul estava com todos os vidros abertos, e eu demorei um tempo para descobrir como fechá-los, o que só agravava a minha aflição. A imagem do &lt;em&gt;Selvagem&lt;/em&gt; em sua moto, perseguindo o veículo que então era guiado por mim, não me saía da cabeça, e, mesmo tendo de seguir o outro carro, eu não tirava os olhos do retrovisor. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Achei estranho o fato de elas não terem subido a ladeira da Cruz da Redenção, mas &lt;em&gt;Loura&lt;/em&gt; poderia perfeitamente morar pelas bandas do Acupe ou &lt;em&gt;Beth&lt;/em&gt; poderia ter achado melhor ir pela Valdemar Falcão. Depois de passar pela entrada do Candeal, apesar de estranhar a rota, estava bem mais tranqüila, pois imaginava que logo deixaríamos a &lt;em&gt;Loura&lt;/em&gt;, em Brotas, e pouco tempo depois eu já estaria deitada na minha caminha, distante de toda aquela atmosfera de fuga e perseguição. Em questão de segundos, o sonho da caminha se desfez, quando vi que a lanterna traseira da direita do carro de &lt;em&gt;Beth&lt;/em&gt; piscava indicando que ela entraria no seu condomínio, em vez de seguir para a casa dos pais da &lt;em&gt;Loura em Fuga&lt;/em&gt;, como havíamos combinado. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Entrei no condomínio de &lt;em&gt;Beth&lt;/em&gt; e continuei seguindo o carro dela, até que, na área das quadras, ela fez sinal para que eu emparelhasse o carro e gritou: “Vamos parar para a gente conversar um pouco com ela”. Não havia outro jeito, soltei do carro, respirei fundo e me preparei para dar uma força à moça, embora não estivesse nem um pouco disposta a atitudes altruístas às 4h da madrugada. Até costumo regularmente ajudar meus semelhantes, mas acho que mesmo Madre Teresa de Calcutá titubearia diante de tal tarefa. Lembro de ter visto, na "Sagrada Família", em Barcelona, um cartaz em homenagem à Madre Teresa, que dizia: “Les obres d'amor son obres de pau" (esta última palavra significa paz, em catalão). Sendo assim, no meu caso, devido à carência de um pau para toda obra, era compreensível a falta de empenho em obras de amor ao próximo. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_sM0y2eg_hLY/R_UAGUGPJ1I/AAAAAAAAAG4/fw250JBa4xA/s1600-h/DSC00648.JPG"&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5185055121227065202" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_sM0y2eg_hLY/R_UEKUGPJ3I/AAAAAAAAAHI/cAXCSDh-LsI/s200/DSC00648.JPG" border="0" /&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5185052643030935394" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_sM0y2eg_hLY/R_UB6EGPJ2I/AAAAAAAAAHA/ClrWw0e0uiw/s200/DSC00643.JPG" border="0" /&gt; &lt;p align="justify"&gt;&lt;em&gt;Beth&lt;/em&gt;, que andava mais bem servida nesse aspecto, pois engenheiros entendem de obras, procurava dar conselhos e ouvia pacientemente ao rosário de lamentações da &lt;em&gt;Loura Aflita&lt;/em&gt;. A cada nova revelação, eu estremecia e não sabia se ria ou chorava à medida que os relatos prosseguiam. Havia semelhanças com a novela “Mulheres Apaixonadas”, mas Manoel Carlos, preso aos padrões globais, jamais escreveria uma história como aquela. O enredo ficava entre os roteiros dos filmes de Almodóvar e as simulações exibidas no programa “Linha Direta”. E não é que a &lt;em&gt;Loura em Lágrimas&lt;/em&gt; estava com um figurino bem adequado ao estilo kitsch do cineasta espanhol: usava um cintão rosa que emoldurava a calça de jeans de cintura baixa e fazia conjunto com a sandália de salto alto de madeira, a qual possuía um nó, do mesmo couro sintético rosa, na altura do metatarso. Seus gestos, entonação e perfil psicológico não diferiam muito daqueles das personagens de “Mulheres à Beira de um Ataque de Nervos”. Vale ressaltar que ela também teve seu momento “Ata-me”, embora sem nenhuma conotação de fetiche sexual, e o que é pior: o responsável pelo ato está a anos luz de ser um Antônio Banderas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/lc7jzkuuJP0&amp;amp;hl=" width="425" height="355" type="application/x-shockwave-flash" wmode="transparent"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;div align="justify"&gt;É difícil evitar o sensacionalismo, diante de uma temática que envolve amor, ciúmes, escândalo e violência, mas sou uma jornalista séria e não quero expor a moça ao ridículo ou à comiseração pública. No entanto, não posso me furtar ao dever de relatar os fatos e os depoimentos que me foram feitos. Também acredito que tenho a responsabilidade social de chamar atenção para o absurdo da situação, para que outras pessoas, com experiências semelhantes, se conscientizem do mal que fazem a si próprias, procurem ajuda e tentem livrar-se do problema. Devo dizer também que os fatos serão aqui apresentados com base na versão da &lt;em&gt;Loura&lt;/em&gt; e podem estar distorcidos. Caberia também ouvir o &lt;em&gt;Selvagem&lt;/em&gt; para chegarmos mais próximo da verdade factual. Mas não quero correr os riscos que o jornalismo investigativo impõe; de maluco, quero distância. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Seguem alguns fragmentos da conversa, em formato de entrevista: &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;C.S. (sou eu, Cristiana Serra): “O que foi que aconteceu, você poderia nos explicar melhor?” &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Loura&lt;/em&gt;: “Ele ficou louco, porque eu saí do banheiro distribuindo balinhas. Queria saber de onde elas vieram e começou a me empurrar. Um rapaz tentou me proteger, e ele ia partir para cima do garoto, quando chegou o segurança. O rapaz me disse: ‘esse cara não te merece’”. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;(Aí, &lt;em&gt;Beth&lt;/em&gt; falou: “Não te merece mesxxxxxmo!”) &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;C.S.: “E depois, ele te agrediu?” &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Loura&lt;/em&gt;: “Na saída, ele me empurrou, e eu bati a cabeça na grade, num ferro. Depois caí, de frente, em cima dos cactos do jardim, estou cheia de espinhos na barriga”.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;C.S.: “Ele costuma ser agressivo com você, já fez coisas parecidas outras vezes?” &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Loura&lt;/em&gt;: “Não, ele é uma meiguice comigo, é super carinhoso, mas, de vez em quando, tem crises de ciúmes, surta e fica agressivo.” &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;C.S.: “Mas ele já te agrediu fisicamente, outras vezes, durante esses surtos?” &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Loura&lt;/em&gt;: “Não, quer dizer, um pouquinho. Um tapinha ou outro durante uma discussão. Uma vez, estávamos no carro, e ele ficou batendo minha cabeça contra a marcha. Só isso.”&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;C.S: “Mas por que você se submete a esse tipo de coisa e fica com um cara como esse?”&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Loura&lt;/em&gt;: “Apesar de tudo, sou apaixonada por ele. Eu preciso confessar uma coisa para vocês: eu sou órfã”.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;C.S.: “Não íamos deixar você na casa de seus pais?” &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Loura&lt;/em&gt;: “Na verdade, eles são meus tios, mas os chamo de pai e mãe”. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;C.S.: “Mais um motivo para você deixar o &lt;em&gt;Selvagem&lt;/em&gt;. Se você já conseguiu enfrentar um problema tão sério como a perda de seus pais, não vai conseguir dar um basta na situação e se afastar desse cara?” &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Loura&lt;/em&gt;: “Eu amo o &lt;em&gt;Selvagem&lt;/em&gt; e não suportaria mais essa perda; já perdi meus pais, meu tio que eu amava tanto e minha avó que era a pessoa mais importante da minha vida”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E eu que sempre pensei que o sofrimento torna as pessoas mais fortes. Toda regra tem exceção, é verdade. Nesse meio tempo, minha mãe ligou, para saber onde eu estava. Expliquei-lhe rapidamente a situação e disse que ainda não sabia que rumo esta tomaria e como eu voltaria para casa. Àquela altura, eu já não tinha mais ânimo para continuar com a entrevista em forma de conselho e desabafo, e propus que tomássemos uma decisão: “Ou saímos agora para deixar &lt;em&gt;Loura &lt;/em&gt;na casa dos tios-pais ou dormimos todas aqui na casa de &lt;em&gt;Beth&lt;/em&gt;, pois estou morta de cansada”. &lt;em&gt;Beth&lt;/em&gt; e a &lt;em&gt;Loura&lt;/em&gt; optaram pela segunda alternativa. Liguei para casa, para avisar que seria obrigada a dormir na casa de &lt;em&gt;Beth&lt;/em&gt;, e disse que ligaria assim que acordasse, para alguém me resgatar; naquele instante, quem queria fugir era eu. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;No caminho da quadra até a casa de &lt;em&gt;Beth&lt;/em&gt;, eu pensava no telefonema para minha mãe: “Meu Deus, toda essa história de &lt;em&gt;Loura em Fuga&lt;/em&gt;, de dormir na casa de &lt;em&gt;Beth&lt;/em&gt;, não poderia ser fruto da minha fértil imaginação, algo inventado como uma desculpa para dormir fora de casa, se eu tivesse encontrado o amor de minha vida ou mesmo um George Clooney (aqui me refiro ao ator mesmo, não ao rapaz da boate) que me levasse à loucura e com quem passaria a noite?”. Só na imaginação mesmo, pois a realidade era bem diferente: tive de dividir a mesma cama com &lt;em&gt;Beth&lt;/em&gt; e a &lt;em&gt;Loura&lt;/em&gt;. Minha paciência tinha chegado no limite, já não suportava mais a enxurrada de telefonemas, em sua maioria com &lt;em&gt;Lantejoula Rosa&lt;/em&gt;, a qual fazia toda a cobertura, diretamente da toca do &lt;em&gt;Selvagem&lt;/em&gt;, isso sem falar nas crises efêmeras e constantes de choro da &lt;em&gt;Loura&lt;/em&gt; (começavam e acabavam de uma hora para outra, como criança pequena que cessa imediatamente o choro quando tem sua vontade atendida), e seus sobressaltos, causados pela impressão de ter ouvido um barulho de moto. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Para quem sonhava em passar a noite junto de &lt;em&gt;George Clooney&lt;/em&gt; , não foi nada agradável ter de dormir toda espremida, pele com pele, bunda com bunda, ao lado de &lt;em&gt;Beth&lt;/em&gt;; ainda bem que temos intimidade suficiente para isso, afinal são mais de 15 anos de amizade. Não sei se, no caso de &lt;em&gt;Beth&lt;/em&gt;, a situação era a mesma na fronteira com a &lt;em&gt;Loura&lt;/em&gt;; se era, acho bem feito, para ela aprender a pensar duas vezes antes de oferecer sua cama para uma desconhecida (ou nem tão conhecida, já que ela tinha estado com a &lt;em&gt;Loura&lt;/em&gt; antes, em duas ocasiões). Foi aí que eu disse algo que ajudou a relaxar os nervos: “Se eu conseguir dormir, vou ter pesadelos com esse &lt;em&gt;Selvagenzinho&lt;/em&gt; verde olhando para mim”. Eu me referia a uma máscara verde à minha frente, que &lt;em&gt;Beth&lt;/em&gt; fez para o curso de teatro e que tinha alguma relação de semelhança com o &lt;em&gt;Selvagem&lt;/em&gt;, sua cara era tão feia quanto à dele. &lt;em&gt;Beth &lt;/em&gt;teve uma crise de riso e foi acompanhada por mim. A cama toda sacudia, nem a &lt;em&gt;Loura&lt;/em&gt; conseguiu se conter. Passada a crise, meu abdômen doía de tanto rir, &lt;em&gt;Beth&lt;/em&gt; ainda tinha breves explosões de riso, e com isso ficamos mais relaxadas e fomos rendidas pelo sono e o cansaço. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Lá pelas tantas, com o dia já claro, notei que a cama tinha ficado mais folgada. &lt;em&gt;Loura&lt;/em&gt; resolveu deitar-se no chão. Segundo nos contou, enquanto dormíamos, ela ficou rezando um terço. Acho que, para ver se a &lt;em&gt;Loura&lt;/em&gt; parava de falar que não conseguiria dormir, &lt;em&gt;Beth&lt;/em&gt; lhe deu um terço que ficava na cabeceira da cama. “Você é religiosa? Então se apegue com Ele. Ele é óóótimo, nessas horas!” Lia-se, no balãozinho imaginário sobre sua cabeça: “&lt;em&gt;Shut your mouth&lt;/em&gt; e deixe a gente dormir que eu também já estou de saco cheio, embora seja responsável por você estar aqui”. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Já ia esquecendo de mencionar que, antes da crise de riso, a última notícia do Boletim de &lt;em&gt;Lantejoula Rosa&lt;/em&gt; era a seguinte: “&lt;em&gt;DDD &lt;/em&gt;deixou o &lt;em&gt;Selvagem &lt;/em&gt;em casa, e este saiu para surfar com um amigo”. Isso era demais para mim: &lt;em&gt;DDD&lt;/em&gt;, coitado, todo arrebentado, eu e &lt;em&gt;Beth&lt;/em&gt; sem dormir tendo que aturar a &lt;em&gt;Loura&lt;/em&gt;, e a peste do &lt;em&gt;Selvagem&lt;/em&gt;, na praia, surfando! Me bata um abacate e me faça uma garapa, só para combinar com a máscara verde e a parede de cor pistache do quarto de &lt;em&gt;Beth&lt;/em&gt;! &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Por volta das 8h ou 9h, o noticiário anunciava: “&lt;em&gt;Selvagem&lt;/em&gt; vai à casa dos pais-tios e é recebido com suco e bolo pela mãe-tia da &lt;em&gt;Loura&lt;/em&gt;”. Eu de jejum, e &lt;em&gt;Maçaranduba&lt;/em&gt; comendo bolinho! Tudo bem, bolo engorda, e minha amiga, dona da casa, não deixou de me oferecer suco de laranja e sanduíche com pão e queijo light, servidos no quarto. O celular de &lt;em&gt;Beth &lt;/em&gt;também não teve sossego. Até o &lt;em&gt;Selvagem&lt;/em&gt; resolveu ligar e falou todo meiguinho com ela, na tentativa de obter alguma informação sobre o paradeiro da &lt;em&gt;Loura&lt;/em&gt;; obviamente, sem sucesso. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Enquanto &lt;em&gt;Loura&lt;/em&gt; decidia o que fazer e onde ficaria refugiada, novas revelações eram feitas, tais como: &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;1) “Estou pagando até hoje uma jóia que comprei para a mãe dele”.&lt;br /&gt;2) “No dia do meu aniversário, ele disse que queria terminar o relacionamento. Logo depois, fizemos amor, e ele me deixou em casa. Eu achava que diante das circunstâncias não tínhamos terminado. Mas ele se mandou para o Sauípe Folia. Disse que não foi, mas tenho certeza de que foi sim”.&lt;br /&gt;3) “Eu dei para ele uma prancha de R$ 650,00”.&lt;br /&gt;4) “Eu uma vez tentei convencê-lo a ir comigo para Igreja. Ele odeia psicólogo”.&lt;br /&gt;5) “No dia do aniversário dele, fui ao shopping comprar um presente. Mais tarde, estava fazendo brigadeiros junto com uma amiga, quando ele falou para eu mandar minha amiga embora. Eu fiz o que ele pediu, achando que ele queria ficar sozinho comigo. Quando ela saiu, ele surtou, me amarrou, me amordaçou e começou a dizer um monte de coisas”. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Gostaria de ter feito, naquela ocasião, os seguintes comentários, referentes a cada uma das revelações: &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;1) Nunca comprei uma jóia para mim com meu dinheiro, que dirá para uma sogra.&lt;br /&gt;2) Terminar com ele era o melhor presente de aniversário que ela poderia receber. Mas se deixou levar pelos versos de Leandro ainda com Leonardo: “Entre tapas e beijos, é ódio, é desejo, é sonho, é ternura, um casal que se ama até mesmo na cama provoca loucuras. E assim vou vivendo, sofrendo e querendo esse amor doentio...”&lt;br /&gt;2.1) Para o Sauípe Folia, ele foi mesmo. Além das provas testemunhais, entre as quais incluem-se meu depoimento e o de &lt;em&gt;Beth&lt;/em&gt;, há fotos e registros em vídeo.&lt;br /&gt;3) Dizem que surfar acalma os nervos. Nesse sentido, a prancha pode até ser considerada um investimento. Mas eu nunca dei um presente desse preço para meu ex-namorado, que me tratava muito bem e com o qual passei quase 9 anos.&lt;br /&gt;4) No caso do &lt;em&gt;Selvagem&lt;/em&gt;, um psiquiatra seria o profissional mais indicado; mas, diante da resistência a esse tipo de tratamento, em vez de levá-lo à Igreja, seria mais eficiente procurar uma rezadeira, um caboclo, para tirar o encosto, ou tentar, em última instância, um exorcista.&lt;br /&gt;5) “Tapinha não dói” só em uma sessão sadomasoquista com George Clooney, mesmo assim, com restrições. Amarrada e amordaçada, só se fosse por Antônio Banderas e a meu pedido: “Ata-me,&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_sM0y2eg_hLY/R_TwlkGPJ0I/AAAAAAAAAGw/glIdtJDsUYY/s1600-h/ata-me.bmp"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5185033599145944898" style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; CURSOR: hand" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_sM0y2eg_hLY/R_TwlkGPJ0I/AAAAAAAAAGw/glIdtJDsUYY/s200/ata-me.bmp" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; gostoso!”. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_sM0y2eg_hLY/R_TvykGPJyI/AAAAAAAAAGg/eqcYP0CmXS4/s1600-h/atame1gr.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5185032722972616482" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_sM0y2eg_hLY/R_TvykGPJyI/AAAAAAAAAGg/eqcYP0CmXS4/s200/atame1gr.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_sM0y2eg_hLY/R_Tv60GPJzI/AAAAAAAAAGo/kPAadalEg_o/s1600-h/atame1fv2.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5185032864706537266" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_sM0y2eg_hLY/R_Tv60GPJzI/AAAAAAAAAGo/kPAadalEg_o/s200/atame1fv2.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_sM0y2eg_hLY/R_Tv60GPJzI/AAAAAAAAAGo/kPAadalEg_o/s1600-h/atame1fv2.jpg"&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Beth &lt;/em&gt;deve ter sido contaminada pela insanidade, por ter dormido junto da &lt;em&gt;Loura&lt;/em&gt;, ou queria livrar-se dela a qualquer custo e, tomada pelo desespero, ofereceu-lhe seu village em Praia do Forte como refúgio. “Você pode ficar lá”. No entanto, para meu profundo pavor, a primeira opção configurava-se como a mais provável. Minha querida amiga começou a delirar: “Cole na gente, você vai se divertir muito e esquecer de vez esse &lt;em&gt;Selvagem&lt;/em&gt; que não te merece. Por que você não vai para Itacaré conosco, no próximo fim de semana? Cris, por enquanto, vai ficar sozinha no quarto”. &lt;/p&gt;&lt;div align="justify"&gt;Diante da última frase, gelei. Deus me livre viajar para dividir um quarto com uma desequilibrada que se deixa amordaçar, depois de já ter levado umas pancadas na cabeça contra a marcha do carro. E tudo por amor a uma criatura com a cara igual à da máscara verde e parecido com &lt;em&gt;Maçaranduba&lt;/em&gt;, inclusive no aspecto mental. E se o &lt;em&gt;Selvagem&lt;/em&gt; inventasse de aparecer por lá? Socorro, Okearô, meu pai, Oxossi!!! Me livre dessa. A sorte é que, quando a &lt;em&gt;Loura&lt;/em&gt; foi embora, &lt;em&gt;Beth&lt;/em&gt; recuperou seu juízo. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Eu já estava a ponto de enlouquecer, quando o telefone tocou mais uma vez, era o fixo do quarto de &lt;em&gt;Beth&lt;/em&gt;. &lt;em&gt;Lyly&lt;/em&gt; estava na linha e queria saber se eu iria para a praia com ela. Suspirei aliviada, tratava-se então de planejar a minha fuga. “Oi, minha querida”. “Cris, o que aconteceu, liguei para sua casa, e sua irmã me disse que você estava aí, a cachaça foi tanta assim que você teve de dormir na casa de &lt;em&gt;Beth&lt;/em&gt;?”. “Antes fosse, antes fosse. Você não sabe a noite terrível que passei”. “O que foi? Conte tudo!”. “Depois, depois...”. “Conte agora ou vou ter uma síncope de curiosidade”. “Não dá”. “Tem alguém aí do seu lado? Você não pode falar?”. “Isso”. E eu não podia satisfazer a curiosidade da minha amiga, e ao mesmo tempo não conseguia disfarçar o meu incômodo. Acertei tudo com &lt;em&gt;Lyly&lt;/em&gt;: ela passaria na casa de &lt;em&gt;Beth&lt;/em&gt; para me pegar; em seguida, iríamos rapidamente até minha casa, para eu colocar um biquíni, e, finalmente, seguiríamos para a praia. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Quando ela ligou novamente e disse “Estou saindo, fique pronta”, vi que a libertação se aproximava. Cerca de quinze minutos depois, &lt;em&gt;Loura&lt;/em&gt; gritou: “Ai, meu Deus, um barulho de carro. Olhe aí na janela”. Não era mais um de seus sobressaltos, era o carro de &lt;em&gt;Lyly&lt;/em&gt; e o fim do meu suplício. Me despedi de &lt;em&gt;Beth&lt;/em&gt;, falei com a &lt;em&gt;Loura&lt;/em&gt;, desci correndo as escadas e saí da casa com a mesma roupa da noite anterior. Só não corri até o carro, porque estava de salto alto. Iniciava-se um novo filme: “A Fuga da Morena para Honolulu&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn4" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=9082002872150641558#_ftn4" name="_ftnref4"&gt;[4]&lt;/a&gt;”. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Além de &lt;em&gt;Lyly&lt;/em&gt;, &lt;em&gt;Fabiane&lt;/em&gt; e &lt;em&gt;Paulete&lt;/em&gt; estavam no carro, e todas elas aguardavam ansiosamente o relato dos fatos. Como estava entre amigas, atendi ao apelo da audiência e dei início à primeira edição do Fofoca Alerta, até chegar o esperado momento de me purificar nas águas de Iemanjá.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Salvador, 10 de novembro de 2004&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cristiana Serra, em pleno dia de trabalho, a poucos minutos de sair para dar aula, grata por não saber até então o que aconteceu com a &lt;em&gt;Loura &lt;/em&gt;depois do último sábado. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn1" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=9082002872150641558#_ftnref1" name="_ftn1"&gt;[1]&lt;/a&gt; &lt;em&gt;Josy&lt;/em&gt; e &lt;em&gt;Beth&lt;/em&gt; inventaram essa denominação, inspiradas no protagonista de um desenho animado. Segundo elas, o nome do desenho, que é o mesmo do personagem, é “Joselito, um garoto sem limites”.&lt;br /&gt;&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn2" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=9082002872150641558#_ftnref2" name="_ftn2"&gt;[2]&lt;/a&gt; Esse era o nome da boate para a qual fomos naquela noite e que hoje não existe mais. No lugar dela, funciona um bar.&lt;br /&gt;&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn3" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=9082002872150641558#_ftnref3" name="_ftn3"&gt;[3]&lt;/a&gt; A semelhança entre os nomes (&lt;em&gt;Josy&lt;/em&gt; e Joselita) talvez seja mera coincidência.&lt;br /&gt;&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn4" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=9082002872150641558#_ftnref4" name="_ftn4"&gt;[4]&lt;/a&gt; Honolulu era o nome da barraca de praia para a qual iríamos&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9082002872150641558-4496695365648317337?l=cristianaserra.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cristianaserra.blogspot.com/feeds/4496695365648317337/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9082002872150641558&amp;postID=4496695365648317337' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9082002872150641558/posts/default/4496695365648317337'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9082002872150641558/posts/default/4496695365648317337'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cristianaserra.blogspot.com/2008/04/uma-breve-nota-sobre-o-texto-na-verso.html' title='“Tapinha não dói, só um tapinha!” ou “A Loura em Fuga e o Selvagem da Motocicleta”'/><author><name>Cris</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05164885794284654292</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_sM0y2eg_hLY/R_WWnUGPJ_I/AAAAAAAAAII/VPC__ZximB8/s72-c/info.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9082002872150641558.post-2647257562202527503</id><published>2008-03-23T16:25:00.016-03:00</published><updated>2008-03-23T18:58:34.664-03:00</updated><title type='text'>O universo em desencanto, o coqueiro derrubado e o telefonema bomba</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_sM0y2eg_hLY/R-bBJkGPJwI/AAAAAAAAAGQ/FtAkJoPrnmI/s1600-h/ludo.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5181040791389153026" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_sM0y2eg_hLY/R-bBJkGPJwI/AAAAAAAAAGQ/FtAkJoPrnmI/s200/ludo.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;strong&gt;VOLTE UMA JOGADA, &lt;/strong&gt;&lt;strong&gt;quer dizer, &lt;/strong&gt;&lt;strong&gt;VOLTE UMA POSTAGEM. &lt;/strong&gt;&lt;strong&gt;Se você chegou até aqui sem passar pelo texto anterior, recomendo que o leia antes deste. Isso não é necessariamente um pré-requesito. Se não quiser, pode avançar a leitura, pois são textos independentes, embora o primeiro a ser postado contextualize o segundo.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/strong&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_sM0y2eg_hLY/R-a2y0GPJrI/AAAAAAAAAFo/xcuG3uu5aKY/s1600-h/Digitalizar0001.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5181029405430851250" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_sM0y2eg_hLY/R-a2y0GPJrI/AAAAAAAAAFo/xcuG3uu5aKY/s200/Digitalizar0001.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Na barraca de praia, a pedido de Rodrigão, que era o dono do CD, se ouvia a voz grave de Tim Maia cantando “Que beleza é curtir a natureza...”, mas eu não me sentia feliz ao ver a superfície prateada do mar de Garapuá, com as nuances de cor-de-rosa características do final de tarde. Ao contrário do que afirmava a música, eu não conseguia curtir a brisa e a paisagem belíssima daquele lugar. Eram os primeiros sinais de que algo não ia bem, nos últimos dias do ano de 2002.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Mas havia uma outra música do disco &lt;em&gt;Racional&lt;/em&gt; que tinha mais a ver com meu estado de espírito. A melodia era bastante melancólica, e um dos versos falava de um livro intitulado “O universo em desencanto”. Davi, que passara oito meses em Londres tentando se encontrar, estava mais perdido e sem rumo do que nunca. Esse era o principal motivo do meu desencanto: as promessas de &lt;em&gt;happy end&lt;/em&gt; não haviam se concretizado com a volta dele, e o tão sonhado reveillon não tinha o clima de romance que eu esperava, mesmo estando num lugar paradisíaco, ao lado do homem que eu amava e de quem estive longe por um tempo. O fato de ele finalmente estar próximo e parecer mais distante do que quando um oceano nos separava me angustiava profundamente. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;“Um futuro promissor” foi o que ele nos desejou no brinde com champanhe, após o beijo da virada de ano. Apesar de achar que aquelas palavras não combinavam muito com Davi, jamais me passaria pela cabeça, a idéia de um futuro promissor sem ele junto de mim. A frase, obviamente, se referia ao nosso futuro como um casal, mas o destino a interpretou de outra maneira. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;A dança estava apenas começando, e somente um dos sete véus da ilusão havia caído, em Garapuá, no início do ano de 2003. Daí em diante, eu já não me empolgava como antes, quando Davi falava em “nossa casinha” ou fazia planos de casamento. Mesmo assim, eu acreditava que se tratava de uma crise passageira no nosso namoro. Afinal, eram muitas as expectativas, de ambos os lados, que havia em torno da viagem a Londres; portanto, as frustrações também deveriam ser compreensíveis. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;As revistas femininas anunciavam um ano regido por Vênus, o planeta do amor. O horóscopo da &lt;em&gt;Cláudia&lt;/em&gt;, para o meu signo, dizia:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“De janeiro a abril, o período é propício ao isolamento e à introspecção. Você vai se sentir bem em casa ou com amigos íntimos. O importante é não levar tudo a sério demais e diminuir as expectativas da vida amorosa. Entre junho e setembro, com a insatisfação amenizada, você estará mais fortalecida e confiante. Para manter esse clima, evite discussões e procure conservar a calma. A partir de outubro, os bons aspectos de Vênus e Urano trazem a solução dos impasses. Você ampliará sua percepção, verá com outros olhos o parceiro e se sentirá muito mais livre para amar sem barreiras. Cultive: o pragmatismo, com atitudes e palavras otimistas, que encorajem a autonomia do parceiro. Evite: a nostalgia. Ter algumas cicatrizes no coração é inevitável. Cabe a você escolher revisitá-las ou seguir em frente”.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;O que a emoção é capaz de fazer com a razão, em um ser de Câncer, mesmo que ele tenha ascendente em Libra! E o que é a fragilidade humana: a pessoa estuda, lê McLuhan, Pierre Lévy, Edgar Morin e Paulo Freire, torna-se Mestre em Comunicação e Cultura Contemporâneas e vai apegar-se às previsões de uma tal de Teresa Kawall, que nem se sabe se é astróloga. Pois é, comecei a seguir à risca os conselhos do horóscopo: pragmática, sempre fui, e não custava nada levantar o moral do meu parceiro, que, principalmente, nos primeiros meses do ano, realmente passou por uma fase meio pra baixo; visitinhas às cicatrizes no coração, nem pensar! E eu seguia em frente, sempre tendo como perspectiva o mês de outubro, que traria os bons aspectos de Vênus e Urano. Mas o que estava escrito nas estrelas tinha um significado um pouco diferente daquele atribuído, por mim, ao texto da revista &lt;em&gt;Cláudia&lt;/em&gt; do mês de janeiro.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Ao longo do ano, passamos por períodos de altos e baixos, e as constantes oscilações eram permeadas, nos momentos críticos, de conversas para discutir a relação, as conhecidas DRs. Estas se revestiam de um tom mais maduro e diferiam bastante das chorumelas (discussões chatinhas devido aos pequenos problemas cotidianos de um casal) de outros tempos; eram consideradas, por nós, como ajustes necessários para a mudança de patamar prevista, já que pensávamos em dividir uma casa, as contas e as responsabilidades, ter filhos (Amir&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn1" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=9082002872150641558#_ftn1" name="_ftnref1"&gt;[1]&lt;/a&gt; e/ou, talvez, Malu&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn2" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=9082002872150641558#_ftn2" name="_ftnref2"&gt;[2]&lt;/a&gt;) e deixar de ser apenas namoradinhos. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Numa noite, assistimos ao documentário sobre a Oficina de Atores do filme &lt;em&gt;Cidade de Deus&lt;/em&gt;, que vinha como extra no DVD e que eu exibiria para meus alunos. No depoimento de Gutti Fraga, coordenador do projeto &lt;em&gt;Nós do Morro&lt;/em&gt; e responsável pela oficina, ele justificava o sucesso do filme afirmando que haviam construído uma boa base. “Eu acredito muito na base”, enfatizava. E foi a base sólida sobre a qual a nossa relação havia sido construída que impediu que terminássemos o namoro, duas noites depois daquela em que vimos como foi feita a preparação dos atores de&lt;em&gt; Cidade de Deus&lt;/em&gt;, como desdobramento de uma DR que aconteceu ainda na mesma noite em que assistimos ao DVD. Respeito, admiração, confiança, cumplicidade e muito tesão (mesmo depois de 8 anos juntos) eram os pilares do nosso relacionamento.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Nós também acreditávamos muito na base. No entanto, uma cena que presenciei em Busca-Vida abalou um pouco a minha crença. Aquilo me marcou tanto que acho que foi uma espécie de prenúncio do que viria acontecer um tempo depois. Antes é preciso contextualizar que o clima entre nós era bom naquele fim de semana, a “insatisfação estava amenizada”, e eu me sentia “mais fortalecida e confiante”. Dona Áurea, a avó de Davi, ordenou ao caseiro que derrubasse um coqueiro que se encontrava bastante inclinado pela ação do vento, pois havia o risco, ainda que não fosse iminente, de ele vir a cair sobre a casa. Davi, que estava acostumado (e até saudoso, conforme seus comentários) aos serviços braçais, depois ter trabalhado como operário de obra em Londres, disse que ele mesmo se encarregaria da tarefa. Pegou o machado e, à custa de muito suor, empregado em lentos e duros golpes, pôs o coqueiro abaixo. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Enquanto as farpas voavam com as machadadas de Davi, eu pensava nas raízes que compunham uma base capaz de sustentar um tronco tão elevado e uma copa tão pesada, erguidos em direção ao céu. Depois de finalizado o trabalho, restava apenas um toco feio como a lembrança do que antes fora uma árvore imponente. Eu detinha meu olhar no cerne avermelhado da base que ficou presa à terra, e uma sensação de dor pairava no ar. Ouvia-se novamente o som seco dos golpes do machado, naquele instante empenhados em transformar em banco o tronco caído no chão. Praticamente cheguei a pressentir, mas não podia imaginar, de forma alguma, que o corte lento e profundo, como o verso de Cazuza, mais tarde, seria entre Davi e eu. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;No dia 30 de outubro de 2003, vivi meu 11 de setembro. O elemento surpresa e as repercussões do fato, que não só abalou a maior potência mundial, como, de um dia para o outro, alterou toda configuração política e econômica global, fazem com que o ataque &lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_sM0y2eg_hLY/R-a6YkGPJsI/AAAAAAAAAFw/dCvQxVBW-t8/s1600-h/torres_11set.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5181033352505796290" style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; CURSOR: hand" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_sM0y2eg_hLY/R-a6YkGPJsI/AAAAAAAAAFw/dCvQxVBW-t8/s200/torres_11set.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;terrorista promovido por Bin Laden seja o que, por comparação, melhor ilustre o efeito que a resolução de terminar o namoro, anunciada por Davi num telefonema, teve sobre mim. Quando ele falou que via com clareza que a nossa relação seria inviável a longo prazo, isso teve um impacto tão forte quanto o provocado pelo choque, seguido de explosão, do primeiro avião contra uma das torres gêmeas. A conversa prosseguiu por alguns minutos, e o segundo avião atravessou meu coração no momento em que Davi confirmou que estava seguro da decisão que tinha tomado, pouco antes de desligarmos o telefone.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Da mesma forma que aqueles que viram as imagens do atentado em Nova York pela televisão e as fotografias estampadas nas primeiras páginas dos jornais e nas capas de revistas do mundo inteiro custavam a acreditar que aquilo fosse verdade, também parecia coisa de cinema que alguém (Davi) pudesse terminar um namoro de oito anos e meio, falando ao celular, no meio da Praça Municipal, sob o sol do meio dia e tendo a sua frente a vista espetacular da Baía de Todos os Santos. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Se para os que receberam a notícia (diferentemente do episódio do 11 de setembro, estes, no nosso caso, foram muito poucos num primeiro momento) aquilo soava como inacreditável, para mim, era mais difícil ainda processar a informação e aceitar a nova configuração, cujo primeiro cenário era completamente desastroso e desesperador. Para efeito de contextualização, aqui cabe uma breve retrospectiva dos fatos que antecederam o telefonema bomba. No dia anterior, Davi havia me ligado, todo feliz, no meio da tarde, para me comunicar que o projeto no qual ele estava trabalhando, provavelmente, seria renovado e que isso representaria a possibilidade de ele ganhar um salário fixo nos próximos dois anos, o que, segundo suas palavras, tornava mais concreta a perspectiva de casamento em curto ou médio prazo. Nesse mesmo dia, à noite, devido a um motivo banal, tivemos uma pequena discussão que nem chegou a se configurar como tal: eu estava à beira da exaustão depois de ter passado duas semanas corrigindo pilhas de trabalhos madrugada adentro, e Davi queria que eu fosse para casa dele, em vez de ele ir para minha, alegando que também estava cansado. Eu considerei aquilo um comportamento egoísta, já que, em outras duas ocasiões naquela semana, ele havia superado o cansaço para sair com os amigos, mas, embora um pouco chateada, encerrei a conversa numa boa e fui dormir para recuperar o sono perdido, pois, além de achar injusto, não estava em condições físicas de sair de casa àquela hora para me encontrar com ele. No dia seguinte, ele me ligou quando eu estava na faculdade. Eu falei que já tinha entrado na sala e que só estava aguardando a outra professora sair, para começar a minha aula. Ele disse: “Só liguei mesmo para dar um beijinho”. E eu respondi no mesmo tom frio com que atendi a ligação, pois queria demonstrar que estava insatisfeita com a atitude dele na noite anterior: “Quando chegar em casa, eu ligo para você”. Foi exatamente o que fiz, e as minhas queixas externadas durante a conversa contribuíram para que ele, seguindo um impulso, resolvesse dar um fim ao relacionamento, de forma repentina e por isso mesmo devastadora. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;A imagem das torres ruindo lentamente e queimando por dentro é muito mais eloqüente, para representar o modo como me senti, do que a do coqueiro derrubado em Busca-Vida. Nos três casos (incluindo aí o meu namoro com Davi), a base sólida não foi capaz de sustentar a estrutura firme e tão bem construída, tamanho foi o impacto causado pelo golpe sofrido. Bin Laden conseguiu atingir em cheio o coração financeiro do planeta, e partir daí a ordem mundial nunca&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_sM0y2eg_hLY/R-a8EUGPJtI/AAAAAAAAAF4/3BWL6GKFtVQ/s1600-h/torres.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5181035203636700882" style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; CURSOR: hand" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_sM0y2eg_hLY/R-a8EUGPJtI/AAAAAAAAAF4/3BWL6GKFtVQ/s200/torres.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; mais seria a mesma; meu coração também tinha sido brutalmente atingido, e Davi, que era o centro dele, assumiria um outro papel em minha vida, que, desde então, mudaria substancialmente. Das torres que um dia foram as mais altas do mundo, logo depois da tragédia, só restavam os escombros e a fumaça decorrente da explosão. A visão dos dois prédios lado a lado não fazia mais parte da paisagem da ilha de Manhattan; assim aconteceria comigo e Davi. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Em meio à comoção provocada pela minha “tragédia” pessoal, eu não tinha a menor condição de fazer qualquer tipo de previsão sobre o que aconteceria depois daquilo e não podia me valer da opinião dos especialistas em análises sobre a conjuntura pós-desastre; no máximo, contava com palavras de consolo da família e dos amigos mais próximos. A dor era absurdamente forte; era como se os gritos e os choros das milhares de vítimas do atentado terrorista em Nova York e daqueles que ali perderam seus amigos e familiares ecoassem dentro de mim. Qualquer tentativa de descrição desse sentimento pode parecer exagero e/ou perde a força ao ter de se valer desse tipo de comparação, talvez um tanto clichê, para caracterizar a situação, mas é, ao mesmo tempo, insuficiente para dar a dimensão exata do meu sofrimento. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;É de Caetano uma frase que fala de quão é impressionante “a força que as coisas parecem ter, quando precisam acontecer”. E foi mesmo incrível eu ter encontrado uma força interna que me fez resistir ao impulso de ligar para Davi enquanto aguardava que ele me ligasse novamente, mesmo porque eu merecia uma explicação mais detalhada e esclarecedora sobre o que tinha acontecido. Não queria que uma ligação minha o induzisse a voltar atrás na decisão; se isso tivesse de acontecer, deveria ser por iniciativa dele, e eu não poderia exercer qualquer tipo de pressão nesse sentido, sob pena de depois ter de viver numa permanente insegurança, sem saber se ele o fez, por vontade própria ou por influência minha. O telefonema bomba aconteceu ao meio dia de uma quinta-feira, e o outro, aquele telefonema por mim esperado, só veio a acontecer na noite de domingo. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Um relacionamento de tanto tempo não poderia ter seu fim decretado numa conversa por telefone. Ou melhor, o tempo de convivência não era o principal fator agravante; a grande questão era: um grande amor não podia acabar assim (“feito espumas ao vento”). Nos encontramos na segunda-feira, para ter a esperada conversa cara a cara, olhos nos olhos, cheios de lágrimas, no caso de Davi; eu não sei como encontrei uma serenidade, advinda da tal força de que fala Caetano, e consegui conter meu pranto. Enquanto ele chorava copiosamente à medida que tentava justificar sua decisão por meio de uma argumentação demasiadamente superficial, eu procurava mostrar as conseqüências que aquilo teria em nossas vidas, e sobre as quais eu passara os últimos dias refletindo, quando o desespero dava uma trégua. Havíamos chegado num ponto limite, uma nova fase seria inaugurada, e havia duas possibilidades: romper definitivamente ou renovar por tempo indeterminado o “acordo tácito” que mantinha o nosso vínculo. Para mim, uma decisão como aquela não podia ser tomada repentinamente; necessitava de um tempo de reflexão para ser sacramentada. E a minha proposta era justamente dar a Davi esse tempo, para que, longe de mim e da minha influência, ele pudesse escolher uma entre as duas opções que estavam colocadas. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;O período ― este durou um mês ― que antecedeu a decisão final foi marcado por uma agonia insuportável, devido à indefinição que marcava aquela primeira separação. Tudo, para mim, era novo e motivo de muito sofrimento: estar longe de Davi, não saber como ele estava reagindo à situação e, o que era pior, não conseguir imaginar o que viria dali em diante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Antes de nos despedirmos, após a dolorosa conversa naquela segunda-feira, Davi me disse: “O rompimento nunca será definitivo”. Aquela sentença, em vez de me animar, tinha um outro sentido para mim. Um sentido que não só foi interpretado do ponto de vista semântico, mas, literalmente, sentido na pele, na carne: naquele instante, pude experimentar o peso do grilhão de ferro com que Davi me acorrentava a ele. E eu sabia que aquela amarra teria de ser quebrada, caso ele optasse pela nossa separação, e que eu teria de lutar com todas as minhas forças para não me deixar escravizar por aquele amor que, de fato, até então por minha livre vontade, me prendia inexoravelmente a ele. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;E um beija-flor marrom, pousado numa amendoeira, assistiu àquela nossa despedida, enquanto, coincidentemente, e/ou por obra do destino, Caetano cantava no rádio do meu carro, sintonizado na &lt;em&gt;Nova Brasil&lt;/em&gt;: “Agora, que faço eu da vida sem você? Você não me ensinou a te esquecer, você só me ensinou a te querer, e te querendo eu vou tentando me encontrar...”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/6jpXaZhezIo&amp;amp;rel=" width="425" height="355" type="application/x-shockwave-flash" hl="en" wmode="transparent"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Durante meses, eu vivi exatamente o que diziam aqueles versos, popularizados na trilha sonora do filme &lt;em&gt;Lisbela e o Prisioneiro&lt;/em&gt;, até que um dia o grilhão se rompeu sem que eu me desse conta disso. E foi assim que vivenciei a sensação de liberdade e constatei que já não era mais prisioneira daquele amor incondicional. O horóscopo da &lt;em&gt;Cláudia&lt;/em&gt;, com um certo atraso, é verdade, acabou se concretizando, na medida em que ampliei a minha percepção e passei a ver com outros olhos o meu antigo parceiro, além de me sentir muito mais livre para amar, sem barreiras, a vida, a mim mesma e quem quer que apareça em meu caminho para ocupar novamente meu coração.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Salvador, 21 de abril de 2005,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cristiana Serra, um tanto afetada emocionalmente pelas lembranças que vieram à tona, de forma catártica; mas, de certo modo, orgulhosa por levar a cabo a difícil tarefa de escrever sobre essa fase da separação. Acredito que ainda haverá outros textos sobre o período que seguiu o fim do namoro com Davi, mas esses certamente não serão tão dolorosos como este que acabei de redigir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn1" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=9082002872150641558#_ftnref1" name="_ftn1"&gt;[1]&lt;/a&gt;Nome escolhido, por Davi, devido à sua admiração por Amir Klink, mas de que eu não gostava por ser um nome estrangeiro e porque temia que meu filho, inspirado no nome, se tornasse um navegador solitário.&lt;br /&gt;&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn2" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=9082002872150641558#_ftnref2" name="_ftn2"&gt;[2]&lt;/a&gt; Nome escolhido, por mim, por ser curtinho e forte, mas de que Davi não gostava por causa da possível rima.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9082002872150641558-2647257562202527503?l=cristianaserra.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cristianaserra.blogspot.com/feeds/2647257562202527503/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9082002872150641558&amp;postID=2647257562202527503' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9082002872150641558/posts/default/2647257562202527503'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9082002872150641558/posts/default/2647257562202527503'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cristianaserra.blogspot.com/2008/03/o-universo-em-desencanto-o-coqueiro.html' title='O universo em desencanto, o coqueiro derrubado e o telefonema bomba'/><author><name>Cris</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05164885794284654292</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_sM0y2eg_hLY/R-bBJkGPJwI/AAAAAAAAAGQ/FtAkJoPrnmI/s72-c/ludo.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9082002872150641558.post-4780254486020801670</id><published>2008-03-23T15:02:00.005-03:00</published><updated>2008-03-23T16:19:06.547-03:00</updated><title type='text'>O que é meu não é mais seu</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;“Cristiana,&lt;br /&gt;(...) Foi impossível ler isso sem deixar de ter, todo o tempo, como pano de fundo na memória, aquela cena de Almodóvar, em ‘Fale com Ela’, em que o jornalista escritor de guias de viagem, Marco, sai de um pocket show de Caetano, se afasta dos outros, a toureira-então-namorada se aproxima, pergunta o que foi, e ele (depois de dizer que o canto de Caetano lhe arrepia os pelos da bunda) diz algo assim: ‘o amor, quando acaba, é a coisa mais triste que existe, como diz uma canção de Jobim’. Adoro aquela cena e lendo você lembro dela.” &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/a9kRUY4WLFI&amp;amp;rel=" width="425" height="355" type="application/x-shockwave-flash" hl="en" wmode="transparent"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esse foi o comentário que Malu, a que, por sorte (uma vez que isso estreitou nosso vínculo), elegi como minha primeira crítica especializada, fez ao ler o texto que escrevi sobre o término do meu namoro com Davi. Acho interessante publicá-lo aqui, não só porque ele fala de um momento que marcou indelevelmente a minha vida, mas também porque, de certa forma, ele representa uma espécie de “antecedentes” desses outros textos que caracterizam as “pequenas porções de diversão”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que diz a música de Jobim citada pelo personagem de Almodóvar lembrado por Malu corresponde, parcialmente, à minha experiência. O fim do meu namoro com Davi não coincidiu, propriamente, com o fim do amor; este só acabou muito tempo depois. A coisa mais triste que existe talvez seja, justamente, a separação quando o amor ainda existe. Eu, pelo menos, tenho motivos de sobra para acreditar nisso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com base no que vivi, posso estabelecer um paralelo com uma outra música de Jobim (cantada por Caetano, em "Prenda Minha"), cujo título é “Meditação”, uma vez que passei por todas as etapas que são descritas nesta canção. Acreditei no amor, no sorriso e na flor, e sonhei, sonhei, e como sonhei! Abriguei a tristeza de ver tudo isso se perder e procurei o caminho a seguir, já descrente de um dia feliz. Chorei, chorei, e tanto que o pranto, quando secou, secou de vez. Desde então, ainda não vivenciei, de forma plena e em sua totalidade, a volta do amor, do sorriso e da flor, mas a fase da tristeza, felizmente, acabou, e isso já faz um bom tempo. Não vou dizer que, nesse período, não tive os meus amores. Estes não eram bem do tipo de mandar flores, mas me trouxeram o sorriso quase abobado de quem só vê flores e mais amores, e é isso o que importa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/7wo5tYCcZLg&amp;amp;rel=" width="425" height="355" type="application/x-shockwave-flash" wmode="transparent" hl="en"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;A frase que costuma ser usada como consolo é verdadeira: “tudo na vida passa”. Existem aqueles que fazem piadinha dizendo que “tudo é passageiro, menos o motorista e o cobrador”. Há ainda outros que gostam de usar um complemento que eu acho muito do sem gracinha: “Tudo na vida passa, até a uva passa”. Lembro de uma variação sobre esse tema, que me tocou profundamente. Eu ainda estava descrente de um dia feliz, pois ainda sofria por Davi, embora já estivesse procurando o caminho a seguir. Tinha ido para um show do “Cordel do Fogo Encantado”, na Concha Acústica. Lá pelas tantas, antes de começar a “cantar pra saudade com seu vestido vermelho”, o vocalista performático anunciou na introdução da música: “Tudo passa, na vida, tudo passa, mas nem tudo que passa a gente esquece”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/9t2RLR_igXk&amp;amp;rel=" width="425" height="355" type="application/x-shockwave-flash" hl="en" wmode="transparent"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por mais tristes que sejam, algumas coisas, mesmo quando passam, não são nem devem ser esquecidas, porque são passagens importantes que compõem a nossa vida. Foi por isso que mais de um ano depois que terminei o namoro com Davi resolvi escrever sobre a nossa separação, sem a lente da dor e até com um certo toque de humor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na época em que namorávamos, Davi adorava a empregar a frase “o que é meu é seu”, inclusive porque, muitas vezes, se beneficiava com isso. Hoje somos amigos, e toda vez que ele ensaia algo que sugere essa idéia, como na ocasião em que me convenceu a lhe dar um anel de lua e estrela que eu adorava, eu respondo: “Aonde? Nem vem que o que é meu não é mais seu. Se contente com seu FGTN, fundo de garantia por tempo de namoro, isto é, os presentinhos que lhe dei quando éramos namorados”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O amor acabou, mas restou a amizade. E tenho o raríssimo privilégio de poder afirmar que meu ex-namorado, ex-futuro-pai-de-meus-filhos, ex-amor-para-toda-vida, é atualmente meu bróder ― assim mesmo, bróder em vez de brother, na forma aportuguesada da gíria, com uma forte conotação de cumplicidade, que poucos irmãos de sangue chegam a ter entre si.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O anel de lua e estrela Davi jogou no mar. O amor que ele me tinha não era pouco, porém se acabou. O que eu tinha por ele se transformou em amizade, o que não deixa de ser uma outra forma de amor. O certo é que nós demos a meia volta, ou melhor, uma meia volta inteira por cima. E, na ciranda da vida, vamos todos cirandar, mesmo que a saudade no peito faça força para o tempo parar. Dias sim, dias não, sobrevivi sem nenhum arranhão. E, em meio às “pequenas porções de diversão”, vou lhes apresentar um texto que fala de um momento em que o tempo rodou num instante as voltas do meu coração. As rimas foram involuntárias; as referências a letras da nossa música popular, obviamente, foram de caso pensado. Vamos chamar o síndico, pois o próximo texto começa com Tim Maia. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9082002872150641558-4780254486020801670?l=cristianaserra.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cristianaserra.blogspot.com/feeds/4780254486020801670/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9082002872150641558&amp;postID=4780254486020801670' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9082002872150641558/posts/default/4780254486020801670'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9082002872150641558/posts/default/4780254486020801670'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cristianaserra.blogspot.com/2008/03/cristiana.html' title='O que é meu não é mais seu'/><author><name>Cris</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05164885794284654292</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9082002872150641558.post-662619422395811594</id><published>2008-03-15T17:17:00.021-03:00</published><updated>2008-03-17T00:29:32.903-03:00</updated><title type='text'>Pé de aliche?????</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Minha querida e única irmã hoje mora no Rio de Janeiro e trabalha num escritório de arquitetura na Barra da Tijuca. Já está no Rio há mais de dois anos, mas, tirando um “s” um pouco mais chiado (isto é, com som de xxxxx), de vez em quando, e uma entonação levemente diferente que só eu consigo notar, não perdeu o sotaque de sua terra. Muito pelo contrário. Ela continua empregando com a mesma freqüência o “Oxe!” como interjeição de surpresa e ou de discordância, e os cariocas com os quais ela convive, muitas vezes, são obrigados a consultar o dicionário de baianês. A primeira vez em que a faxineira foi fazer uma limpeza no apartamento dela, Marília disse para a moça: “Não repare, não. Isso aqui tá um mangue. Acabei de me mudar”. E a criatura olhou para o chão, para o teto e para tudo que estava em volta, com aquele ar interrogativo, até que Marília percebeu e explicou: “Ah, me desculpe. Na Bahia, quando a gente fala ' Tá um mangue', é para dizer que está muito bagunçado”. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Além da fala mais arrastada e do léxico exclusivo do vocabulário baiano, há outros traços que não negam a origem de (observem que, por sermos baianas, tanto eu como Marília usamos “de” e não, “da”, como fazem os cariocas) minha irmã, como podem atestar seus colegas de trabalho. Quando o bicho está pegando (os cariocas também usam essa expressão), ela invoca Santo&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_sM0y2eg_hLY/R9wzVkqKijI/AAAAAAAAAFc/2QK0VMQIurk/s1600-h/santo_expedito.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5178070117280025138" style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; CURSOR: hand" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_sM0y2eg_hLY/R9wzVkqKijI/AAAAAAAAAFc/2QK0VMQIurk/s200/santo_expedito.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; Expedito e coloca um santinho (de papel impresso, daqueles que as pessoas distribuem quando fazem promessa; pelo menos, aqui em Salvador é desse jeito) ao lado do computador. O boy (antigamente, quem exercia essa função era chamado de contínuo, tanto no Rio como na Bahia) que trabalha no escritório acha isso um absurdo, pois a igreja evangélica da qual ele é fiel condena a devoção aos santos. “Onde já se viu, em vez de Jesus, ficar rezando para homem morto?”, brada ele indignado. E sempre que ouve esse comentário, Marília não consegue deixar de pensar na reação que ele teria se soubesse da Iemanjá gigante que eu tenho no quarto e fica numa prateleira ao lado de minha cama. Outro dia, o cristão ficou de cara fechada e foi se queixar com a secretária, porque Marília e os outros arquitetos estavam ouvindo “música de macumba”. As “músicas de macumba” em questão eram de um CD de Maria Bethânia (“&lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=L_GjQKSCmNQ"&gt;Dentro do mar tem rio&lt;/a&gt;”) que Marília tinha levado para ouvir no escritório. E foi para não despertar a ira e a intolerância religiosa do boy evangélico que ela achou melhor deixar no carro as flores que havia comprado para Iemanjá no dia 02 de fevereiro. No intervalo de almoço, ela aproveitaria para ir até a praia fazer suas oferendas. No entanto, minha irmã não abriu mão de ir para o trabalho vestindo uma blusa com a imagem de Iemanjá que eu comprei para ela usar no dia da apresentação de seu trabalho de conclusão de curso na faculdade (como o projeto dela era um oceanário, a referência à Rainha das Águas, que inclusive foi mencionada na fundamentação teórica do trabalho, era totalmente pertinente). &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Como se vê minha irmã é herdeira legítima do sincretismo religioso presente na cultura baiana. É certo que ela tem suas crenças e mandingas, mas nunca sequer pisou num genuíno terreiro de candomblé em Salvador (apenas em uma única ocasião consultou o ifá ― jogo de búzios ―, na sala de um apartamento no Catete, no centro da cidade do Rio de Janeiro, e foi a uma roça de santo em Niterói; isso porque foi me acompanhar numa consulta e num trabalho de limpeza que fiz com uma mãe de santo que é tia de minha madrinha e mora no Rio). Portanto, a pecha de macumbeira, não lhe cabe de modo algum. Até porque, é bom ressaltar, isso não deveria ser uma pecha nem para ela nem para ninguém; afinal, respeito à liberdade de culto é bom, e todos deveriam gostar. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;No entanto, minha irmã faz por merecer a fama que tem, principalmente aos olhos do boy evangélico. Antes de voltar das férias em Salvador, ela foi à Ceasa (Central de Abastecimento de Salvador) do Rio Vermelho comprar acarajés e abarás congelados, que seriam levados para o Rio em sua bagagem, e, já que tinha passado por uma barraca de ervas, resolveu comprar também um banho “chama emprego” para o namorado de uma amiga do escritório que estava desempregado e outro de “comigo ninguém pode” para dar de presente ao chefe de meu cunhado. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Tudo isso explica o raciocínio da arquiteta do escritório, a mesma que namorava o rapaz desempregado, quando Marília lhe receitou “Pedialyte” para ajudar a amenizar o mal estar decorrente de uma infecção intestinal. A moça não estava indo para o trabalho, e minha irmã ligou para saber do estado de saúde dela. Ao final da conversa, a amiga de minha irmã perguntou: &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;― Onde eu acho para comprar? &amp;shy; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;― Em qualquer farmácia. Você nunca tomou? Minha mãe sempre me dava, quando eu tinha dor de barriga ― disse Marília. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;― Obrigada pela dica e por ter ligado. Vou procurar ― ela agradeceu, esperançosa de que a sugestão de Marília surtisse efeito. &lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_sM0y2eg_hLY/R9wvcUqKiaI/AAAAAAAAAEU/UBnUgddYhk4/s1600-h/romana.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5178065835197630882" style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; CURSOR: hand" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_sM0y2eg_hLY/R9wvcUqKiaI/AAAAAAAAAEU/UBnUgddYhk4/s200/romana.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Quando desligou o telefone, a menina ficou intrigada com a medicação indicada por minha irmã. “Pé de aliche? Será que é uma planta para fazer chá? Aliche que eu saiba é um peixinho que se coloca na pizza, parece um atum mais salgado. Mas deve existir uma planta com o mesmo nome. Não vou nem comentar aqui em casa, para não acharem que é coisa de macumba da Bahia”, pensou ela enquanto procurava o telefone de uma farmácia. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Ligou para a farmácia: &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;― Por favor, vocês têm “pé-de-aliche”?, perguntou à funcionária que atendeu. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;― Temos sim. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;― Têm? ― a colega de Marília não esperava por aquela resposta, pois achava que não se vendia aquilo em farmácia. &lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_sM0y2eg_hLY/R9wvckqKibI/AAAAAAAAAEc/rCK04fmXtQ8/s1600-h/pedialyte20drink.bmp"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5178065839492598194" style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; CURSOR: hand" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_sM0y2eg_hLY/R9wvckqKibI/AAAAAAAAAEc/rCK04fmXtQ8/s200/pedialyte20drink.bmp" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;― Sim, senhora. A senhora vai querer normal ou com sabor? Temos de framboesa, de morango... &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;― Framboesa? Morango? Como assim? &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;― Esses são com sabor, mas temos o normal, que é o que a maioria prefere ― disse a funcionária da farmácia. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_sM0y2eg_hLY/R9wvc0qKidI/AAAAAAAAAEs/XqRhgF3ZIhY/s1600-h/pÃ©.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5178065843787565522" style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; CURSOR: hand" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_sM0y2eg_hLY/R9wvc0qKidI/AAAAAAAAAEs/XqRhgF3ZIhY/s200/p%C3%A9.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;― Mas eu estou procurando uma planta, para fazer chá. É uma planta medicinal. Pé-de-aliche. &lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_sM0y2eg_hLY/R9wvc0qKicI/AAAAAAAAAEk/rojOfrIGydU/s1600-h/image004.jpg"&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;― A senhora me desculpe, mas disso nunca ouvi falar. Não conheço nenhuma planta com esse nome. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;― Tudo bem, obrigada. Eu sabia que não iria encontrá-la em farmácia. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Quando o pai da colega de Marília chegou em casa, vendo o estado da filha perguntou: &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;― Filha, você ainda está assim? Está tomando algum remédio, alguma coisa que alivie o mal estar? &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;― O que eu posso tomar, além do “Floratil”? É preciso deixar sair o que provocou a infecção; os médicos dizem que é melhor não tomar remédio para prender. O pior é que não consigo comer nada. Além do mal estar do enjôo, ainda tem a fraqueza. Desse jeito, não tenho condições de ir trabalhar. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;― Por que você não toma “Pêdialyte”? Vai se sentir melhor. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;― O senhor conhece isso????? ― perguntou, espantada. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;― “Pêdialyte”. Claro, filha. É um soro, é indicado justamente nos casos de desitratação provocada por diarréia aguda. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;― Quer dizer que não é uma planta para fazer chá? &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;― Óbvio que não. De onde você tirou essa idéia? ― respondeu o pai da menina, achando que a fraqueza já estava afetando as idéias da filha. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_sM0y2eg_hLY/R9wwqkqKifI/AAAAAAAAAE8/5xbK9--9Mlc/s1600-h/image004.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5178067179522394610" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_sM0y2eg_hLY/R9wwqkqKifI/AAAAAAAAAE8/5xbK9--9Mlc/s200/image004.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_sM0y2eg_hLY/R9wyL0qKiiI/AAAAAAAAAFU/gZJBZukDBmo/s1600-h/images+mais.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5178068850264672802" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_sM0y2eg_hLY/R9wyL0qKiiI/AAAAAAAAAFU/gZJBZukDBmo/s200/images+mais.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_sM0y2eg_hLY/R9wwqkqKigI/AAAAAAAAAFE/hnmQ1aEHfgQ/s1600-h/img.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5178067179522394626" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_sM0y2eg_hLY/R9wwqkqKigI/AAAAAAAAAFE/hnmQ1aEHfgQ/s200/img.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;strong&gt;OU &lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_sM0y2eg_hLY/R9wwq0qKihI/AAAAAAAAAFM/OdzgNlLaiuY/s1600-h/Pedialyte.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5178067183817361938" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_sM0y2eg_hLY/R9wwq0qKihI/AAAAAAAAAFM/OdzgNlLaiuY/s200/Pedialyte.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Moral da história: De um “é” para um “ê”, existe uma enorme diferença. Essa vida é uma grande piada, até quando se está na merda. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9082002872150641558-662619422395811594?l=cristianaserra.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cristianaserra.blogspot.com/feeds/662619422395811594/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9082002872150641558&amp;postID=662619422395811594' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9082002872150641558/posts/default/662619422395811594'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9082002872150641558/posts/default/662619422395811594'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cristianaserra.blogspot.com/2008/03/p-de-aliche.html' title='Pé de aliche?????'/><author><name>Cris</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05164885794284654292</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_sM0y2eg_hLY/R9wzVkqKijI/AAAAAAAAAFc/2QK0VMQIurk/s72-c/santo_expedito.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9082002872150641558.post-611577201738404585</id><published>2008-03-14T13:48:00.014-03:00</published><updated>2008-03-14T16:41:50.420-03:00</updated><title type='text'>O roubo das palmeiras</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Esse texto foi escrito nos últimos dias de maio de 2005. Lena não trabalha mais na &lt;em&gt;Pizza Hut&lt;/em&gt;, mas continua sendo uma pessoa diferente, isto é, fora do comum, o que quer dizer o mesmo que extraordinária, e, por isso, especial. Por tudo isso e muito mais, é minha grandessíssima amiga (como não sou a favor de &lt;em&gt;ranking&lt;/em&gt; de amizade, é melhor dizer assim; se fizesse um &lt;em&gt;top ten&lt;/em&gt;, ela certamente estaria no alto da lista). Foi ela quem me apresentou a bicha, que também é &lt;em&gt;muy&lt;/em&gt; querida, e me contou a história abaixo. Por mais fiel ao relato de Lena, este texto não terá a mesma graça do caso contado pessoalmente por ela, que realmente tem todo um talento cênico para a arte da narrativa oral e sabe entreter qualquer platéia. Mas espero que as limitações próprias da palavra escrita (das minhas, pelo menos) sejam superadas pela comicidade dos fatos. Vamos ao texto, na forma como ele foi originalmente escrito.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Lena e a Bicha em: o roubo das palmeiras&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_sM0y2eg_hLY/R9rC_0qKiXI/AAAAAAAAAD8/d62bK1eUSYg/s1600-h/palmeira.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5177665123338848626" style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; CURSOR: hand" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_sM0y2eg_hLY/R9rC_0qKiXI/AAAAAAAAAD8/d62bK1eUSYg/s200/palmeira.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu nem deveria escrever sobre isso, uma vez que o caso que aqui será narrado constitui um ato ilícito, e, o que é pior, este foi praticado por uma amiga minha, tendo como cúmplice (na verdade, a palavra mais certa seria comparsa, se não pesasse a hierarquia da condição profissional) uma bicha&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn1" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=9082002872150641558#_ftn1" name="_ftnref1"&gt;[1]&lt;/a&gt; que trabalhava para ela. Mas trata-se de uma história muito engraçada para ficar armazenada, e correndo o risco de se perder, nos arquivos da memória. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;A amiga em questão é Lena Rivas, gerente de marketing da &lt;em&gt;Pizza Hut&lt;/em&gt;, que, na ocasião, estava incumbida de preparar um treinamento para os funcionários. O slogan “&lt;em&gt;Pizza Hut&lt;/em&gt;: diferente como você” sintetizava a idéia que seria então explorada pelo marketing; e o primeiro passo era fazer com que os funcionários da empresa a internalizassem, para que pudessem agir de forma que os clientes realmente se sentissem pessoas diferentes, isto é, pessoas fora do comum, o que quer dizer o mesmo que extraordinárias, e, por isso, especiais. Tendo em vista esta proposta, Lena precisava cuidar da produção de um treinamento que fosse algo original ou, pelo menos, que fugisse do habitual. Mas é preciso ressaltar que a única coisa realmente inusitada foi o que ela fez para conseguir um elemento (dois, para ser mais exata) que, segundo ela, não poderia faltar na decoração do local onde ocorreria o evento. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Não sei o que motivou a escolha, só sei que a idéia não partiu de Lena, mas “Havaí” era o tema que nortearia a concepção do cenário e das dinâmicas que seriam realizadas no treinamento. Soube que uma delas, essa sim concebida por Lena, foi colocar os funcionários para seguir os passos das coreografias que eram feitas na pista de dança do &lt;em&gt;Café Cancun&lt;/em&gt;, boate da qual a minha amiga já foi freqüentadora assídua. Ao som da mesma seleção musical feita pelo DJ do &lt;em&gt;Cancun&lt;/em&gt;, Lena pôs os funcionários a dançar, entre outras músicas, uma cujo refrão diz “&lt;em&gt;Follow the leader, leader&lt;/em&gt;...”. A líder, animadora e coreógrafa, obviamente, foi ela mesma, que rebolava, subia e descia, ia para frente e para trás, para um lado e para o outro, acompanhando as instruções cantadas na música (“&lt;em&gt;arriba&lt;/em&gt;”, “&lt;em&gt;abajo&lt;/em&gt;”, “&lt;em&gt;derecha&lt;/em&gt;”, “&lt;em&gt;izquierda&lt;/em&gt;”) e repassando-as para os que a seguiam na sua performance. Além de descontrair a galera, aquilo trazia a seguinte mensagem, que deveria ser incorporada como lição do treinamento: ou seja, era uma demonstração de que, se uma pessoa tão comportada (Deus está vendo!) como a gerente de marketing da &lt;em&gt;Pizza Hut&lt;/em&gt; podia fazer aquilo (leia-se pagar aquele mico), todos poderiam assumir atitudes diferentes, conforme o novo lema da empresa, criado pelo setor do qual Lena era integrante. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;A supracitada dinâmica liderada por Lena já foi uma tarefa da qual ela ficou encarregada durante o evento; antes disso, coube a ela fazer toda a produção para decorar o ambiente de acordo com a temática. Para tanto, Lena contratou os serviços de Eduardo, que é chamado por ela, e assim também o será chamado nesta narrativa, de “a bicha”. A bicha já foi funcionário do setor de festas de aniversário da &lt;em&gt;Pizza Hut&lt;/em&gt;, em que era responsável pela decoração; por seu carisma e talento, subiu de posto, mas foi cortado do quadro da empresa quando esta teve de fazer uma redução de custos; e hoje presta serviços esporádicos, de forma terceirizada, principalmente, em eventos como o tal treinamento sobre o qual se está falando.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Segundo os comentários de Lena, a bicha é um mestre em decoração. E aqui cabe um nem tão breve parêntese antes de narrar o fato principal de toda essa história, inclusive para explicar como esta veio à tona em uma conversa no &lt;em&gt;Aice Sushi&lt;/em&gt;. Lena, que já conhecia as habilidades artísticas da bicha, cuja criatividade revelava-se na ornamentação das festas de aniversário realizadas na &lt;em&gt;Pizza Hut&lt;/em&gt;, não só a (ou “o”, já que biologicamente é homem) ajudou a alcançar um cargo melhor na empresa, como também costumava requisitar seus serviços nas festinhas promovidas no “albergue”, como era apelidado o apartamento dela e de Susana, nos períodos em que este estava desocupado, isto é, sem inquilinos. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;O papo sobre “a bicha”, do qual emergiu a tal história da época do treinamento dos funcionários, começou durante uma discussão sobre qual poderia ser o tema da decoração da festa de aniversário que Lena talvez faria, no “albergue”, para comemorar seus 31 anos. Estávamos conversando, em uma mesa do &lt;em&gt;Aice Sushi&lt;/em&gt;, eu, minha irmã Marília, a única que tenho, Lena, e Carla e Lana, que também são irmãs e são amigas de Lena, e hoje, minhas também (isso é que eu chamo de contextualização!). Ao longo da conversa, Lena, Lana e Carla lembravam e contavam para mim e Marília como eram as decorações e quais foram os temas das festas anteriores, que aconteceram numa época em que elas já eram amigas, mas eu, muito menos Marília, não as conhecia. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Houve uma à fantasia; outra que foi uma festa &lt;em&gt;dark&lt;/em&gt;, para a qual a bicha comprou uma massa especial com que fez teias de aranha para serem espalhadas por todos os cantos, além de enfeitar a sala com balões pretos e roxos; e, em todas elas, independentemente da temática, eram colocadas luzes vermelhas, de modo que, pela iluminação, dava perfeitamente para identificar de onde vinha o barulho que ecoava por todo o quarteirão. Lena comentou que, quando o videokê era moda, para desespero dos vizinhos, ela e seus convidados alugavam o aparelho e, ao final ou no início de cada música, ainda tinham a cara de pau de dizer: “Eu queria agradecer, especialmente, ao vizinho do 1501, pois sem a boa vontade dele não seria possível fazer essa festa”; “Oh, porteiro, essa vai, especialmente, para você e para toda a galera da rua que está nos ouvindo”. Ela também lembrou que uma amiga uma vez levou uma caixa com gelo seco, mas este, por falta da infra-estrutura apropriada, não teve o efeito desejado, uma vez que tinha de ser colocado numa bacia bem no meio da sala (pois não havia ninguém que se dispusesse a sair, com a bacia na mão, rodando pelo apartamento) e evaporava em pouco tempo.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;“Você lembra de um aniversário seu que tinha um bolo de arco-íris? Depois eu fiquei sabendo que o arco-íris é o símbolo dos homossexuais, e a bicha, descarada, nem para dizer. Você sabia disso?”, disse Lana, insinuando que a bicha teria se aproveitado da situação e de uma suposta ignorância de Lena, para difundir um emblema do mundo gay. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;“Eu sabia sim, mas não me importei, porque achei o colorido bonito”, disse Lena, deixando claro que não via nenhum mal naquilo. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;“E se achassem que você era lésbica?”, ainda insistiu Lana. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;“E eu estou me importando com o que vão achar?”, respondeu Lena.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;“Ah, eu me importaria. Imagine, acharem que eu sou lésbica por causa de um bolo de gay... Eu não ia gostar nada disso!”, disse Lana antes de Lena&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn2" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=9082002872150641558#_ftn2" name="_ftnref2"&gt;[2]&lt;/a&gt; introduzir um novo tema na conversa. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Finalizado este diálogo, Lena começou a relatar como foi feita a decoração do referido (já várias vezes) treinamento para os funcionários da &lt;em&gt;Pizza Hut&lt;/em&gt;, cujo tema (também já citado) era Havaí: “A bicha é um perigo. Ela chega no &lt;em&gt;Le Biscuit&lt;/em&gt; e diz: ‘eu quero esse, esse, e mais esse, todos esses’. Para compor o cenário do Havaí, espalhou areia por todo o salão. Pensem no trabalho que deu para limpar no dia seguinte! Mas o pior de tudo foi arranjar as palmeiras”. Foi aí que Lena deu início à narrativa da história que me motivou a escrever esse texto, a qual, finalmente, será aqui contada, logo em seguida. Agora sim começa o que poderia ser um conto, e não uma crônica, com o título de “O roubo das palmeiras”.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Lena conseguiu até uma prancha de surf com seu vizinho, para integrar o cenário do salão onde seria dado o treinamento. Segundo ela, a decoração da bicha estava impecável, mas faltava alguma coisa para criar a atmosfera do Havaí. Chegaram à conclusão de que precisavam de duas palmeiras, já que, obviamente não apenas pelas dimensões do espaço, seria impossível colocar dois coqueiros no local. Como as que encontraram à venda no mercado eram muito caras, Lena desistiu de providenciar palmeiras de verdade e mandou a bicha dar um jeito, nem que tivesse de fazer de papel crepom.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Ao final do dia, ao ver o salão todo arrumado, Lena não se conformava com a ausência das palmeiras: “Elas ficariam tão belas, uma em cada canto da parede...”&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;“Vai dar quinhentos reais numa palmeira, por acaso???!!! Eu preciso ir para casa, viu?”, disse a bicha numa tentativa de fazer com que Lena desse o serviço por encerrado. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Iniciou-se um impasse, uma vez que Lena não queria abrir mão daquele elemento cenográfico e cobrava uma solução por parte da bicha.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;“Trezentos reais numa palmeira não tem condição. E agora o que fazemos? Será que a gente encontra alguma palmeira para o lado da praia?”, dizia Lena esperando da bicha qualquer outra sugestão.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;“Você está maluca de ir à praia a essa hora procurar uma palmeira! Eu é que não quero ser estuprada!&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn4" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=9082002872150641558#_ftn4" name="_ftnref4"&gt;[3]&lt;/a&gt;”, disse a bicha refutando categoricamente essa alternativa.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;“Mas também não dou trezentos reais numa palmeira. Pensa aí, bicha”, dizia Lena, sem dar sinais de que desistiria facilmente do que queria. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;“Ali no estacionamento do &lt;em&gt;Baby-Beef&lt;/em&gt; tem umas; você teria coragem de ir lá arrancá-las?”, a bicha falou por falar, pois não imaginava que Lena levaria a cabo aquela idéia ilícita e, por isso mesmo, insana.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;“Melhor do que dar trezentos reais ou ficar sem as palmeiras. Onde já se viu Havaí sem palmeiras?’’, disse Lena já pensando num jeito de providenciar os instrumentos necessários e na estratégia do roubo. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_sM0y2eg_hLY/R9rHg0qKiZI/AAAAAAAAAEM/uss6o9umllY/s1600-h/espiÃ£o.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5177670088321042834" style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; CURSOR: hand" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_sM0y2eg_hLY/R9rHg0qKiZI/AAAAAAAAAEM/uss6o9umllY/s200/espi%C3%A3o.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;“Me senti em &lt;em&gt;Missão Impossível&lt;/em&gt;, cheguei no estacionamento do Baby-beef com os faróis do carro apagados. Liguei para um funcionário da &lt;em&gt;Pizza Hut&lt;/em&gt; e ordenei: ‘Bispo, arranje aí dois facões e traga até meu carro que está parado no estacionamento perto da loja. Venha logo, e depois eu lhe explico’”, nos relatou Lena, reproduzindo, então, em tom de suspense, o diálogo que manteve com o funcionário, o qual, ainda que indiretamente, foi obrigado a se envolver na história.&lt;/div&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Seguindo as ordens de Lena, Bispo foi até o estacionamento com os dois facões entre os braços. Lena deu um sinal de luz para que ele visse onde estava o carro e fosse ao encontro dela. Bispo entregou rapidamente os facões para Lena, estranhando a situação. “Obrigada, Bispo, pode ir, e depois eu lhe conto o que vou fazer com esses facões, não se preocupe que não vou matar ninguém. Agora pode ir, pois não podemos chamar atenção”, disse Lena procurando tranqüilizá-lo e ao mesmo tempo dispensando Bispo. De posse dos facões, entrou no carro, onde a bicha a aguardava. Quando os dois se viram com os facões nas mãos, não conseguiram conter a crise de riso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Vamos logo antes que apareça alguém. Ou melhor, você vai, e eu fico no carro vigiando”, disse Lena já apressando a bicha e tentando tirar o corpo fora do serviço mais sujo.&lt;/p&gt;&lt;div align="justify"&gt;“Mas que puta&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn5" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=9082002872150641558#_ftn5" name="_ftnref5"&gt;[4]&lt;/a&gt;! Ficar vigiando no carro... Essa é boa!”, disse a bicha indignada.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;“Vai logo, bicha, não podemos ficar aqui discutindo. Vá que eu vou com você, mas fico vigiando”, disse Lena, de forma persuasiva, ou melhor, literalmente, imperativa, afinal a bicha não podia se esquecer de que era subordinada (“o” – pela condição biológica) a ela. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;“Instantes depois, eu só via o matinho sacudindo. Até tentei ensaiar uns golpes com o facão, mas minha palmeira nem se abalava”, nos contou Lena. Ao ver que não teria êxito, mais uma vez ela transferiu a tarefa para a bicha, que foi quem, de fato, arrancou as duas palmeiras do estacionamento do &lt;em&gt;Baby-Beef&lt;/em&gt;, embora Lena tivesse pedido dois facões para Bispo. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;“Vocês precisavam ver a cena: a bicha carregando uma palmeira apoiada em cada ombro, sem parar de reclamar de que estava todo(a) sujo(a) de terra. Eu dizia: ‘Quieta, bicha, você quer que eles nos vejam’. Enfiamos as palmeiras no meu carro, que ficou parecendo um matagal; a &lt;em&gt;jungle&lt;/em&gt;, minhas irmãs! Para dirigir, eu tinha de abrir espaço entre a folhagem”, Lena nos contava fazendo toda a encenação corporal (com bastante ênfase na mímica da ação de enfiar e no gesto de tirar o mato da cara). &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Lena então sentiu um cheiro ruim e perguntou a bicha o que era aquilo: “Isso é terra? Esse fedor horrível é da terra?”.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;“Merda, minha filha, merda, eu PI-SEI na merda. Tudo por causa dessas malditas palmeiras”, gritava a bicha irritada e com sua afetação gay característica&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn6" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=9082002872150641558#_ftn6" name="_ftnref6"&gt;[5]&lt;/a&gt;. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Não me lembro se eles chegaram a devolver os facões para Bispo antes de seguirem com as palmeiras para o hotel onde seria dado o treinamento. No trajeto do carro até o salão, eles tiveram que passar pela área da piscina. “Os gringos que estavam lá não tiravam o olho das palmeiras carregadas pela bicha. E eu tentava disfarçar a vergonha”, nos disse Lena, franzindo os olhos e abrindo os dentes num sorriso sem graça, em sua representação (um tanto exagerada para dar um ar cômico ao relato) da sua cara de vergonha na ocasião. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5177667601534978434" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_sM0y2eg_hLY/R9rFQEqKiYI/AAAAAAAAAEE/CHUmploElqg/s200/palmeira+praia.jpg" border="0" /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;As palmeiras roubadas do &lt;em&gt;Baby-Beef&lt;/em&gt; passaram então a fazer parte da &lt;em&gt;Hawai Palm Beach&lt;/em&gt; criada para o treinamento da &lt;em&gt;Pizza Hut&lt;/em&gt;. Lena testemunhou na prática e deu uma prova concreta de que ser diferente vai muito além de dançar o ula-ula numa dinâmica de grupo. Junto com a bicha, também deu um exemplo de perfeccionismo e dedicação profissional (ainda que de forma, no mínimo, excêntrica): cometeu um crime, fez a bicha pegar no facão e pisar na merda; tudo para conseguir o cenário perfeito. Acho que o marketing da &lt;em&gt;Pizza Hut&lt;/em&gt; deveria fazer uma pequena alteração no slogan, no intuito de torná-lo muito mais verdadeiro. Este ficaria assim: “&lt;em&gt;Pizza Hut&lt;/em&gt;: diferente como Lena”. E eu ainda faria o seguinte adendo: que, além de louca (isto só de vez em quando), é, sem dúvida, uma pessoa extraordinária.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Salvador, 29 de maio de 2005&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cristiana Serra, irresponsável, por ter escrito esta narrativa em vez de corrigir a pilha de trabalhos dos alunos que a aguarda no armário, mas grata por ter uma amiga como Lena e poder presenteá-la com este texto, às vésperas de seu aniversário (dia 02 de junho). Esta crônica também é dedicada à bicha, numa homenagem ao Dia Internacional do Orgulho Gay, que será celebrado daqui a um mês (dia 28 de junho) e cujas comemorações já começaram desde hoje, a exemplo da Parada Gay que está acontecendo nesse exato momento em São Paulo.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn1" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=9082002872150641558#_ftnref1" name="_ftn1"&gt;[1]&lt;/a&gt; Embora seja politicamente incorreto, o substantivo, que é utilizado como sinônimo de homossexual, no presente texto, não tem uma conotação pejorativa e/ou preconceituosa, uma vez que é empregado como apelido autorizado pelo apelidado, o qual já se acostumou a ele, quase como se este fosse seu nome próprio. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn2" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=9082002872150641558#_ftnref2" name="_ftn2"&gt;[2]&lt;/a&gt; Lena e Lana parece nome de dupla sertaneja. Lana Kelly e Lena Cristiny, mais ainda. Cabe esclarecer que Kelly é mesmo o segundo nome de Lana e que lenacristiny@hotmail.com é o e-mail com que Lena foi cadastrada no MSN, por um amigo dela, maluco, diga-se de passagem, que não teve paciência de ficar fazendo outras tentativas após não poder cadastrá-la com seu nome verdadeiro, pois já existiam outras pessoas com o mesmo e-mail. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn4" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=9082002872150641558#_ftnref4" name="_ftn4"&gt;[3]&lt;/a&gt; Quando Lena, na mesa do &lt;em&gt;Aice Sushi&lt;/em&gt;, lançando mão de seus dotes cênicos (não é uma atriz profissional, mas tem talento para a coisa), reproduziu a fala da bicha utilizando a entonação que certamente lhe seria própria (à bicha), eu quase engasguei com o &lt;em&gt;harumaki hot holl&lt;/em&gt;, e as outras meninas tiveram uma crise de riso. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn5" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=9082002872150641558#_ftnref5" name="_ftn5"&gt;[4]&lt;/a&gt; Do mesmo modo que Lena não pode ser acusada de preconceito por usar o termo bicha como vocativo, o substantivo utilizado pela bicha para se referir à Lena, de acordo com os padrões lingüísticos gays, não pode ser considerado como um desrespeito. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn6" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=9082002872150641558#_ftnref6" name="_ftn6"&gt;[5]&lt;/a&gt; Tanto a irritação como a afetação foram magistralmente interpretadas por Lena. Certamente, os nossos vizinhos de mesa, no &lt;em&gt;Aice Sushi&lt;/em&gt;, devem ter se surpreendido, ao ouvir aquela frase enunciada com tamanha veracidade, com Lena arregalando os olhos, balançando as mãos e todo o corpo, e acentuando, principalmente, o “r” de “merda”. E nós nos acabávamos de rir, e eu, com resto de gripe, além dos de riso, tinha acessos de tosse, os quais tentava conter com o guardanapo de pano. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9082002872150641558-611577201738404585?l=cristianaserra.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cristianaserra.blogspot.com/feeds/611577201738404585/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9082002872150641558&amp;postID=611577201738404585' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9082002872150641558/posts/default/611577201738404585'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9082002872150641558/posts/default/611577201738404585'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cristianaserra.blogspot.com/2008/03/o-roubo-das-palmeiras.html' title='O roubo das palmeiras'/><author><name>Cris</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05164885794284654292</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_sM0y2eg_hLY/R9rC_0qKiXI/AAAAAAAAAD8/d62bK1eUSYg/s72-c/palmeira.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9082002872150641558.post-186674735963504580</id><published>2008-03-08T15:56:00.016-03:00</published><updated>2008-03-08T18:37:01.644-03:00</updated><title type='text'>Cartinha para uma águia no Dia Internacional da Mulher</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Como hoje é o Dia Internacional da Mulher ― não foi à toa que escolhi essa data para o lançamento do meu blog ― lembrei de um texto que escrevi um tempo atrás sob encomenda e como forma de socorrer uma amiga num momento de aperto. Embora não achasse muito correto, afinal sou muito certinha (de pai e mãe) no que se refere a esse tipo de coisa, não poderia deixar de atender ao pedido de uma das mais queridas entre minhas queridas amigas. Como professora, obviamente, recriminaria meus alunos se eles fizessem o que ela fez. Mas, numa situação como aquela, que resultava num certo conflito ético (pelo menos, para mim), temos de pesar todas as variáveis envolvidas. A amiga em questão assistiu a todas as aulas, não faz parte da galera que leva os estudos com a barriga e na malandragem; apenas estava muito sobrecarregada de trabalho, e aquela era uma avaliação de uma disciplina que não era tão crucial para a área de conhecimento na qual ela estava se especializando na pós-graduação. Fora isso, a tarefa passada pelo professor de Filosofia fugia um pouco do convencional e exigia uma certa dose de criatividade. Não que a minha amiga não tivesse esse dom, muito pelo contrário; ela só não estava em condições favoráveis para explorar seu potencial criativo naquele momento. Considerando tudo isso, não vi mal em fazer o trabalho no lugar dela, mesmo porque ajudar um amigo é uma atitude nobre, o que me deixava com a consciência tranqüila.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_sM0y2eg_hLY/R9LhqUqKiSI/AAAAAAAAADU/OhD7CLIneZ4/s1600-h/73958g.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5175447039018436898" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_sM0y2eg_hLY/R9LhqUqKiSI/AAAAAAAAADU/OhD7CLIneZ4/s200/73958g.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Sim, mas o que tudo isso tem a ver com o Dia Internacional da Mulher? Aguardem e verão. O professor de minha amiga passou um texto, provavelmente retirado do livro (ou talvez inspirado nele) “A águia e a galinha”, de Leonardo Boff, cuja história era a seguinte: uma águia foi criada por (ou com, não me lembro exatamente) galinhas. Achava que era galinha, mas descobriu que era uma águia. Mesmo assim, após a revelação de sua verdadeira identidade, ela queria continuar vivendo como uma galinha. Até o dia em que foi expulsa do galinheiro. A tarefa exigida pelo professor de Filosofia era: escrever uma carta para Áquila (minha amiga disse que esse era o nome da ave, mas eu não cheguei a ler o texto que serviu de base para a atividade), a águia, com alguns conselhos sobre como lidar com a crise pela qual ela estava passando. Segue a cartinha para Áquila, escrita por mim, na condição de ghost-writer de minha estimada amiga.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;“Cara Áquila,&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_sM0y2eg_hLY/R9LhrEqKiTI/AAAAAAAAADc/uqTeZlA0NHI/s1600-h/Ã¡guia.jpg"&gt;&lt;/a&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_sM0y2eg_hLY/R9LhrEqKiTI/AAAAAAAAADc/uqTeZlA0NHI/s1600-h/Ã¡guia.jpg"&gt;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_sM0y2eg_hLY/R9LivkqKiVI/AAAAAAAAADs/oS-8iH8wX0E/s1600-h/Ã¡guia.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5175448228724377938" style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; CURSOR: hand" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_sM0y2eg_hLY/R9LivkqKiVI/AAAAAAAAADs/oS-8iH8wX0E/s200/%C3%A1guia.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Embora sejamos espécies diferentes do reino animal, compreendo, perfeitamente, como você se sente, o conflito pelo qual está passando. Realmente, não é fácil experimentar uma mudança tão radical, de um dia para o outro. Os da minha espécie chamam isso de mudança de paradigma, trata-se de algo semelhante a uma revolução: ter o céu como limite, ter uma visão de amplo alcance, depois de, durante anos e anos, passar boa parte do tempo só olhando para o chão, num raio bastante limitado. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;No meu mundo, nos dias de hoje, talvez a mudança seja a única constante. Mesmo assim, são muitos os que, como você, reagem com medo diante de uma realidade desconhecida, em vez de encarar, como desafio, o necessário processo de adaptação, não vislumbrando, grande parte das vezes, a abertura de novas possibilidades. E olhe que nós humanos temos uma enorme capacidade de aprendizado, ao contrário das galinhas que, ainda que quisessem ser como as águias, jamais poderiam fugir de sua natureza. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Alguns da minha espécie se olham no espelho, se sentem grandessíssimos idiotas por não usarem dez por cento de sua cabeça animal enquanto outros levam sua vidinha normalmente e se contentam com o fato de o Senhor ter lhes concedido o domingo para passear com a família no jardim zoológico e dar pipoca aos macacos. Áquila, minha cara, você tem pela frente a possibilidade de voar e conhecer novos horizontes, mas se recusa a ver isso, por mero apego aos velhos hábitos, à realidade com a qual está acostumada, só porque esta lhe parece mais cômoda. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Veja o que aconteceu com minhas semelhantes, as mulheres; podemos, inclusive, estabelecer um paralelo com a sua história. No início do século passado, as fêmeas da minha espécie eram criadas para servirem aos seus machos e cuidarem do seu ninho. Essa era a realidade que elas conheciam. No entanto, algumas delas perceberam que tinham potencial para alçar vôos maiores e passaram a se questionar: por que viver como galinhas, se podiam ser como as águias?&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Mais do que viver um conflito interno como o que está sendo vivenciado por você, tais mulheres tiveram de travar um conflito muito maior. Foi difícil, mas valeu a pena: com muito custo, conquistaram posições de destaque na sociedade, garantiram seu lugar no mercado de trabalho, conseguiram sua independência financeira, a liberdade e o poder de serem senhoras do seu destino. Mais do que se defrontarem com uma realidade desconhecida, muitas delas desempenharam um papel fundamental na criação de uma nova realidade. Mais do que se adaptarem às mudanças, existiram aquelas que provocaram as mudanças. Você tem noção do que é isso? &lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_sM0y2eg_hLY/R9LiwUqKiWI/AAAAAAAAAD0/L4cWk579-TI/s1600-h/Ã¡guia+vÃ´op.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5175448241609279842" style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; CURSOR: hand" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_sM0y2eg_hLY/R9LiwUqKiWI/AAAAAAAAAD0/L4cWk579-TI/s200/%C3%A1guia+v%C3%B4op.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No entanto, apesar de todas essas conquistas, há muitas mulheres que agem exatamente como você: descobriram que são águias, mas continuam vivendo como galinhas, preocupadas em manter os pintinhos debaixo das asas e baixando a crista quando o marido canta de galo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Espero que desse exemplo você possa tirar algumas lições, do mesmo modo que conhecer a sua história me serviu de estímulo para esta reflexão. Como conselho derradeiro, só me resta dizer: levante a cabeça, mire o horizonte que tem pela frente e decole. Não há razão para medo, você está totalmente equipada para voar. Devo reconhecer que eu também, ainda que num sentido metafórico.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_sM0y2eg_hLY/R9Lhr0qKiUI/AAAAAAAAADk/N6LMw-aCnT0/s1600-h/queda+livre2.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5175447064788240706" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_sM0y2eg_hLY/R9Lhr0qKiUI/AAAAAAAAADk/N6LMw-aCnT0/s200/queda+livre2.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Parabéns para todas as mulheres, principalmente aquelas que têm garra para alçar vôos cada vez mais altos. Às outras que ainda não chegaram nesse estágio, recomendo que brindem o Dia Internacional da Mulher com uma taça de Redbull. Afinal, Redbull TE DÁ ASAS!!!!!!!&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9082002872150641558-186674735963504580?l=cristianaserra.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cristianaserra.blogspot.com/feeds/186674735963504580/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9082002872150641558&amp;postID=186674735963504580' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9082002872150641558/posts/default/186674735963504580'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9082002872150641558/posts/default/186674735963504580'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cristianaserra.blogspot.com/2008/03/cartinha-para-uma-guia-no-dia.html' title='Cartinha para uma águia no Dia Internacional da Mulher'/><author><name>Cris</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05164885794284654292</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_sM0y2eg_hLY/R9LhqUqKiSI/AAAAAAAAADU/OhD7CLIneZ4/s72-c/73958g.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9082002872150641558.post-6126993626238724232</id><published>2008-03-08T00:02:00.013-03:00</published><updated>2008-03-08T10:34:27.317-03:00</updated><title type='text'>Pequenas porções de diversão</title><content type='html'>Aqueles que me conhecem de perto sabem que eu não sou assim tão normal quanto aparento, até porque de perto ninguém é normal mesmo. Entre minhas idiossincrasias, pode-se apontar o fato de ser do tipo “baiana de todos os santos”: no dia 02 de fevereiro, jogo flores para Iemanjá; no dia 19 de abril, faço a louvação a Santo Expedito; no dia 13 de junho, acendo uma vela para Santo Antônio; na última sexta-feira do ano, vou ao Bonfim, e por aí vai.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que eu saiba os santos não têm programa de fidelidade nem exigem regime de dedicação exclusiva. Dessa forma, posso dizer que minha devoção tem como princípio a lógica tribalista do “eu sou de ninguém, eu sou de todo mundo, e todo mundo me quer bem”. E acho que eles me querem bem de verdade, pois não tenho do que me queixar. Até quando as coisas não saem como o esperado, se os contratempos forem vistos com o filtro do humor, ainda assim é possível extrair boas histórias para contar e depois se divertir com elas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi por isso que comecei a escrever e a transformar alguns episódios da minha vida em crônicas. Uma vez iniciado esse processo, acredito que isso mudou a percepção de minha existência: esta se tornou mais significativa na medida em que passei a considerar algumas experiências como dignas de registro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se sempre tive claro o porquê de escrever tais histórias (porque estava a fim, porque isso me dava prazer), o mesmo não acontecia quando me perguntava para quem e para quê. Em princípio, tudo parecia muito bem resolvido: meu público alvo seria eu mesma (inclusive, no futuro) e, muito provavelmente, os amigos que vivenciaram comigo os casos por mim narrados.&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Para quê? Num primeiro momento, para que a leitura coletiva, normalmente realizada após a redação dos textos, se transformasse em evento e pretexto para reunir a galera; para que as recordações de fatos engraçados e insólitos pudessem ser facilmente recuperadas nos arquivos da memória; e, sobretudo, para que esses relatos fossem uma fonte de boas risadas. Considerando que rir faz bem para pele, retarda o aparecimento de rugas e previne contra doenças cardíacas, só isso já seria mais do que uma razão suficiente. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Quando escrevo, costumo me projetar no futuro e me imagino velhinha, dando gargalhadas (muito provavelmente, bem menos estrondosas do que as de hoje), sozinha ou com meus companheiros de aventuras (e desventuras), tão velhinhos quanto eu, lembrando do que aprontamos na juventude e de outros casos engraçados que ouvi por aí. Esse, com certeza, é um excelente motivo e, sem dúvida, um ótimo remédio antimonotonia, indicado como medida preventiva para evitar a depressão senil.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Meus amigos, primeiros leitores das minhas crônicas, também foram os primeiros a me incentivar a fazer alguma coisa com elas. Diante desses estímulos, quando pensava na possibilidade de tornar públicos os textos que escrevia, vinham novamente as questões básicas da comunicação: para quem e para quê. Como jornalista, sei que um dos principais (na verdade, deveria ser o principal) critérios de noticiabilidade é o interesse público, além do igualmente importante (na visão comercial, é o que acaba pesando mais) interesse do público. E continuava me perguntando: “Será que outras pessoas distantes do meu convívio teriam interesse em ler esses meus relatos? A troco de quê?”. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Agora, pensando melhor, diria que talvez elas pudessem ter como recompensa alguma diversão, o que me parece uma contrapartida bem razoável. Então, caros leitores desse meu despretensioso blog, é isso que vocês podem encontrar por essas postagens (Não é assim que se diz nos blogs. Êta, bastaria um “a”, num vacilo de digitação, e teria escrito “pastagens”. Sim, e daí? Soaria estranho, mas algum maluco certamente atribuiria algum sentido. Qual? Deus sabe. Outro detalhe, sem a menor relevância, é que essa é a forma aportuguesada. Fala-se, normalmente, em “post”, que, em inglês, pode significar um monte de coisas, inclusive poste). Fechado esse enorme e despropositado parêntese, devo dizer que esse será, portanto, meu principal tema e, de certa forma, o que me impulsionou a produzir esse blog: compartilhar, com os leitores e passantes de olho dessas páginas eletrônicas, algumas “pequenas porções de diversão”, como é anunciado no nome que dei a ele. Por falar nisso, também é bom dizer que se trata de quase um plágio das “pequenas porções de ilusão” da música “Maior abandonado” de Cazuza. Desejo que, como no refrão criado pelo meu ídolo, minhas (tanto no sentido de que “eu vivi” como no de que “ouvi de alguém e resolvi contar”) histórias sinceras (que estão longe de ser mentira) lhes interessem, lhes interessem...&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Aviso logo que aqui vocês não vão encontrar reflexões profundas sobre a natureza humana (ou sobre qualquer outro tema); muito menos, algo que desafie a erudição. Se é isso que procuram, melhor usar a ferramenta de busca e ir atrás de outro blog para ler. Meu único compromisso será o de retratar, prin-ci-pal-men-te, com todas as sílabas e letras, os momentos de pura falta de compromisso, fora o de ser feliz, que a vida nos reserva se soubermos aproveitá-la. Aliás, também é bom deixar claro que nesse espaço não terei compromissos com absolutamente nada, mesmo porque já os tenho em excesso no meu dia a dia. O que isso quer dizer exatamente? Quer dizer que: passarei dias sem dar o menor sinal de escrita; que postarei (verbo postar no futuro do presente do modo indicativo. É curioso esse vocabulário da “blogosfera”, termo que os comunicólogos gostam de usar) textos que escrevi num passado recente (quando fizer isso, é provável que faça uma breve contextualização do momento em que foi escrito); que postarei (&lt;em&gt;ói &lt;/em&gt;ele aqui de novo, o tal do verbinho) textos longos, mesmo sabendo que eles são totalmente inadequados na Internet, principalmente quando se usa o blog como suporte (quando fizer isso, é provável, que seja obrigada a usar o método do “esquartejamento”, melhor dizendo ― já que “esquartejamento” é feio ―, o método do fracionamento, quando as porções de diversão forem, digamos assim, bem servidas). &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Sobre esse último recém-fechado parêntese, abrirei mais um, sem contar esse aqui (se acostumem com a confusão mental, porque sou chegada num parêntese, isto é, nuns parênteses, afinal há o que abre e o outro que fecha): lembram daquela música de Marina da &lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=8Ylm9-tm2dg"&gt;abertura de “Roda de Fogo”&lt;/a&gt; (quem não lembrar da novela, tudo bem, eu tinha dez anos quando ela foi ao ar na Globo, mas a música acho que devem conhecer, pois ainda toca, pelo menos de caju em caju, em algumas emissoras de rádio)? “Pra começar, quem vai colar, os tais caquinhos...” Pois é, os tais caquinhos dos meus nem tão velhos textos, vocês mesmos terão de colar (mas a fragmentação é sintoma da pós-modernidade, esse momento que dizem que vivemos agora. Então, é provável ― já escrevi essa palavra, tanto na forma de adjetivo como de advérbio, mais de cinco vezes, mas não se trata de pobreza de repertório lexical, a questão é que tudo é especulação minha, portanto, a repetição se faz necessária &amp;shy;&amp;shy;― que vocês nem encarem como um problema). Já viram que sou a rainha das idéias intercaladas. Se o pensamento é assim, a escrita tem de dar um jeito de acompanhá-lo. Quem quiser que me siga.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Gente jovem, por espírito ou data de nascimento, deve obter algum prazer na leitura dos textos que serão aqui publicados (ainda dá para usar esse verbo mais tradicional, mesmo no contexto dos blogs, não é mesmo?). Para isso, eu espero poder contar com as visitas de vocês (“não me deixem só, tenho desejos maiores”), até para ter mais um alento para escrever, além, é claro, da benção de todos os santos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;P.S. (leia-se “Para os Santos”): Senhor do Bonfim, eu sei que Gil já pediu, mas faça também esse favor para mim, chama o pessoal e manda descer a galera toda. Santo Expedito, relaxe aí, que não é assim tão urgente, mas, se puder dar uma forcinha, eu agradeço. Santo Antônio, nesse caso, o senhor está liberado; nem perca seu tempo tentando conseguir apreciadores para esse meu blog, se concentre na sua tarefa de me arranjar um marido bom (no sentido do caráter e no outro também), bonito (ou bonitinho, pelo menos) e que me faça feliz (Santo Expedito, se quiser se coligar com seu colega, fique à vontade!). Odoya, minha mãe, não esqueça de que um dia a senhora mandou o pai de santo me dizer: “o melhor está por vir”. Se ainda vem mais, que venha! &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_sM0y2eg_hLY/R9IjDEqKiRI/AAAAAAAAADE/WsSLNNIr9sQ/s1600-h/bonfimp.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5175237457499293970" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_sM0y2eg_hLY/R9IjDEqKiRI/AAAAAAAAADE/WsSLNNIr9sQ/s200/bonfimp.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_sM0y2eg_hLY/R9Icc0qKiNI/AAAAAAAAACk/taJ9e_NBJKc/s1600-h/Expedito.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5175230203299530962" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_sM0y2eg_hLY/R9Icc0qKiNI/AAAAAAAAACk/taJ9e_NBJKc/s200/Expedito.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_sM0y2eg_hLY/R9Icc0qKiNI/AAAAAAAAACk/taJ9e_NBJKc/s1600-h/Expedito.jpg"&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_sM0y2eg_hLY/R9IcdEqKiOI/AAAAAAAAACs/nb16jn0thnE/s1600-h/Santo+AntÃ´niop.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5175230207594498274" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_sM0y2eg_hLY/R9IcdEqKiOI/AAAAAAAAACs/nb16jn0thnE/s200/Santo+Ant%C3%B4niop.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_sM0y2eg_hLY/R9IfQUqKiQI/AAAAAAAAAC8/dDk9XGnAPEk/s1600-h/IemanjÃ¡2p.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5175233287086049538" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_sM0y2eg_hLY/R9IfQUqKiQI/AAAAAAAAAC8/dDk9XGnAPEk/s200/Iemanj%C3%A12p.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_sM0y2eg_hLY/R9IcdEqKiPI/AAAAAAAAAC0/JReIcIm4J_c/s1600-h/IemanjÃ¡2p.jpg"&gt;&lt;/a&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_sM0y2eg_hLY/R9IbWEqKiMI/AAAAAAAAACc/tqiElaJgXcA/s1600-h/IemanjÃ¡2p.jpg"&gt;&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9082002872150641558-6126993626238724232?l=cristianaserra.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cristianaserra.blogspot.com/feeds/6126993626238724232/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9082002872150641558&amp;postID=6126993626238724232' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9082002872150641558/posts/default/6126993626238724232'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9082002872150641558/posts/default/6126993626238724232'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cristianaserra.blogspot.com/2008/03/pequenas-pores-de-diverso.html' title='Pequenas porções de diversão'/><author><name>Cris</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05164885794284654292</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_sM0y2eg_hLY/R9IjDEqKiRI/AAAAAAAAADE/WsSLNNIr9sQ/s72-c/bonfimp.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>4</thr:total></entry></feed>
